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terça-feira, 15 de setembro de 2026

"Duas metades de cavalo não fazem um cavalo."

Imagem: reprodução - Machado de Assis e Lima Barreto 


Não basta ser casta e honesta, é também necessário parecer ser. O "ser" não é o essencial; o "parecer" é o indispensável. - Lima Barreto

Tudo aberto

André Mendonça retirou o sigilo de 15 procedimentos ligados ao Banco Master a pedido de Edson Fachin. O presidente do STF também determinou o envio da íntegra dos processos a todos os ministros, que terão acesso ao material antes da sessão extraordinária de terça-feira. (Clique aqui)

Caixa de Pandora

Abrir 15 procedimentos do caso Master pode ser juridicamente salutar e institucionalmente explosivo. São milhares de arquivos. Só o processo principal reúne mais de 500 documentos, sem contar os outros 14 agora abertos. Transparência é indispensável, mas despejar tamanha massa documental na praça pública a poucos dias da eleição dificilmente produzirá apenas esclarecimento. Virão mensagens, nomes, encontros, recortes convenientes e munição para campanhas de todos os lados. Nada como uma crise entre ministros do STF, Polícia Federal, políticos e banqueiros para trazer serenidade à reta final eleitoral.

O Congresso em Foco fará o trabalho menos ruidoso e mais trabalhoso: separar o que é politicamente relevante do que é apenas bisbilhotice. A cobertura estará concentrada nos atores políticos, nas relações de poder, em eventuais ilícitos e nos fatos de interesse público. Conversa privada sem relevância jornalística, mexerico e devassa da intimidade podem render barulho. Não necessariamente notícia.

Abertura de inquérito

Momentos antes da decisão acima, em sabatina no SBT, Lula defendeu a abertura total do inquérito do Banco Master, sem restrições em relação a possíveis investigados. O chefe do Executivo também elogiou a intervenção de Fachin. (Clique aqui)

Defesa da PF

Questionado sobre a disputa em torno da permanência de Andrei Rodrigues na direção da PF, Lula reiterou que mantém a confiança no delegado. (Clique aqui)

Em silêncio

Alexandre de Moraes anunciou e logo depois cancelou pronunciamento que faria ontem, em meio ao agravamento da crise no STF. (Clique aqui)

Clima de dia D

O pronunciamento convocado e depois cancelado por Alexandre de Moraes fez Brasília reviver o "dia D" de Michel Temer em 2017. Entenda. (Clique aqui)

Cautela

Edson Fachin cancelou a sessão extraordinária do STF prevista para ontem. O Plenário se reúne na próxima terça para discutir os impasses jurídicos relacionados às apurações que atingem ministros do Supremo. (Clique aqui)

Com pipoca

Alessandro Vieira quer o Senado reunido no mesmo horário em que o STF julgará os desdobramentos do caso Master. O senador aponta conflito de interesses na crise que envolve a Corte e defende que o Legislativo exerça o papel de fiscalização. (Clique aqui)

Cobra respostas

OAB pediu acesso a investigações que envolvem ministros do STF e defendeu a saída de Paulo Gonet de procedimento relacionado ao caso Master. (Clique aqui)

Mais mulheres

Simone Tebet usou as investigações sobre o Banco Master para defender maior participação feminina na política e nos espaços de poder. Candidata ao Senado afirmou que não há mulheres entre os líderes ou políticos envolvidos no esquema. (Clique aqui)


Dark Horse na mira

PF fez buscas contra Mario Frias em investigação sobre possível uso irregular de recursos públicos no filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A operação foi autorizada por Flávio Dino. (Clique aqui)

Siga o dinheiro

Após a quebra de sigilo da operação, foi possível saber que a PF rastreou uma sequência de transferências que pode ligar recursos de emendas indicadas por Mario Frias à produtora de Dark Horse. (Clique aqui)

Quem é

Galã de Malhação nos anos 1990, secretário de Cultura de Bolsonaro e hoje deputado federal, Mario Frias vem de uma família com nomes conhecidos do esporte, como João Saldanha e Bebeto de Freitas. Conheça a trajetória do parlamentar. (Clique aqui)

Tudo transparente

Alvo da operação, Mario Frias afirmou que a emenda de R$ 2 milhões investigada pela PF foi destinada a projetos esportivos e de letramento digital. Deputado disse que apresentará documentos. (Clique aqui)

Pode revirar

Flávio Bolsonaro voltou a negar irregularidades no financiamento de Dark Horse e atribuiu a operação da PF a uma tentativa de interferência eleitoral. "Não tem um centavo de dinheiro público." (Clique aqui)

Tudo igual

Tecnicamente empatados em eventual segundo turno, Flávio aparece com 46,4% das intenções de voto, contra 46,2% de Lula, em pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. (Clique aqui)

Terceira via?

