sábado, 28 de março de 2026

Guaraná Jesus completa 99 anos com campanha “Nosso rosa tem história, sabor e tradição”

Imagem: reprodução / divulgação

Em seus 99 anos, a marca maranhense celebra a cor que virou símbolo cultural do Maranhão “pintando” a cidade de São Luís de rosa, com diversas ativações em LED pela cidade

Poucas marcas conseguem atravessar gerações e continuar tão presentes na vida das pessoas. No dia 10 de março de 2026, o Guaraná Jesus, patrimônio cultural do Maranhão, completou 99 anos e para celebrar essa essa trajetória, durante todo o mês, a marca tem convidado a cidade de São Luís a sentir, mais uma vez, o sabor do seu rosa. Para marcar o aniversário, a Solar Coca-Cola, fabricante do Sistema Coca-Cola responsável por produzir a bebida, lançou a campanha “Nosso rosa tem história, sabor e tradição”, que reforça a relação entre o refrigerante e o Maranhão. O conceito celebra justamente aquilo que tornou o Guaraná Jesus tão reconhecido: sua cor única, seu sabor característico e a tradição construída ao longo de décadas.

As comemorações estão acontecendo ao longo de março e também ganharam as ruas de São Luís. Como parte das ativações da campanha, um circuito de 12 painéis de LED espalhados por diferentes pontos da capital destaca o rosa da marca, incluindo um painel 3D, convidando o público a participar da celebração.

A campanha também se expande para o ambiente digital (@guaranajesus no Instagram), com conteúdos que exploram e ampliam o conceito nas redes sociais da marca. A iniciativa conta ainda com a colaboração de influenciadores maranhenses, que ajudam a compartilhar diferentes histórias e conexões com o nosso rosa com a sua própria linguagem.


Imagem: reprodução / divulgação

"O Guaraná Jesus consolidou-se como patrimônio cultural e emocional indispensável para o Maranhão. E temos o orgulho de levar essa tradição a novos patamares, respeitando a essência de uma marca que é símbolo de identidade e orgulho regional. Aos 99 anos, o Guaraná Jesus segue escrevendo sua história com o mesmo sabor que conquistou gerações e com um rosa que continua sendo reconhecido e celebrado por quem carrega o Maranhão no coração”, destaca Patrícia Ávila, gerente de Marketing da Solar Coca-Cola.

São Luís vestida de rosa

Símbolo afetivo e cultural do estado, o refrigerante se tornou parte da identidade local ao longo de quase um século de história. Presente em encontros de família, festas populares e na rotina dos maranhenses, o Guaraná Jesus ultrapassou o status de bebida para se consolidar como um verdadeiro ícone da cultura maranhense. Nada melhor que celebrar essa conexão trazendo o rosa da bebida para as ruas de São Luís. A marca espalhou uma rota de 14 painéis de LED que transformou a paisagem urbana em uma homenagem à sua cor icônica.

A ideia foi criar um circuito visual que reforçasse a presença da marca no cotidiano dos maranhenses. As ativações seguem até o final do mês, ativas entre 19h e 20h, quando o circuito de LED passa a exibir conteúdos dedicados exclusivamente ao Guaraná Jesus, destacando o rosa que se tornou um dos principais símbolos de identificação da marca.



Além da estética, as mensagens apostam em uma linguagem sensorial e provocativa, que convida o público a acessar memórias e sensações associadas ao refrigerante. Frases como “Deu sede aí?”, “Eu nem precisei dizer nada para você já sentir o sabor” e “Só de olhar deu pra lembrar do cheiro, do sabor, da história” reforçam a conexão afetiva construída ao longo das décadas.

Outras peças também evocam o vínculo cultural construído pela marca ao longo de sua história, como “Por aqui o rosa é até patrimônio”, reforçando a relação do refrigerante com a identidade e a memória afetiva dos maranhenses. A campanha é assinada pela agência maranhense Maximize.

“Ao levar o rosa da marca para diferentes pontos da cidade, queremos transformar a própria paisagem de São Luís em cenário de celebração para um refrigerante que atravessa gerações e permanece presente na memória afetiva dos maranhenses”, conclui a gerente de Marketing da Solar Coca-Cola.

