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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Empresa para a qual Lulinha fez lobby ganhou R$ 86 milhões em contratos do governo federal

Imagem: reprodução

O ministro do STF, André Mendonça, autorizou inquérito para investigar irregularidades na relação de Lulinha com o sócio da 3Structure It

A 3Structure It LTDA, empresa para a qual o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria feito lobby para prospectar negócios junto à administração pública, segundo a Polícia Federal (PF), fechou seis contratos com o governo federal que somam R$ 85,7 milhões.

Os acordos têm como objeto a contratação de soluções de tecnologia da informação. Ao menos cinco deles foram fechados após realização de processo licitatório. As informações foram levantadas pela coluna no Portal da Transparência, Comprasnet e Diário Oficial da União (DOU).

A 3Structure It foi criada em 2019 e mantém sede em Florianópolis. O primeiro contrato foi fechado com o Centro Integrado de Telemática do Exército em novembro de 2022. O instrumento prevê solução de TI e comunicação de backup de forma a expandir a infraestrutura de armazenamento do Sistema de Telemática do Exército. Inicialmente com valor de R$ 21,8 milhões, o contrato recebeu aditivo de R$ 3,6 milhões em julho deste ano.

Todos os outros contratos foram firmados na gestão do presidente Lula (PT). O instrumento de maior valor é com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Em 2023, a pasta celebrou contrato para adquirir solução para sustentação do ambiente analítico de dados do ministério. O valor acumulado ultrapassa os R$ 42 milhões.

A 3Structure It mantém ainda um outro contrato com o Ministério do Desenvolvimento, dessa vez de R$ 19,3 milhões. O documento assinado em abril deste ano prevê a contratação de nova solução de backup em substituição à solução atualmente implantada no ministério.

Já o Instituto Nacional de Educação de Surdos, que é vinculado ao Ministério da Educação, tem contrato de quase R$ 178 mil e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) tem firmado contrato de cerca de R$ 2,5 milhões.

Em outubro de 2024, a 3Structure It também assinou um contrato com a Telebrás, estatal ligada ao Ministério das Comunicações. O valor não foi divulgado.

Investigação da PF

Como mostrou a coluna de Manoela Alcântara, do Metrópoles, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um segundo inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência de Lulinha. A informação foi revelada pelo Estadão. Além desse novo inquérito, o filho do presidente é alvo de outra investigação que apura supostos crimes de corrupção e tráfico de influência no Ministério da Saúde.

A nova apuração identificou indícios de irregularidades na relação de Lulinha com o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3Structure It LTDA. A empresa teria buscado negócios na Dataprev, companhia de tecnologia do governo federal, e em outros órgãos.

Ainda segundo a coluna, após a decisão de Mendonça, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e advogado de Lulinha, ressaltou que a defesa segue tranquila. No entanto, afirma que não teve acesso a essa nova abertura de investigação.

Fonte: metropolis


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terça-feira, 28 de julho de 2026

A FACE DO CRIME ORGANIZADO NA POLÍTICA MARANHENSE? Beto Castro vira réu acusado de organização criminosa armada, peculato e lavagem de dinheiro

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Vara dos Crimes Organizados também aceitou denúncia contra Umbelino Júnior, Raquel Lacerda e outras sete pessoas. Gaeco diz que esquema teria associação com a facção PCM

Os juízes auxiliares Iran Kurban Filho, Rômulo Lago e Cruz e Leoneide Delfina Barros Amorim, respondendo pela Vecco (Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados), aceitaram denúncia e abriram ação penal contra o vereador de São Luís Beto Castro (Avante) por organização criminosa armada, peculato e lavagem de dinheiro.

A decisão é da última quinta-feira (16), quando também foi determinada, após questionamentos do Atual7, a publicização dos autos do processo 0874553-26.2023.8.10.0001.

Também viraram réus outras nove pessoas, incluindo o ex-vereador Umbelino Júnior e a empresária Raquel Lacerda, esposa de Beto Castro. Ele é pré-candidato à presidência da CMSL (Câmara Municipal de São Luís), em eleição prevista para ocorrer a partir de outubro próximo, para posse no primeiro dia útil de janeiro de 2027.

A ação penal decorre da Operação Benedictio, deflagrada em 15 de junho pelo Gaeco do Ministério Público do Maranhão para desarticular suposto esquema acusado de ter desviado R$ 9,6 milhões de convênios e emendas parlamentares destinados a projetos sociais em São Luís, por meio do Instituto Sê Tu Uma Bênção, inclusive para amenizar a fome na capital durante a pandemia da Covid-19.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na deflagração da operação, Beto Castro chegou a ser preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, uma pistola Taurus G2C, calibre 9mm, municiada com 11 cartuchos intactos, além de outras 12 munições do mesmo calibre localizadas em veículo relacionado ao parlamentar.

Contudo, atendendo parecer da promotora de Justiça de Investigação Criminal Marinete Ferreira Silva Avelar, a juíza Larissa Rodrigues Tupinambá Castro, da 1ª Central das Garantias e Inquéritos da Comarca da Ilha de São Luís, concedeu liberdade provisória ao vereador, mediante o cumprimento de medidas cautelares como comparecimento periódico perante a CIAPIS (Central Integrada de Alternativas Penais e Inclusão Social) e proibição de ausentar-se da capital sem prévia autorização judicial.



Maços de dinheiro em espécie apreendidos pelo Gaeco durante a Operação
Benedictio, em São Luís - Foto: Divulgação/MP-MA


O Gaeco aponta na denúncia associação dos acusados com a facção criminosa PCM (Primeiro Comando do Maranhão), ligada ao CV (Comando Vermelho) — facção fluminense que o governo dos EUA classificou em maio como organização terrorista.