Augusto Cury afirmou que não apoiaria Lula em eventual segundo turno das eleições de 2026. Com Flávio, o discurso é diferente: Cury admite apoiá-lo se o caso Dark Horse for esclarecido. (Clique aqui)

Recado diplomático

Lula disse que o Brasil não aceitará interferência estrangeira nas eleições de 2026 e que os Estados Unidos serão "derrotados" caso tentem influenciar o processo eleitoral. (Clique aqui)

Por Machado de Assis


REFERÊNCIA: "Duas metades de cavalo não fazem um cavalo." - Trecho retirado do livro "Contos Fluminenses. Obras Completas de Machado de Assis, Vol.20. São Paulo: W. M. Jackson Inc. Ed., 1957."

Fonte: congressoemfoco


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domingo, 23 de agosto de 2026

Deputados propõem sistema para rastrear emendas parlamentares na saúde

Imagem: reprodução


Sistema pretende facilitar o acompanhamento dos recursos sem aumentar a burocracia para gestores.

Os deputados Adriana Ventura (Novo-SP) e Gilson Marques (Novo-SC) apresentaram projeto de lei que cria um sistema nacional para reunir e dar transparência às informações sobre emendas parlamentares destinadas à saúde.

O projeto de lei 5.111/2026 prevê que os dados sejam disponibilizados gratuitamente em uma plataforma pública.

Pela proposta, o Sistema Nacional de Informações sobre Emendas Parlamentares na Saúde deverá concentrar informações sobre todas as modalidades de emendas que destinem recursos federais para ações e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).

A base deverá informar quem apresentou a emenda, o exercício financeiro e os valores destinados, empenhados, liquidados e pagos.

Também deverão aparecer o estado ou município beneficiado, a instituição que recebeu o recurso, o estabelecimento de saúde atendido, quando houver, e a finalidade da verba.

O texto ainda prevê informações sobre a relação da emenda com as metas dos planos de saúde locais, os resultados alcançados, a execução física e financeira e a prestação de contas. Os dados deverão respeitar as regras de proteção de dados pessoais.

Rastreamento do dinheiro

Um dos principais pontos do projeto é a criação de um identificador único para acompanhar cada emenda durante todo o percurso do recurso.

A ferramenta deverá permitir a ligação entre a indicação parlamentar, o empenho, a liquidação, o pagamento, o instrumento de repasse, a execução do objeto e, quando exigida, a prestação de contas.

O sistema seria mantido pela União em articulação com Estados, Distrito Federal e municípios.

A proposta determina ainda que sejam priorizadas bases de dados já existentes, para evitar a duplicação de registros e novas exigências de envio de informações aos gestores.

Auditorias são citadas na justificativa

Ao defender a medida, os autores afirmam que as informações sobre emendas destinadas à saúde atualmente estão espalhadas por diferentes plataformas, o que dificulta acompanhar o dinheiro desde a indicação parlamentar até sua aplicação.

A justificativa cita um relatório do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) que analisou 75 auditorias em 48 municípios de 23 estados, envolvendo aproximadamente R$ 53,3 milhões em emendas.

Segundo o documento mencionado pelos deputados, foram propostas devoluções ou recomposições de cerca de R$ 26 milhões, além de terem sido apontadas falhas de transparência, rastreabilidade e aplicação dos recursos.

Ventura e Marques sustentam que a proposta não altera as regras de execução das emendas nem cria novas obrigações para Estados e municípios, mas busca integrar em uma única plataforma informações que já são registradas em sistemas oficiais.

Caso o projeto seja aprovado e vire lei, o Poder Executivo terá 180 dias para regulamentar o sistema.

Confira a íntegra da matéria.