Sobre a Solar Coca-Cola — A Solar é uma das maiores fabricantes do mundo do Sistema Coca-Cola e conta com 13 fábricas espalhadas pelo Brasil. Com cerca de 120 centros de distribuição, entre próprios e terceirizados, a empresa atua em cerca de 70% do território brasileiro, operando nas regiões Norte, Nordeste e em parte do Centro-Oeste. A Solar conta com mais de 19 mil colaboradores e é responsável pela produção e distribuição para cerca de 380 mil pontos de venda, impactando positivamente mais de 80 milhões de brasileiros.

Fonte:  FSB / Alice Araújo


Do Oscar ao streaming: 'Um Zé Ninguém Contra Putin' e 'A Voz de Hind Rajab' chegaram ao Filmelier+ na quinta feira (26)

Imagem: reprodução

Documentário vencedor do Oscar e o aclamado concorrente ao prêmio de Melhor Filme pela Tunísia reforçam o catálogo com histórias urgentes sobre resistência e humanidade em países em guerra

O Filmelier+, canal de streaming da SOFA DGTL, ampliaram sua programação com a chegada de dois títulos exclusivos e de grande repercussão mundial na quinta, 26 de março: o vencedor do Oscar® e do BAFTA de Melhor Documentário “Um Zé Ninguém Contra Putin” (“Mr. Nobody Against Putin”) e o longa tunisiano “A Voz de Hind Rajab” (“The Voice of Hind Rajab”), vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza e indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

Dirigido por David Borenstein e Pavel Talankin, “Um Zé Ninguém Contra Putin” chega ao canal após uma trajetória consagrada em festivais e premiações, acumulando 14 prêmios. Além do Oscar, o filme recebeu o BAFTA de Melhor Documentário e o Prêmio Especial do Júri no Sundance Film Festival.


David Borenstein - Foto: reprodução

Pavel Talankin - Foto: reprodução

No longa, Pavel - um carismático professor do ensino primário na Rússia - decide registrar a transformação de sua escola após a invasão da Ucrânia. Conhecido por criar um ambiente acolhedor para seus alunos, ele vê o espaço escolar se tornar instrumento de propaganda estatal, com a crescente militarização, o fortalecimento do nacionalismo e o recrutamento de jovens para a guerra.

“A Voz de Hind Rajab”, dirigido por Kaouther Ben Hania e baseado em fatos reais, retrata a tentativa desesperada de salvar uma menina de seis anos presa em um carro que foi alvejado por tiros das forças israelenses na Cidade de Gaza, em plena Guerra. Utilizando os áudios originais da ligação de emergência feita pela criança, a narrativa reconstrói o trabalho dos voluntários do Crescente Vermelho, que buscam  manter contato com a menina ao mesmo tempo em que tentam enviar o resgate para a zona de conflito. 





O longa também teve forte repercussão internacional, recebendo mais de 15 prêmios, com destaque para o Leão de Prata – Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza 2025, além de indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA. Este é o terceiro trabalho de Ben Hania a disputar o Oscar®, consolidando sua trajetória no circuito global.

Sobre o Filmelier+

O Filmelier+ é o streaming da SOFA DGTL, disponível por R$ 14,90 ao mês no Prime Video. Para melhorar a experiência de quem busca assistir filmes online, a curadoria do canal por assinatura tem o objetivo de reunir joias do cinema mundial, obras que são mais do que entretenimento - são experiências, memórias e conexões. O streaming nasce da experiência de quase 10 anos do Filmelier.com, site especializado no universo do cinema com 3 milhões de usuários únicos mensais na América Latina. Além disso, a marca tem quatro canais FAST (Free Ad-Supported Television): Filmelier TV, Filmelier TV Esperança,  Filmelier TV Paixão e o Filmelier TV Vida Real, disponíveis via Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku e Só Play.

Sobre a SOFA DGTL

A SOFA DGTL é uma agregadora de conteúdo premium  que tem como missão conectar histórias a pessoas, ajudando o consumidor a encontrar o conteúdo certo para o seu perfil. Por meio do serviço de recomendação, Filmelier.com, com mais 17 milhões de usuários em 2024, a SOFA DGTL obtém amplo conhecimento da audiência e consegue definir a melhor estratégia para aquisição e monetização de filmes. A empresa comercializa o melhor do cinema em mais de 30 plataformas na América Latina nas modalidades Transacional – TVOD (aluguel e compra), Assinatura –SVOD e por Publicidade – AVOD, com mais de 400 milhões de horas assistidas nesse segmento.