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Fonte: ATUAL7


" O CRIME COMPENSA, NO MARANHÃO! E MUITO..."


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Como anda a "CPI do Camarão" ou "CPI do FILIPIX"?

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A Comissão Parlamentar de Inquérito criada na Assembleia Legislativa do Maranhão para investigar o vice-governador do estado, Felipe Camarão (PT), apura suspeitas de corrupção e desvios de recursos públicos envolvendo movimentações financeiras atípicas.

O inquérito foi instaurado com base em investigações sigilosas do Ministério Público e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaram repasses financeiros e movimentações atípicas em nome do vice-governador e pessoas de seu entorno. 

A apuração foca em depósitos não identificados e possível uso da estrutura da Vice-Governadoria e da segurança para triangulação de recursos. A situação política e jurídica da comissão tem sido marcada por reviravoltas recentes:

Maio de 2026: A comissão, com a relatoria do deputado Dr. Yglésio, avançou nos trâmites. O vice-governador Felipe Camarão negou veementemente as acusações, classificando o caso como um ataque político e irregular, além de ter acionado o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para suspender as investigações.

Junho de 2026: A maioria dos membros da CPI formou base para aprovar a quebra de sigilo bancário do vice-governador e outros investigados. No entanto, a efetivação da medida foi adiada temporariamente devido a pedidos de vista (mais tempo para análise do processo). Simultaneamente, o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) negou à CPI acesso a outros processos sigilosos envolvendo o caso.

Julho de 2026: As movimentações giram em torno de R$ 39 Milhões e recentes apurações ligam o montante referente as movimentações de Felipe Camarão, familiares e assessores, em torno de R$ 19.000.000,00 (Dezenove milhões de reais). 

O desembargador responsável pela liminar, que restringe a CPI da Assembleia Legislativa do Maranhão a dados do COAF e do GAECO, é o presidente do TJ-MA, Ricardo Duailibe.

A CPI tem como base o Procedimento Investigatório Criminal nº 025065-750/2025, instaurado pelo Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA), que tramita no TJ-MA, com indícios coletados em diversas diligências investigatórias, bem como Relatórios de Inteligência Financeira elaborados pelo Coaf.

Os elementos indicam, em tese, a existência de materialidade e indícios de autoria relacionados à possível prática de crimes de lavagem de capitais e infrações penais conexas, inclusive ilícitos que podem ter sido cometidos contra a Administração Pública, sendo que o contexto investigativo envolveria diretamente o vice-governador Felipe Camarão, além de outros indivíduos cuja eventual participação deverá ser apurada no âmbito da CPI a ser instaurada”, informou a Alema.

Resumindo: a justiça concedeu decisão liminar para Camarão não ser afastado à pedido do MP, deu liminar para não quebrar seu sigilo bancário e fiscal, deu liminar para a não disponibilização dos documentos da investigação do MP, e por fim, 'a justiça suspendeu a CPI'. Ou seja, deu liminar para Camarão em tudo, e o povo, fica sem saber de nada!


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domingo, 19 de julho de 2026

Justiça abre prazo final para Lahesio Bonfim em processo que apura fraude e movimentações de R$ 44 milhões

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A ação penal que coloca o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes e pré-candidato ao Senado, Lahesio Bonfim, no centro de graves acusações envolvendo fraude em licitação, sobrepreço, associação criminosa e armazenamento irregular de combustíveis entrou em sua fase decisiva.

Em despacho assinado na quinta-feira, 9 de julho, a juíza Urbanete de Angiolis Silva, que responde pela 5ª Vara da Comarca de Balsas, determinou a intimação pessoal de Lahesio Bonfim, Elizany Costa e Silva Rodrigues e Thaisa Costa Silva Rodrigues para que informem se pretendem contratar novos advogados ou se desejam ser representados pela Defensoria Pública.

A medida foi adotada após o encerramento do prazo destinado à apresentação das alegações finais das defesas. Cumprida essa etapa, o processo deverá ser encaminhado para sentença, quando a Justiça decidirá se os acusados serão absolvidos ou condenados. A nova movimentação foi divulgada pelo site “Direito e Ordem” e confirmada pelo site Folha do Maranhão.

A ação foi proposta pelo Ministério Público do Maranhão e tem como réus João Batista dos Santos Coutinho e Celsivan dos Santos Jorge. Todos são acusados de participação, em diferentes níveis, em um suposto esquema montado no Pregão Presencial nº 26/2018, destinado à compra de combustíveis para a Prefeitura de São Pedro dos Crentes.

Segundo a denúncia, o processo licitatório teria sido preparado para beneficiar o Auto Posto Fortaleza e a empresa Andrade e Coutinho. O Ministério Público sustenta que houve combinação prévia de preços, divisão dos contratos, apresentação de documentos irregulares e criação de obstáculos que dificultaram a participação de outras empresas.

A perícia apontou que a pesquisa de preços foi realizada com apenas dois fornecedores e teria provocado um sobrepreço de R$ 124.483,03. Também foram identificados pagamentos de R$ 32.970,58 acima do valor previsto no contrato firmado com o Auto Posto Fortaleza.

O comportamento das empresas durante a licitação foi considerado suspeito pelos investigadores. Um mesmo produto era oferecido por preços diferentes dependendo do lote. Em algumas disputas, uma empresa apresentava o menor valor e vencia; em outras, cobrava mais caro pelo mesmo item, permitindo que a concorrente ficasse com o contrato.

Para o Ministério Público, a alternância não representava uma concorrência verdadeira, mas uma forma de acomodar os interesses das duas empresas. Ao final, o Auto Posto Fortaleza ficou com 56% do valor contratado, enquanto a Andrade e Coutinho recebeu os outros 44%.