Fonte: congressoemfoco


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quinta-feira, 12 de março de 2026

Câmara aprova política nacional para alunos com altas habilidades

Imagem: reprodução

Projeto de Soraya Santos prevê identificação, triagem anual e centros de referência, com apoio federal a Estados e municípios que aderirem.

O projeto de lei 1.029/2026, que propõe a criação de uma política nacional voltada a estudantes com altas habilidades ou superdotação, foi aprovado pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (11). A iniciativa busca ampliar a identificação e o atendimento educacional especializado a esse público em todo o país, por meio de adesão voluntária de Estados e municípios. O texto segue agora para análise do Senado.

De autoria da deputada Soraya Santos (PL-RJ), a proposta recebeu parecer favorável do relator, Moses Rodrigues (União-CE). O projeto estabelece diretrizes para identificar precocemente estudantes com esse perfil e prevê a elaboração de planos individualizados de aprendizagem, com participação de pais ou responsáveis, para garantir estratégias pedagógicas adaptadas ao desenvolvimento desses alunos.

Cadastro Nacional

O texto também determina a criação de um cadastro nacional de estudantes com altas habilidades ou superdotação matriculados tanto na educação básica quanto no ensino superior. A medida segue parâmetros já previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e inclui ainda regras para a criação de centros de referência destinados a esse público.

Ao defender a proposta, Soraya Santos destacou que se trata da primeira legislação brasileira dedicada especificamente ao tema.

"Estamos secando lágrimas de mães que não aguentam mais ver seu filho sofrer. Saber vem de sabor. Não vamos mais perder talentos para outros países. Temos de reter isso."

Caso estados e municípios optem por aderir à política, o governo federal poderá oferecer apoio técnico e financeiro às redes de ensino e às escolas públicas para implementação das medidas previstas. Caberá ao Ministério da Educação administrar o cadastro nacional, que reunirá informações obtidas por triagens educacionais, avaliações especializadas e dados de censos escolares da educação básica, do ensino superior e da pós-graduação stricto sensu.

Triagem educadional

A proposta também institui um mecanismo de triagem educacional anual para identificar possíveis estudantes com altas habilidades, diante da baixa detecção registrada nos censos escolares. Essa triagem terá caráter exclusivamente pedagógico e indicativo, sem valor de diagnóstico clínico.

O processo poderá considerar observações de professores e equipes pedagógicas, registros de comportamento e criatividade, análise do histórico escolar e conversas estruturadas com pais e profissionais que acompanham o estudante. Os resultados serão confidenciais e servirão apenas para orientar o planejamento educacional.

Estudantes apontados nessa etapa passarão por um processo de formalização conduzido por equipe multidisciplinar, responsável por avaliar aspectos cognitivos, socioemocionais, neuromotores e sensoriais. A análise também deverá identificar áreas de maior potencial, estilos de aprendizagem e possíveis necessidades de flexibilização curricular.

Nos casos de dupla excepcionalidade, quando a superdotação ocorre junto a alguma deficiência ou neurodivergência, como autismo, o diagnóstico deverá ser realizado por meio de avaliação biopsicossocial ou neuropsicológica, que considere a interação entre essas condições e as barreiras presentes no ambiente escolar e social.

O texto determina que o poder público assegure esse atendimento especializado em prazo adequado e permite que parcerias com instituições privadas sejam firmadas quando a rede pública não tiver capacidade suficiente para realizar as avaliações.

Atendimento educacional especializado

Após a conclusão dessas etapas, os sistemas de ensino poderão garantir atendimento educacional especializado (AEE) aos estudantes identificados. Entre as possibilidades previstas estão aceleração de estudos, agrupamento de alunos com interesses semelhantes e participação em programas de enriquecimento ou aprofundamento curricular. A oferta desse atendimento não dependerá da apresentação de diagnóstico clínico ou de laudos emitidos por profissionais de saúde.

A proposta também autoriza que redes de ensino estabeleçam parcerias com instituições de educação superior para ampliar oportunidades acadêmicas voltadas a estudantes com altas habilidades.

O planejamento educacional individualizado deverá orientar estratégias específicas para cada estudante. Em casos de dupla excepcionalidade, as medidas deverão considerar tanto as altas habilidades quanto as condições associadas, sem que essas sejam utilizadas para negar o reconhecimento da superdotação.