Fonte: Atomicalab João Vitor Braga


“Um Zé Ninguém Contra Putin”


O BRASIL TINHA A SOLUÇÃO! Jovem de 25 anos consegue autorização para eutanásia na Espanha após dois anos de disputa com o pai

Noelia Castillo Ramos, de 25 anos, morreu na quinta-feira, 26, após ser submetida
à eutanásia  Foto: Reprodução - Antena 3


Noelia Castillo Ramos tentou suicídio após ser vítima de estupro coletivo, o que causou lesão medular que resultou em paraplegia; família era contrária à eutanásia e levou disputa à Justiça.

A jovem espanhola Noelia Castillo Ramos, de 25 anos, morreu na quinta-feira, 26, após ser submetida à eutanásia em Barcelona, na Espanha. O procedimento foi realizado por meio de sedação intravenosa, segundo o jornal El Mundo, após uma disputa judicial que se estendeu por quase dois anos.

Noelia havia solicitado a autorização para o procedimento em abril de 2024 à Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha, que aprovou o pedido três meses depois. A decisão, no entanto, foi contestada pelo pai da jovem, Gerónimo Castillo, que recorreu à Justiça e deu início a um longo embate judicial. A família era contrária à eutanásia.

O caso percorreu diversas instâncias do Judiciário espanhol, passando por tribunais administrativos, pelo Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, pelo Supremo e pelo Tribunal Constitucional. A autorização final só foi confirmada após decisões favoráveis à jovem e a rejeição de um último recurso no Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

Noelia Castillo Ramos, de 25 anos, morreu na quinta-feira, 26, após ser submetida à eutanásia

O pai ainda tentou impedir a realização do procedimento, mas o pedido foi negado pela Vara de Instrução do Tribunal de Primeira Instância de Barcelona, de acordo com o El Mundo. Com isso, a eutanásia foi realizada.

Noelia vivia com uma lesão medular grave e 'irreversível', que resultou em paraplegia e dores neuropáticas crônicas. A condição foi consequência de uma tentativa de suicídio após ela ter sido vítima de estupro coletivo. A jovem permaneceu por um período em um centro socioassistencial, onde tentou suicídio outras vezes.

A jovem apresentava um quadro clínico irreversível, com “dependência grave, dor e sofrimento crônico e incapacitante”, atendendo aos critérios estabelecidos pela legislação espanhola, que descriminalizou a eutanásia em 2021.

Ao longo do processo, Noelia defendeu o direito de decidir sobre o próprio fim de vida. “Todos os dias são horríveis e dolorosos”, afirmou durante audiência. Em entrevista ao programa Y ahora Sonsoles, da Antena 3, disse: “Vamos ver se consigo descansar, porque não aguento mais essa família, não aguento mais as dores, não aguento mais tudo o que me atormenta na cabeça por causa do que vivi”.

Antes do procedimento, Noelia também expressou o desejo de não ter acompanhantes no momento final. “Não quero ninguém presente, não quero que me vejam fechando os olhos”, disse.

Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

NOTA DA REDAÇÃO: Suicídios são um problema de saúde pública. Antes, o Estadão, assim como boa parte da mídia profissional, evitava publicar reportagens sobre o tema pelo receio de que isso servisse de incentivo. Mas, diante da alta de mortes e tentativas de suicídio nos últimos anos, inclusive de crianças e adolescentes, o Estadão passa a discutir mais o assunto. Segundo especialistas, é preciso colocar a pauta em debate, mas de modo cuidadoso, para auxiliar na prevenção. O trabalho jornalístico sobre suicídios pode oferecer esperança a pessoas em risco, assim como para suas famílias, além de reduzir estigmas e inspirar diálogos abertos e positivos. O Estadão segue as recomendações de manuais e especialistas ao relatar os casos e as explicações para o fenômeno.

Fonte: ESTADÃO


Leia também:


Municípios podem deixar de acessar R$ 124 bilhões da saúde por falhas na gestão, alerta especialista

Imagem: reprodução

A liberação de recursos extraordinários para o SUS, prevista na Portaria GM/MS nº 10.169/2025 do Ministério da Saúde do Brasil, abriu uma janela de financiamento relevante para estados e municípios, mas também expôs um problema recorrente: a dificuldade de acessar e executar esses valores dentro do prazo.