Posto teria vendido mais combustível do que comprou

Um dos pontos mais graves da acusação envolve a quantidade de combustível comercializada.

De acordo com a denúncia, o Auto Posto Fortaleza comprou 90 mil litros de diesel S10, mas registrou a venda de 124.838,71 litros somente para a Prefeitura de São Pedro dos Crentes. A diferença ultrapassa 34,8 mil litros, quantidade que, conforme os dados apresentados pelo Ministério Público, não tinha origem compatível demonstrada.

A investigação também apontou que o posto estaria fechado e sem atividade regular durante parte do período em que deveria fornecer combustível ao município. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados indicaram que o empreendimento não possuía funcionários registrados entre 2011 e março de 2019.

Fotografias produzidas em outubro de 2018 mostrariam o estabelecimento fechado, com plásticos sobre as bombas e sem cobertura adequada. Mesmo nessas condições, a empresa foi vencedora de parte da licitação e recebeu recursos públicos.

Os documentos fiscais também apresentaram divergências. Enquanto informações obtidas junto à Secretaria de Estado da Fazenda indicavam vendas de R$ 458.924,83 durante o período do contrato, os documentos apresentados pela prefeitura demonstravam pagamentos de R$ 239.637,80.

Garagem da prefeitura teria virado posto clandestino

O combustível contratado não era abastecido diretamente nos veículos municipais. Conforme a investigação, ele era transportado até a garagem da Prefeitura de São Pedro dos Crentes, onde ficava armazenado em tanques e era distribuído pela própria administração.

Em depoimento citado na denúncia, Lahesio afirmou que não existia uma anotação específica para cada abastecimento. O controle seria apenas “visual” e realizado por pessoas de sua confiança.

A Agência Nacional do Petróleo informou que a Prefeitura de São Pedro dos Crentes não possuía autorização para armazenar, abastecer ou exercer atividade de revenda de combustíveis automotivos.

Na prática, segundo a acusação, a gestão municipal transformou a garagem de um prédio público em uma espécie de posto clandestino, sem autorização do órgão regulador e sem um sistema confiável para demonstrar quanto combustível entrava, quanto saía e quais veículos eram efetivamente abastecidos.

Por esse motivo, Lahesio também foi denunciado pela suposta prática de crime ambiental relacionado ao armazenamento de substância perigosa sem autorização legal.

Movimentações chegaram a R$ 44 milhões

Após a quebra dos sigilos bancário e fiscal, o Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil identificou que as pessoas e empresas investigadas movimentaram, juntas, aproximadamente R$ 44 milhões.

A conta pessoal de Lahesio Bonfim teria movimentado cerca de R$ 5 milhões no período analisado, com maior volume justamente em 2018, ano em que ocorreu a licitação investigada.

O documento também aponta a existência de 112 transferências do Auto Posto BF para a conta pessoal de Lahesio, totalizando R$ 545.229. Os repasses teriam ocorrido em valores frequentes superiores a R$ 4,5 mil.

O Auto Posto BF já havia pertencido a Lahesio e, posteriormente, passou a ser controlado por uma pessoa apontada na investigação como próxima ao então prefeito. A denúncia afirma que Lahesio teria mantido relações financeiras com pessoas e empresas ligadas ao fornecimento de combustíveis.

Outro dado considerado incompatível envolve o então presidente da Comissão Permanente de Licitação e pregoeiro de São Pedro dos Crentes. Celsivan dos Santos Jorge teria movimentado aproximadamente R$ 700 mil, embora seus pagamentos salariais somassem R$ 59.681,14 no período analisado.

Elizany Costa e Silva Rodrigues, sócia do Auto Posto Fortaleza, teria movimentado aproximadamente R$ 5,5 milhões em sua conta pessoal. O valor era superior à movimentação da própria empresa, que possuía capital social declarado de R$ 200 mil.

Segundo o Ministério Público, as movimentações demonstrariam que os envolvidos mantinham relações financeiras entre si, inclusive por meio de repasses fracionados.

Lahesio responde por três acusações

O Ministério Público denunciou Lahesio Bonfim por suposta fraude ao caráter competitivo da licitação, associação criminosa e armazenamento irregular de substância perigosa.

João Batista dos Santos Coutinho, Elizany Costa e Silva Rodrigues e Thaisa Costa Silva Rodrigues respondem por acusações de fraude em licitação, associação criminosa e transporte ou destinação irregular de substância perigosa, conforme a participação atribuída a cada um.

Celsivan dos Santos Jorge, que atuava como presidente da Comissão de Licitação e pregoeiro do município, foi denunciado por suposta fraude ao caráter competitivo da licitação e associação criminosa.

Durante a fase inicial do processo, o Ministério Público chegou a pedir o afastamento cautelar de Lahesio do cargo de prefeito. O órgão alegou que sua permanência no comando do município poderia facilitar a coação de testemunhas, a adulteração de documentos e outras interferências na produção das provas.

Agora, anos depois dos fatos investigados, a ação penal chega à reta final justamente quando Lahesio tenta retornar ao centro da política maranhense como pré-candidato ao Senado.

O processo coloca sob análise da Justiça o contraste entre o discurso público de moralidade defendido pelo ex-prefeito e uma denúncia que descreve licitação direcionada, sobrepreço, documentos irregulares, combustível vendido sem origem compatível, armazenamento clandestino dentro da prefeitura e uma rede financeira que movimentou cerca de R$ 44 milhões.

Fonte: folhadomaranhao


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sábado, 27 de junho de 2026

De aliados a rivais: racha entre Dino e governador divide PT no Maranhão

Imagem: reprodução / composição IA

Integrantes do partido cogitam palanque duplo para Lula no estado, mas temem que divisão favoreça candidatura do PSD

O rompimento político entre o governador Carlos Brandão (sem partido) e a ala ligada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino divide o diretório do PT no Maranhão. O atual ocupante do Palácio dos Leões articula para ter o sobrinho Orleans Brandão (MDB) como sucessor, enquanto parlamentares próximos a Dino trabalham pela eleição do atual vice-governador Felipe Camarão (PT).