Quanto à progressão escolar, o texto prevê três possibilidades: percurso regular com enriquecimento curricular, aceleração parcial por disciplina ou área do conhecimento ou aceleração integral, com avanço de série ou etapa. Em qualquer situação, a progressão deverá respeitar o ritmo de aprendizagem e desenvolvimento do estudante.

Centro de referência

O projeto também prevê a criação e manutenção de centros de referência em altas habilidades ou superdotação, organizados em cooperação entre União, estados e municípios. Essas unidades deverão contar com equipes multidisciplinares qualificadas para realizar avaliações e oferecer atendimento educacional no turno inverso ao da escolarização.

Os centros deverão dispor de infraestrutura adequada, com espaços como salas de recursos multifuncionais, laboratórios, quadras esportivas, bibliotecas e auditórios.

Além do atendimento educacional, caberá a essas unidades apoiar escolas na identificação precoce de estudantes com altas habilidades, promover formação continuada de professores e gestores, desenvolver materiais pedagógicos e incentivar a participação desses estudantes em olimpíadas científicas, feiras de conhecimento, projetos de iniciação científica e iniciativas de inovação.

Também está prevista a articulação com universidades, centros de pesquisa, instituições culturais e esportivas e organizações da sociedade civil. Em regiões com menor oferta de serviços, os centros poderão atuar de forma itinerante ou utilizar tecnologias de educação a distância para ampliar o alcance das atividades.

Financiamento

Para viabilizar a implementação da política, o projeto indica como fontes de financiamento recursos destinados à educação provenientes do Fundo Social do pré-sal, receitas de loterias de quota fixa (bets) e valores do salário-educação direcionados ao Fundeb. Já investimentos em infraestrutura, como a construção dos centros de referência, poderão contar com recursos públicos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Fonte: congressoemfoco


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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Dos blocos aos líderes: entenda como funciona a hierarquia da Câmara

Imagem: reprodução


Todos os cargos de poder da Câmara são definidos e têm direitos estabelecidos com base no regimento interno.

A Câmara dos Deputados é composta por 513 parlamentares, eleitos para mandatos de quatro anos cada. Essa composição observa distribuição proporcional à população de cada estado, sendo de São Paulo o maior colegiado. Como parte do Legislativo nacional, a Casa é responsável por criar e aprovar leis junto ao Senado, fiscalizar as ações do Executivo e representar os interesses da população.

Os deputados se organizam por meio de lideranças com maior poder hierárquico. Para além das lideranças partidárias, existem líderes de blocos, de bancadas, da maioria e da minoria, que articulam de forma mais próxima com a Mesa Diretora, topo da hierarquia na Casa.

Responsáveis por conduzir a discussão e a votação de propostas, os líderes também orientam o colegiado quanto ao voto. Como representante, é o líder que fala pela bancada no período destinado aos comunicados partidários.

Todos os cargos de poder da Câmara são definidos e têm direitos estabelecidos com base no regimento interno. A escolha é feita, em maioria, por meio de princípios ideológicos e articulação política.

Bloco parlamentar, minoria e maioria

O regimento interno da Casa permite que dois ou mais partidos se juntem em um bloco parlamentar. A decisão é condicionada à eleição de um líder comum. Ao se coligarem em bloco, os líderes partidários perdem suas atribuições e prerrogativas regimentais.

Durante um mandato parlamentar, a criação de blocos pode ocorrer em dois momentos. Em 1º de fevereiro do primeiro e do terceiro ano da legislatura, a intenção deve ser comunicada à Mesa Diretora para que a distribuição de deputados à composição de comissões ocorra de forma proporcional. Esses períodos respeitam à eleição para presidente da Casa.

A partir da formação dos blocos acontece a denominação para maioria da Casa. Como o nome já diz, é a legenda ou composição partidária integrada pelo maior número de representantes. A representação partidária imediatamente inferior à maioria é chamada de minoria, desde que possua posição diferente da maioria em relação ao governo.

A minoria possui uma vaga em cada comissão da Casa independente de razão proporcional. Tanto a maioria quanto a minoria possuem direito de escolher um líder e nove vice-líderes.

Neste mandato, a Câmara possui quatro blocos parlamentares:

  • Bloco União, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e Federação PSDB Cidadania;
  • Bloco Federação Brasil da Esperança - Fé Brasil, composto por PT, PCdoB e PV;
  • Bloco Avante, Solidariedade e PRD; e
  • Bloco Federação Psol e Rede.