A divisão na base aliada do presidente Lula no estado preocupa petistas. O temor é o de que o cenário favoreça o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD), que é o atual líder nas pesquisas e busca não nacionalizar o debate eleitoral no estado.

Integrantes do grupo político próximo ao ministro do STF, que foi governador entre 2015 e 2022, quando teve Carlos Brandão como vice, tentaram formar uma aliança com Braide. A prerrogativa para a composição era que o ex-prefeito pedisse voto a Lula, o que não foi acertado. Com isso, optaram pelo apoio a Camarão, que é rompido com o atual governador há dois anos.

Membros da alta cúpula petista no Maranhão afirmam, reservadamente, que a candidatura de Camarão é resultado de um cenário no qual Lula “não pode dizer não a Dino”. O magistrado é visto comoum dos poucos no STF com o qual o governo pode contar”, sobretudo no contexto atual de crise na Corte por conta do escândalo do Banco Master. No PT do Maranhão, há defesa de que o presidente opte por um palanque duplo, apoiando tanto Camarão quanto Orleans Brandão, para assim garantir mais palanques pela reeleição ao Planalto.

— Não estamos confortáveis ao ponto de dispensar apoio de governador. Essa divisão favorece o Braide — defende um influente membro do diretório estadual do PT.

Por outro lado, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e Felipe Camarão negam a possibilidade de um palanque duplo de Lula no estado.

— A escolha do PT pela minha candidatura é resultado de pesquisas que mostram a rejeição do Maranhão a oligarquias. Lula não fará palanque duplo, mas também não recusará apoio. Está bem claro que o presidente só pedirá voto para mim — afirma Camarão.

O grupo de Brandão, por sua vez, avalia que Lula estaria abdicando de um palanque consolidado para apoiar uma candidatura “gestada no STF” estando ao lado apenas de Camarão. O entorno do governador acredita que Lula apoiará também Orleans, mesmo que informalmente. A relação de Brandão com o Ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), é entendida como uma ponte para a manutenção da proximidade entre o PT e a ala do governador.

O governador lançou a pré-candidatura do sobrinho Orleans Brandão — que atuou como secretário de Assuntos Municipalistas do Maranhão e é presidente estadual do MDB — em março, com jingle inspirado nas campanhas de Lula.

Somos 100% Lula e temos uma relação política e institucional consolidada com o presidente. Orleans Brandão foi apresentado como pré-candidato ao governo do Maranhão por uma aliança de 11 partidos, além do apoio de quase 200 prefeitos. E é todo esse time que seguirá ao lado de Lula — afirma Carlos Brandão.

Divulgada em março, a rodada mais recente da pesquisa Quaest no estado mostra Braide à frente de Orleans Brandão e de Camarão. Em cenário de primeiro turno testado com os três nomes, o político do PSD aparece com 35%, seguido pelo sobrinho do governador, com 24%. Já o petista aparece com 7%.

Braide defende que sua candidatura representa a “transformação” na política estadual. Para a campanha, o ex-prefeito planeja destacar entregas nas áreas de infraestrutura, saúde e educação.

— Ao contrário da maioria das candidaturas, que nasce dentro de um grupo político, de um gabinete, de um partido, e depois é levada às ruas, a nossa candidatura faz o caminho oposto. Ela vem das ruas, de um pedido da população do Maranhão, independente.

Rompimento definitivo

A ruptura entre os grupos de Brandão e de Dino foi selada no ano passado. Mas, o desgaste não é recente: o atual governador, inclusive, não foi convidado para o casamento de Dino, que reuniu políticos, como Camarão, e autoridades, incluindo os colegas da Suprema Corte Alexandre de Moraes e o ex-ministro Luís Roberto Barroso, em 2024, no Maranhão. Uma das razões da escalada do conflito envolveu o preenchimento de duas vagas no Tribunal de Contas do estado (TCE), no início de 2024 e de 2025. As indicações foram travadas por ações em tramitação no STF sob relatoria de Dino. As cadeiras não foram ocupadas até o momento.

O estopim para o rompimento definitivo, como revelou a coluna do GLOBO de Malu Gaspar, foi a divulgação de três gravações de conversas de aliados do ministro do STF com um interlocutor não identificado. Em uma delas o deputado federal Rubens Jr. (PT-MA) cobra a gestão de Brandão a cumprir acordos políticos na eleição municipal de 2024 para “liberar o TCE”. À época, o atual governador acusou interlocutores do ex-aliado de usarem o processo no STF para “chantagem”, enquanto parlamentares próximos a Dino alegaram terem sido alvos de “garimpos” do governo do Maranhão.

O racha no estado foi criticado pelo presidente Lula, que chegou a pedir aos dois campos que tivessem “responsabilidade” e evitassem “brigar dentro de casa”. O petista também argumentou, durante entrevista à TV Imirante, que o distanciamento poderiadar aos adversários a chance de ganhar”. Apesar da insistência de Lula para que Brandão disputasse uma cadeira no Senado na eleição de 2026, o governador optou, no fim do ano passado, por permanecer no Executivo estadual, posição que agravou a tensão com Camarão.

Por Thiago Prad


Fonte: O GLOBO


sábado, 2 de maio de 2026

SERÁ A VENEZUELIZAÇÃO DO BRASIL? No regime lulista, criticar Lula e o STF virou crime

Imagem: reprodução

Hoje, no Brasil, parlamentar vira réu por crítica política. Virou crime associar Lula ao nazismo, mas, quando era com Bolsonaro, estava tudo bem. A imprensa podia chamá-lo de fascista, nazista, genocida e ditador. Teve até capa de revista fazendo esse tipo de associação contra Bolsonaro, e ninguém tratou aquilo como crime contra a honra. Mas, quando @gusgayer fez algo semelhante envolvendo Lula, a crítica virou injúria, denúncia e ação penal no STF.

Em uma democracia verdadeira, imprensa, parlamentares e cidadãos precisam ter liberdade para criticar, satirizar e incomodar o poder. O problema é que essa regra só parece valer quando o alvo é a direita.


Imagens: reprodução

Quando o alvo é Lula e o STF, tudo muda.

Uma simples faixa escrita “ladrão” já vira caso de Polícia Federal. Uma montagem contra Lula vira denúncia. Uma crítica mais dura ao Supremo pode ser tratada como ataque institucional. Agora, até parlamentar corre o risco de responder no STF por associar o presidente a alguma tirania do passado.

Isso não é democracia sólida. Isso é regime lulista com blindagem judicial.

A liberdade de expressão virou seletiva. Para atacar Bolsonaro, podia tudo. Para criticar Lula, cuidado: o Estado pode bater à sua porta. Para questionar o STF, cuidado: a crítica pode acabar dentro de algum inquérito. Nos últimos anos, o Supremo passou a usar o chamado inquérito das fake news para mirar opositores, intimidar vozes críticas e enquadrar manifestações políticas como ameaça à democracia.

O Brasil chegou a um ponto gravíssimo: o poder não quer apenas governar, quer controlar o que pode ser dito. Quer decidir qual crítica é aceitável, qual sátira é permitida e qual opinião merece processo


Os intocáveis - Imagem: reprodução

E quando criticar o governante, questionar ministros do STF ou expressar indignação política vira risco jurídico, a democracia já deixou de ser plena há muito tempo.

Fonte: epocamundo




GLOBO dedica matéria especial para Lulinha, filho do presidente Lula

Imagem: reprodução

O Jornal Nacional exibiu nesta semana uma reportagem que colocou o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, no centro de novas discussões envolvendo o INSS e uma investigação sobre fraudes.

Pela primeira vez, a defesa de Lulinha admitiu que ele teve relação com um dos personagens investigados no esquema, conhecido como “CarecaDoINSS”. Segundo os advogados, os dois chegaram a manter contato.

O caso ganhou força dentro da CPMI que apura as irregularidades e também segue sendo acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal.

A defesa sustenta que Lulinha não tem qualquer ligação com o esquema investigado.

Apesar da confirmação do contato, os advogados negaram qualquer participação dele nas irregularidades apuradas.

Fonte: folhadeguarulhos




A rejeição de Messias, a queda do veto da dosimetria e a criação da comissão da 6×1

Imagem: Daniel Medeiros/PlatôBR - reprodução


Congresso impõe duas derrotas retumbantes contra o governo e Câmara instala colegiado para analisar a PEC que muda a escala de trabalho

A dupla derrota sofrida por Lula com a rejeição histórica na quarta-feira, 29, da indicação para o STF do advogado-geral da União, Jorge Messias, e com a derrubada no dia seguinte do veto ao PL da Dosimetria demarcaram uma nova relação entre o governo e o Congresso. As decisões representaram uma demonstração de força do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e expuseram a fraqueza do Planalto no jogo parlamentar na reta final do terceiro mandato do petista.


Imagem: reprodução

Messias foi recusado por uma aliança formada pela oposição, puxada pelo senador Flávio Bolsonaro (Pl-RJ), com o Centrão, comandado por Alcolumbre. As explicações incluem o interesse do campo direitista em atrapalhar o governo em ano eleitoral e a insatisfação do presidente do Senado com o fato de Lula não ter escolhido seu aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no Supremo.

Mendonça, Moraes e Master

As negociações finais envolveram um recuo da oposição nas pressões pela instalação de uma CPI para investigar o escândalo do banco Master. Integrantes da cúpula do Congresso e da direção dos partidos do Centrão são mencionados nas investigações da Polícia Federal e atuaram para barrar a criação da comissão.

Messias era considerado favorável ao aprofundamento das apurações, na mesma linha do relator do processo no STF, ministro André Mendonça, que trabalhou pela aprovação no Senado do nome escolhido por Lula. Ambos são evangélicos.

Em sentido contrário, atuou o ministro Alexandre de Moraes, que participou das conversas decisivas para a derrota do Planalto. Ele também aparece nas investigações da PF por causa do contrato de R$ 129 milhões assinado pelo escritório de sua mulher, Viviane Barci, com o Master.

No Supremo e na campanha

A batalha segue no mundo jurídico, com os desdobramentos das investigações dos negócios do banqueiro Daniel Vorcaro e com ações de governistas contra a derrubada do veto da dosimetria. Continua, também, nos embates da campanha eleitoral.

O Centrão e a oposição bolsonarista vão explorar a fraqueza parlamentar do governo para tentar embalar as candidaturas contra Lula, principalmente a de Flávio Bolsonaro, responsável direto pelas negociações que derrotaram o Planalto.

Lula adotará um discurso de enfrentamento ao Congresso e ao “sistema” pelas derrotas que sofreu neste mandato. Sobre a rejeição de Messias, dirá a pastores e fiéis que tentou atendê-los com mais um evangélico no Supremo, mas que foi impedido pela oposição e pelo Centrão.

A comissão especial da 6×1

A Câmara instalou na quarta-feira, 29, a comissão especial que vai analisar a PEC que acaba com a comissão especial que vai analisar a PEC que acaba com a jornada 6×1 na escala. O deputado Alencar Santana (PT-SP) foi eleito para presidir o colegiado e o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) vai relatar a proposta.