Bancadas

Além de alianças políticas, os deputados podem se agrupar em volta de uma busca ideológica. A formação de bancada não está prevista no regimento interno, mas foi acrescida por resoluções. Hoje, existem duas: a bancada negra e a bancada feminina.

A Bancada Negra é constituída de uma coordenação-geral e três vices-coordenadorias. Ela foi instituída na Resolução 6/2023. Pela inclusão no regimento, a bancada possui direito à participação na reunião de líderes da Câmara.

Hoje, o colegiado possui 135 membros e está sob coordenação da deputada Benedita da Silva (PT-RJ).

Já a Bancada Feminina foi estabelecida a partir da Resolução 31/2013, junto com a criação da Secretaria da Mulher. A estrutura une as funções da Procuradoria da Mulher e da Coordenadoria dos Direitos da Mulher. O colegiado também possui voto e voz na reunião de líderes.

Com 89 membros, a bancada é coordenada por Jack Rocha (PT-ES).

Mesa Diretora

Os deputados são submetidos à organização e administração da Mesa Diretora. O colegiado, topo da hierarquia parlamentar na Casa, é composto por sete membros oficiais e quatro suplentes.

Para comandar a Câmara, o mandato é de dois anos e precedido por eleição realizada na primeira quinzena do mês de fevereiro de cada primeiro e terceiro ano legislativo. O processo eleitoral respeita disposições da Resolução 17/1989.

Na Mesa, os cargos também respeitam representação proporcional dos partidos e blocos parlamentares, que indicam candidatos às vagas. Cada legenda pode escolher seu meio de escolha para representantes. À minoria, é também garantida um cargo.




Fonte: congressoemfoco



sábado, 3 de janeiro de 2026

Nepobabies eleitos: os filhos e netos da política brasileira

A força das dinastias políticas: herdeiros ganham espaço e redes familiares
continuam decisivas nas eleições. Arte Congresso em Foco - Imagem: reprodução


Heranças políticas moldam disputas de 2026 e revelam como dinastias familiares seguem determinando o acesso ao poder no Brasil contemporâneo.

Quando o termo "nepobaby" explodiu nas redes sociais em meados de 2022, surgido originalmente no universo do entretenimento norte-americano para definir celebridades que alcançam projeção por serem filhas ou filhos de famosos, ainda havia quem acreditasse que o conceito se limitava ao show business.

Foi o jornal New York Magazine que popularizou o vocábulo, transformando-o em fenômeno digital. Desde então, a palavra entrou para o debate público global como símbolo de uma nova forma de compreender privilégios herdados, uma sociologia da celebridade aplicada à lógica do pertencimento familiar.

Se no show business a polêmica é nova, no Brasil ela tem raízes históricas profundas. Muito antes de parlamentos, democracia ou partidos, estruturas de poder ligadas a famílias dominantes já definiam quem governava localidades inteiras, um traço que migrou do sistema colonial e foi reconfigurado ao longo do Império, da República Velha e da era dos coronéis.

Hoje, nomes como Sarney, Calheiros e Barbalho são exemplos de famílias que, ao longo de décadas, repetiram sucessões de mandatos e mantiveram presença significativa no Congresso e nas esferas executivas, tanto estaduais quanto municipais. A tradição de clãs políticos fortes em quase todas as regiões do país mostra como, do século XIX ao XXI, a influência familiar continuou operando como forma persistente de acesso ao poder.

Segundo especialistas, isso não é uma coincidência histórica, mas parte de uma estrutura de origem colonial que nunca foi de fato desfeita.

A herança de capital no Congresso

Dados recentes ajudam a dimensionar o tamanho desse fenômeno no topo da política nacional. Um levantamento do cientista político Robson Carvalho, doutor pela Universidade de Brasília (UnB), mostra que cerca de 2/3 dos senadores eleitos entre 1986 e 2022 contaram, de alguma forma, com capital político familiar para chegar ao mandato. O estudo "A dimensão do capital político-familiar no Senado e os prejuízos à representação democrática (1986-2022)" identificou tanto casos de transmissão direta de influência eleitoral quanto trajetórias ancoradas em vínculos com pais, avós, cônjuges ou filhos que já exerceram cargos públicos.