Com a instalação da comissão, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminha seu plano de aprovar a PEC ainda neste semestre. Essa é uma proposta com forte apelo eleitoral, uma das prioridades de Lula para o último ano de seu terceiro mandato.

Embora a perspectiva seja favorável à aprovação pelos deputados, a PEC deve parar no Senado. As derrotas do governo nesta semana, lideradas por Alcolumbre, indicam que os senadores não devem votar o texto antes das eleições.

Em relação ao conteúdo da PEC, o maior embate será em torno da discussão sobre compensações ao empresariado pela mudança na escala de trabalho. O governo é contra qualquer iniciativa que conceda qualquer benefício tributário como contrapartida ao fim da jornada 6×1. Motta também sinaliza que não apoia a demanda do setor privado.

Por Eumano Silva


Fonte: platobr

terça-feira, 21 de abril de 2026

Autoritário, arbitrário ou maquiavélico? As polêmicas envolvendo Flávio Dino e a política maranhense

Imagem: composição

"Dê o poder ao homem e descobrirá quem ele realmente é" - Nicolau Maquiavel


SUSPENSÃO DE INQUÉRITO SOBRE FRAUDE A COTA DE GÊNERO ENVOLVENDO O PARTIDO PODEMOS EM SÃO LUÍS NA JUSTIÇA ELEITORAL


O relator constatou que a continuidade das investigações no juízo eleitoral, antes de pronunciamento do Supremo, pode comprometer prerrogativas parlamentares

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu parcialmente medida liminar na reclamação constitucional (Rcl) 93066 para suspender o trâmite do Inquérito Policial n° 060001294.2025.6.10.0003 e da Medida Cautelar n°0600015-49.2025.6.10.0003, que tramitam no Juízo da 2ª Zona Eleitoral de São Luís/MA.

Segundo o blog do Isaías Rocha apurou, o inquérito relacionado à chapa do Podemos foi instaurado com a finalidade de investigar uma possível organização criminosa dedicada à prática de delitos eleitorais. De acordo com as informações, o caso envolve fraude decorrente do uso de candidaturas fictícias nas eleições municipais de 2024 na capital maranhense, visando dissimular o cumprimento da cota de gênero.


Vereadores cassados, beneficiados com a decisão - Imagem: reprodução


Na reclamação ajuizada pelo vereador Fabio Macedo Filho (ao centro), a defesa alega que o Juízo da 2ª Zona Eleitoral teria usurpado a competência do STF durante o trâmite do procedimento criminal.

Isso ocorreu porque, segundo as alegações, o caso que investiga a suposta organização criminosa ligada a crimes eleitorais faz “menção expressa a diversas figuras políticas”, incluindo algumas com foro privilegiado no Supremo.

O relator do pedido, ministro Flávio Dino, concordou parcialmente com os argumentos e decidiu suspender a investigação em relação ao parlamentar até que o Supremo se manifeste sobre sua competência e análise um eventual desmembramento do inquérito que tramita em segredo de justiça.

“O risco de dano irreparável ou de difícil reparação também se evidencia. A continuidade de diligências investigatórias no juízo eleitoral, antes de pronunciamento deste STF, pode comprometer prerrogativas parlamentares”, frisou.

Clique aqui para ler a decisão


Por Isaías Rocha


Laudo atesta que Dino votou em ação dele mesmo contra ex-senador

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Roberto Rocha (Novo) acusa ministro de usar cargo no STF contra rivais políticos no Maranhão, resgatando denúncia de 2022

O ministro Flávio Dino registrou voto para rejeitar um recurso em petição sobre queixa-crime que ele mesmo apresentou contra o ex-senador do Maranhão, Roberto Rocha, no Supremo Tribunal Federal (STF). É o que atesta o laudo da empresa Verifact, incluído em nova petição de Rocha contra a queixa-crime em que Dino o acusou de calúnia e difamação por ter denunciado que o ministro, quando governador do Maranhão, em 2022, teria usado suposta influência para coagir prefeitos a não apoiá-lo, por meio da Procuradoria-Geral de Justiça.

O ex-senador que se filiou na terça-feira (31) ao Partido Novo para disputar eleição ao Senado acusa Flávio Dino de suposto uso da Suprema Corte como instrumento político para perseguir rivais da política no Maranhão. Porque, argumenta Rocha, após se tornar ministro em 2024, Dino conseguiu reativar a queixa-crime que havia sido arquivada ainda em outubro de 2022, pela ministra-relatora Cármen Lúcia. O arquivamento havia sido determinado após a ministra concluir que as denúncias do então senador foram feitas sob a proteção da imunidade parlamentar, como também havia entendido a Procuradoria-Geral da República (PGR).

No laudo da empresa Verifact, elaborado sob a responsabilidade de Alex Ferreira Borralho, ficou registrado o voto de Dino em sessão virtual, entre 20h15 e 20h17 da última quarta-feira (25/03), na Primeira Turma do STF, presidida pelo próprio ministro autor da queixa-crime. O voto do ex-governador do Maranhão contra seu rival político no estado nordestino acompanhava o voto do ministro-relator, Alexandre de Moraes, no embargo de declaração no agravo regimental da Petição 10.541.

Antes do final do julgamento em sessão virtual, encerrado na sexta-feira (27), Dino anulou seu voto e se declarou impedido. Ainda assim, o desfecho foi favorável ao ministro, com votos de Moraes, de Cármen Lúcia e de Cristiano Zanin, pela manutenção da tramitação da queixa-crime e rejeição dos argumentos do ex-senador Roberto Rocha, que insistiam na tese de sua imunidade parlamentar e pediam que a eventual ação penal tramite na primeira instância, não mais no STF.

Veja trecho do laudo:

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Erro no sistema

Antes de publicar esta matéria, o Diário do Poder enviou pedidos à assessoria de imprensa do STF por posicionamentos dos ministros citados. Após a publicação, o gabinete do ministro Flávio Dino informou o seguinte: “O ministro se declarou impedido. Houve erro no sistema que não registrou o impedimento do ministro, mas foi corrigido no dia 26”.

Política no Supremo

Ao Diário do Poder, o ex-senador reforçou as acusações contra Flávio Dino, afirmando que, se o ministro é capaz de usar o STF como instrumento político para perseguir adversários políticos no Maranhão, poderia se imaginar o que ele não teria sido capaz de fazer numa eleição, em 2022, quando ele era candidato a senador. E relatou ter perdido 120 de 126 apoios de prefeitos à sua candidatura ao Senado e à do senador Weverton Rocha (PDT-MA) a governador.

Ex-senador Roberto Rocha (Novo-MA) denunciou ministro Flávio Dino de perseguição via STF. ”Denunciei isso na Tribuna do Senado, que ele enquanto candidato a senador estava aparelhando as instituições para chantagear prefeitos e candidatos a deputado da minha coligação para poder declarar apoio a ele. […]Cabia ele se defender. Nunca o fez. Eu denunciei normal, como qualquer político no exercício do mandato faz e pela Constituição está imune. No artigo 53 tá escrito ‘pelas suas palavras, opiniões e votos’. Isso é é a imunidade parlamentar”, disse Roberto Rocha.

O ex-senador relata que foi alvo de cinco queixas-crime apresentas por Flávio Dino, com quatro já derrubadas no Supremo. “Ao chegar no Supremo, Flávio Dino pediu ao Alexandre Moraes, ele desarquivou”, relembrou Rocha, ao citar que o processo estava parado desde dezembro de 2024, quando seu advogado fez um embargo, com a PGR se manifestando ao seu favor.

Mas o ex-senador destacou que a decisão de enviar o caso para julgamento virtual foi publicada no dia 11 do mês de março, um dia após a pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas (veja aqui) apontar que ele e o governador maranhense Carlos Brandão (PSB) seriam eleitos para as duas vagas em disputa ao Senado no Maranhão.

“Acendeu o sinal de alerta, né?, para eles todos. Bom, se no mês de março um estado como o Maranhão, que fica no Nordeste, tá elegendo o senador da direita, imagina quando chega outubro. O que está em discussão é isso, é o próximo Senado, é próxima legislatura, é essa que é a discussão. Não é o caso de 2022, não! O que está em discussão é 2026! Ou seja, ele tá fazendo política, completamente fazendo política”, denunciou o ex-senador.

Roberto Rocha ainda demonstrou estranhamento com o fato de a ministra Carmen Lúcia, quatro anos após arquivar o caso, ter mudado seu voto, para votar contra seu recurso. Mas o rival do ministro maranhense ressalta que o mais incrível foi Dino ter votado acompanhando o relator Alexandre Moraes, numa ação que o próprio ex-governador integrante do STF moveu contra o ex-senador.

“Ou seja, alguém deve ter dito para ele que isso é loucura. E no dia seguinte ele mudou o voto para impedido. E foi feito inclusive uma auditoria, né? Então, imagina você, o cara na Suprema Corte é capaz de votar contra um adversário político num processo em que ele é o autor e ele que preside a sessão da Primeira Turma do Supremo. Pois se ele se declarou impedido, ele não podia estar presidindo uma sessão dessa, cara. É completamente nula a sessão. Lamento que isso tudo esteja acontecendo em nosso país”, protestou o ex-senador.

Para Roberto Rocha, o Supremo já teria passado de todos os limites, há muito tempo. “Eu acho que do jeito que tá aí, chega até o dia da eleição, o Supremo ainda muito, mas muito mais rejeitado pela população brasileira. E a população brasileira é arriscado ir para as ruas, protestar contra isso. […] Então, eu serei o fiel depositário dessa indignação popular no dia da eleição. E é isso que ele [Dino] não quer.  Senadores completamente comprometidos em levantar o Senado que tá de cócoras, de joelho, perante o Supremo”, concluiu Roberto Rocha.

STF acolhe tese de abuso 

Ao manter a tramitação da queixa-crime contra Roberto Rocha, os ministros Zanin e Cármen Lúcia acolheram o entendimento de Moraes de que o STF havia  contra concluído pela justa causa para a ação penal contra o ex-senador. E concluíram não haver omissão do acórdão embargado, porque haveria mero inconformismo de Rocha com o desfecho do julgamento.

Prevalecendo, a queixa-crime, Roberto Rocha responderá à acusação do ministro de que, em 10 de agosto de 2022, o então senador teria feito um pronunciamento, “em  ambiente virtual e na ocasião usou-se de forma nitidamente abusiva do seu direito à liberdade de manifestação, prolatando diversas acusações caluniosas e difamatórias em desfavor” de Dino, “de forma a vulnerar intencionalmente sua reputação”.

Ainda segundo a queixa-crime que tramita no STF, as acusações de Roberto Rocha “são graves e não guardam qualquer relação com sua atividade parlamentar”, mesmo com o então senador ter enviado ofício à Presidência do Senado pedindo providências, por não provar qualquer investigação em curso. Dino vê “animus caluniandi”, por Rocha ter imputado ao ministro crimes de “constrangimento ilegal, ameaça e prevaricação”, além de “fatos ofensivos a sua reputação”.

Por Davi Soares


Dino assume no STF investigações contra adversário no Maranhão

Flávio Dino e Carlos Brandão - Imagem: reprodução

Ministro comanda apurações sobre compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado pelo governador Carlos Brandão (SEM PARTIDO) e seus familiares e possível interferência em caso de homicídio

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, é relator de ao menos 4 investigações da Polícia Federal contra o atual governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), e familiares. As apurações citam compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado e possível interferência em julgamento no Superior Tribunal de Justiça em um caso de homicídio. 