"A pessoa herda não só o nome da família, mas também redes de apoio, contatos, recursos e a capacidade de acessar estruturas de poder que não estão disponíveis para qualquer cidadão", afirmou Carvalho.

Em entrevista ao Congresso em Foco, ele explicou que essa dinâmica produz vantagem desigual na competição eleitoral, uma vez que o herdeiro político tende a largar na frente, tanto em visibilidade quanto em estrutura.

Para ele, essa reprodução do poder não se dá apenas por herança simbólica, mas também por mecanismos contemporâneos, como controle partidário, distribuição de emendas parlamentares e influência sobre governos municipais.

"Quando alguém exerce um mandato, usa esse espaço para gerar outros mandatos dentro da própria família."

O mecanismo

Para além dos casos mais visíveis, o cientista político Robson Carvalho afirmou que o funcionamento das dinastias políticas brasileiras depende de engrenagens pouco aparentes ao eleitor comum. Segundo ele, muitos parlamentares tratam seus gabinetes "como se fossem as cozinhas de suas casas", confundindo o público e o privado e transformando estruturas institucionais em instrumentos a serviço da própria família.

De acordo com o pesquisador, esse modo de operar atravessa partidos, governos e gerações. A influência não se limita ao sobrenome: envolve o controle de cargos, verbas, emendas, tempo de TV e alianças partidárias.

"Você tem políticos que, ao longo do tempo, já criaram uma sincronia, um cordialismo entre si. Eles liberam partido em um estado, recebem apoio em outro, formam coligações a partir de interesses mútuos", explicou.

Esse arranjo, afirmou, acaba beneficiando quem já está no topo, e especialmente suas famílias. Carvalho observou ainda que o poder se reproduz em camadas simbólicas. Em muitos municípios, o nome de uma mesma família aparece em praças, ruas, escolas, hospitais. Isso cria, segundo ele, "uma espécie de percepção inconsciente de que aquela família é natural ao poder", um efeito que amplia a vantagem dos herdeiros mesmo antes do início da campanha.


Quando o capital político já nasce em casa: famílias transformam estruturas
públicas em herança eleitoral Arte Congresso em Foco - Imagem: reprodução

Ele também destacou que partidos políticos, frequentemente concentrados nas mãos de poucos dirigentes, funcionam como filtros que decidem quem terá acesso à disputa real. "Tem partido que é controlado por um CPF", afirmou, ao descrever legendas em que as decisões estratégicas, inclusive a escolha de candidatos, são monopolizadas por um líder ou grupo familiar. Nesse ambiente, a competição eleitoral deixa de ser aberta e passa a ser mediada por interesses privados.

O resultado, concluiu Robson, é uma renovação apenas aparente.

"Você olha e pensa que entrou alguém novo, mas é só o filho, o neto ou o sobrinho de quem já estava lá. O grupo político permanece o mesmo, só muda a geração."

Para ele, esse padrão ajuda a explicar por que herdeiros seguem avançando em 2026.

"Essa máquina nunca para. Entre uma eleição e outra, você tem prefeitos, governadores e parlamentares que foram eleitos graças a determinado grupo familiar. E esse apoio volta depois, garantindo novas cadeiras para a mesma família".

Do Norte ao Sul

O cenário das eleições de 2026 confirma um movimento já conhecido do eleitorado brasileiro: a presença crescente de herdeiros políticos disputando espaços de poder. De Norte a Sul, partidos têm apostado em nomes ligados a famílias tradicionais, alguns com décadas de atuação, outros que se consolidaram mais recentemente, para manter influência em seus redutos e ampliar força em Brasília.

No Norte, a família Barbalho se prepara para mais uma disputa majoritária, mantendo a tradição de influência que já atravessa gerações no Pará.


A rede Barbalho mantém fortes raízes no norte brasileiro.
Arte Congresso em Foco - Imagem: reprodução

Já no Centro-Oeste, grupos tradicionais como os Caiado articulam a possível entrada de Ronaldo no Planalto. Na capital do país, o movimento também se intensifica. Em Brasília, por exemplo, filhos e netos de figuras como Ibaneis Rocha, Luiz Estevão, Paulo Octávio e Joaquim Roriz já se filiaram a partidos e ocupam posições de visibilidade, preparando terreno para disputas em 2026.