Antes de assumir o governo estadual, em 2022, Carlos Brandão foi vice-governador na chapa encabeçada por Dino, de 2015 a 2022. Brandão rompeu politicamente com o grupo em 2024, depois que Dino, já ministro do Supremo, suspendeu em decisão liminar (provisória) a indicação feita pelo atual governador para uma das vagas para o TCE.

Aliados de Brandão afirmam que o ministro tem atuado para favorecer a pré-candidatura de Felipe Camarão (PT), atual vice-governador e adversário de Brandão, para a disputa ao Palácio dos Leões em 2026. O governador apoia a candidatura de seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB), atual secretário de Assuntos Municipalistas. 

Questionado pelo Poder360, o gabinete de Flávio Dino afirmou que o ministro não se manifesta sobre as investigações em andamento e não comenta “assuntos de natureza política”, como determina a Lei Orgânica da Magistratura.

Em 3 de março, Dino requisitou ao gabinete do ministro André Mendonça o acesso às provas colhidas pela operação Sem Desconto contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Aliado de Brandão, o congressista passou a ser investigado por ser suspeito de “tentar cooptar” um ministro do STJ para “garantir a impunidade de pessoas”, segundo dados do processo, no caso do assassinato de João Bosco Pereira, em agosto de 2022, no Tech Office, um prédio comercial em São Luís (MA). 

Nas investigações sobre o homicídio, foi identificado um possível envolvimento de Daniel Brandão, presidente do TCE-MA e sobrinho de Carlos Brandão. Gilson Cesar Soares Curtinum Junior, acusado de ser o matador, foi o único denunciado pelo Ministério Público do Maranhão. Em 11 de setembro de 2024, o Tribunal do Júri condenou apenas Gilson pelo homicídio.  

Agora, as apurações retornam aos casos para averiguar se a presença de Daniel Brandão perto da cena do crime tinha alguma relação direta com o homicídio. O sobrinho do governador foi indicado ao Tribunal de Contas em 2023 e detém prerrogativa de foro privilegiado no STJ.

Em outubro de 2025, a defesa dele apresentou um habeas corpus ao Supremo, indicando uma interferência de Weverton no julgamento da progressão da pena de Gilson, que até então estava em análise no Superior Tribunal de Justiça. O processo subiu para o STF por causa do foro privilegiado do senador e foi designado ao gabinete de Flávio Dino por sorteio. 

O ministro determinou que fosse aberta uma investigação pela Polícia Federal para apurar se há indícios de que o congressista atuou para atrapalhar o processo no STJ. Dino também indicou uma conexão entre as apurações envolvendo Weverton e outro inquérito, também sob sua relatoria, que apura venda de indicação de vagas ao TCE mediante contrapartidas políticas. Um dos investigados é Carlos Brandão. 

A defesa de Brandão nega qualquer irregularidade no processo de indicação ao Tribunal Eleitoral e sustenta que o Supremo não tem competência para analisar as investigações, uma vez que a prerrogativa de foro privilegiado para governadores é do STJ. O grupo do governador também afirma que Dino suspendeu duas indicações para o TCE em ações de inconstitucionalidade sob sua relatoria.

Trata-se de ações que questionam a constitucionalidade do rito de indicação dos conselheiros na Assembleia Legislativa do Maranhão por uma “tramitação secreta”. Em fevereiro de 2024, Dino foi sorteado relator de pedidos da PGR (Procuradoria Geral da República) e do partido Solidariedade contra o modelo de indicação. Em liminar, o ministro suspendeu o processo de indicação.

A liminar chegou a ser submetida ao referendo do plenário, em março de 2024, mas o julgamento foi interrompido com o pedido de vista do ministro Kássio Nunes Marques. Nos autos dessas duas ações, a advogada Clara Alcântara Botelho Machado apresentou um pedido para ser amicus curiae (que significa amigo da corte) no caso, alegando que havia indícios de irregularidades no sistema de indicação – possível venda de indicações para o TCE e nepotismo.

Dino negou o pedido de amicus curiae, uma vez que pessoa física não pode acompanhar os processos nessa condição, mas determinou a abertura de uma investigação sobre o caso. As apurações estão a cargo da Polícia Federal e têm como principais alvos o governador Carlos Brandão e seu sobrinho Daniel.

ELEIÇÕES 

Aliados de Carlos Brandão afirmam que as investigações não têm conexão direta e que o ministro Flávio Dino tem interesses eleitorais no Estado. Segundo o grupo, Dino quer fortalecer a candidatura de Felipe Camarão (PT) para o governo estadual. Camarão é investigado pelo Ministério Público do Estado por lavagem de dinheiro e se mantém no cargo de vice-governador enquanto o Tribunal de Justiça do Maranhão julga um pedido liminar para o seu afastamento da função pública. 

Procurado, o gabinete do ministro Flávio Dino declarou que não se manifestará sobre alegações de cunho político. “A assessoria do ministro Flávio Dino informa que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, é vedado ao magistrado se manifestar ou emitir opinião sobre processos em tramitação e comentar assuntos de natureza política”, declarou.

O Poder360 tentou entrar em contato com o senador Weverton Rocha, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato com o congressista e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada. 

Este jornal digital também procurou a assessoria de comunicação de Carlos Brandão e pediu uma manifestação do governador sobre as investigações da PF. O Poder360 atualizará esta reportagem caso uma manifestação seja enviada.

Por Nino Guimarães


Fontes: blog passandoalimpo / diariodopoder / poder360


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