A árvore mais antiga da política goiana, sobrevivendo de impérios a repúblicas.
Arte Congresso em Foco - Imagem: reprodução

No Nordeste, famílias como os Calheiros e os Lira continuam exercendo forte influência e movendo peças estratégicas para manter presença no Congresso e nos governos estaduais.


Irmãos e aliados que estendem a influência do clã por todo o estado alagoano.
Arte Congresso em Foco - Imagem: reprodução


Arthur Lira: a ramificação que ganhou força própria e passou a controlar as
engrenagens da Câmara. Arte Congresso em Foco - Imagem: reprodução

Em Pernambuco, o clã Arraes/Campos volta a ganhar protagonismo com os irmãos João e Pedro Campos, que ampliam o alcance político construído por Eduardo Campos e Miguel Arraes, e despontam como peças-chave nas articulações do PSB para 2026.



Miguel Arraes: o alicerce que plantou a influência da família no solo pernambucano.
Arte Congresso em Foco - Imagem: reprodução


Na ponta Sul do país, a movimentação envolve Carlos Bolsonaro, que tenta sua primeira projeção nacional após mais de duas décadas na Câmara de Vereadores do Rio. Pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, ele busca transformar o capital político acumulado no núcleo duro do bolsonarismo em alcance regional, apostando na identificação do eleitorado conservador catarinense com a família.


Jair Bolsonaro foi o marco zero de uma nova e rápida floresta política.
Arte Congresso em Foco - Imagem: reprodução

Embora o discurso da renovação apareça nas campanhas, boa parte das apostas estratégicas recai sobre figuras que carregam sobrenomes conhecidos e redes consolidadas. Em comum, esses casos ilustram o diagnóstico de Robson Carvalho.

"A renovação existe no discurso, mas não na prática. Quando o filho substitui o pai, ou o neto sucede o avô, o grupo político permanece o mesmo."

O clã Bolsonaro

Se algumas dinastias brasileiras têm raízes centenárias, outros grupos familiares ascenderam recentemente, impulsionados pela polarização política das últimas décadas. O caso mais emblemático é o da família Bolsonaro, cujo núcleo se consolidou como um dos principais polos da direita nacional.

Jair Messias Bolsonaro iniciou sua carreira política em 1989, eleito vereador no Rio de Janeiro. Àquela altura, seus 3 filhos mais velhos, Flávio, Carlos e Eduardo, eram crianças, ainda distantes da vida pública. Mas, sem que soubessem, aquele seria o ponto de partida para uma trajetória que, em pouco mais de 30 anos, formaria um dos maiores grupos familiares atuantes na política brasileira contemporânea.

Hoje, Flávio Bolsonaro soma mandatos como deputado estadual e senador. Eduardo acumula três mandatos como deputado federal por São Paulo. Juntos, os dois já exerceram seis mandatos no Congresso Nacional, e ambos seguem como peças relevantes nas articulações para 2026.


A ascensão da família Bolsonaro ilustra como novas dinastias se formaram
na política recente. Arte Congresso em Foco - Imagem: reprodução

No caso de Flávio, o cenário ganhou novo peso após o anúncio de sua pré-candidatura à Presidência da República, movimento que altera as estratégias da direita e reposiciona o PL no jogo eleitoral nacional. Sua entrada na disputa presidencial não apenas reconfigura a corrida da direita, como também pode impactar possíveis candidaturas ao Senado em estados onde o bolsonarismo é competitivo.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, vive um momento de indefinição. Morando nos Estados Unidos desde fevereiro, ele corre o risco de não disputar as eleições caso a permanência internacional comprometa sua atuação eleitoral ou, em cenário extremo, dependendo do desfecho de processos judiciais que podem afetar sua elegibilidade.

Já Carlos Bolsonaro, vereador há 21 anos no Rio, prepara seu primeiro salto para o cenário nacional, conforme mencionado acima.

O avanço da família pode ir além dos três filhos políticos. Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, figura entre os nomes mais bem avaliados do PL e aparece competitiva em pesquisas recentes, como a Datafolha de 6 de dezembro de 2025, que a aponta entre os presidenciáveis com maior intenção de voto.

Embora seu nome circule principalmente para cargos executivos, não se descarta que o partido a convide para disputar uma vaga no Congresso, sobretudo se Flávio consolidar sua candidatura ao Planalto.

Fonte: congressoemfoco