A medida permite o repasse de recursos para custeio da Atenção Primária e da Média e Alta Complexidade, com potencial estimado em cerca de R$ 124 bilhões. O prazo para cadastro das propostas vai até 31 de março.

De acordo com Erico Vasconcelos, que atua com gestão de saúde pública há mais de 25 anos, tendo participado ativamente na elaboração de políticas para a Atenção Básica, parte significativa desses recursos pode não chegar à ponta. “Não é falta de dinheiro. O Brasil tem recursos disponíveis, mas muitos municípios enfrentam dificuldade para interpretar as regras, estruturar propostas e executar dentro do prazo”, afirma o especialista, atualmente CEO da UniverSaúde.

Na prática, o acesso aos valores exige regularidade nos instrumentos de gestão, domínio técnico da portaria e capacidade operacional para organizar dados e planejar a aplicação. “Existe um descompasso entre a velocidade das políticas públicas e a capacidade de resposta dos municípios. Isso faz com que oportunidades importantes acabem subutilizadas”, diz o executivo, com larga experiência no Ministério da Saúde e em secretarias municipais de saúde.

Os recursos estão direcionados a áreas críticas, como atenção básica, doenças crônicas e serviços especializados. Ainda assim, falhas de gestão podem limitar o impacto real desses investimentos. “O risco é que parte desse volume bilionário não se converta em melhoria efetiva no atendimento à população. Sem execução qualificada, o recurso não vira resultado”, completa Vasconcelos.

Sobre Erico Vasconcelos e a UniverSaúde

Erico Vasconcelos é fundador da UniverSaúde e especialista em gestão do financiamento público da saúde. Atuou no Ministério da Saúde do Brasil, onde participou da elaboração de políticas para a Atenção Básica e apoiou gestores municipais em todo o país.

A UniverSaúde é uma empresa que atua para apoiar players da área da saúde na conquista da excelência de gestão e sustentabilidade financeira, a partir de tecnologia e metodologia próprias, comprovadamente eficazes. A empresa já atuou em mais de 90 municípios de 16 estados em todas as regiões do Brasil, proporcionando importantes melhorias para a gestão da saúde.

Fonte: Press à Porter / Felipe Rariz


Rede social, selfies e milhas aéreas na partilha? Novo Código Civil delimita herança digital

Imagem: reprodução


Depois que uma pessoa morre, o que acontece com seu patrimônio digital? Quem fica com os perfis nas redes sociais, os arquivos em nuvem, as contas de games, as milhas aéreas, os créditos em aplicativos, as moedas virtuais e até mesmo as fotos, os textos e as conversas guardadas no computador e no celular?

Não existem leis que disciplinem a questão no Brasil. Cada família resolve o problema à sua maneira, no improviso. Mesmo quando o caso é levado à Justiça, os juízes emitem decisões conflitantes.

A advogada e professora Ana Carolina Brochado Teixeira, organizadora do livro Herança Digital: controvérsias e alternativas, afirma:

— Um canal no YouTube com milhões de seguidores pode valer mais que uma casa, um apartamento. Embora o mundo digital ocupe uma grande parte das nossas vidas, as leis do direito das sucessões não acompanharam essa nova realidade.

Para preencher a lacuna na legislação e dar segurança às pessoas, o Senado estuda um projeto de reforma do Código Civil que, entre outras novidades, reconhece e normatiza a herança digital (PL 4/2025).

O caso da cantora Marília Mendonça é ilustrativo da dimensão que o patrimônio digital pós-morte pode ter. Ela morreu em 2021, e seu perfil no Instagram passou a ser administrado pela família, que o mantém atualizado com vídeos e fotos da artista. Marília Mendonça tem hoje nada menos que 39 milhões de seguidores. Como comparação, a também cantora Ivete Sangalo contabiliza 37 milhões.

O projeto de lei em análise no Senado se preocupa não apenas com a herança digital e quem a receberá, mas também com a intimidade e a privacidade do falecido — direitos fundamentais garantidos pela Constituição.

Em razão desses direitos, nem tudo é herdável. A parte do patrimônio que se referir à vida privada da pessoa que morreu, de acordo com o projeto, não poderá ser acessada pelos herdeiros. É o caso de fotos, vídeos, áudios, mensagens e textos, por exemplo, que não entrarão no inventário.

Dessa maneira, também ficarão protegidas a intimidade e a privacidade de terceiros que eventualmente aparecerem no material digital deixado pelo falecido.

O que poderá ser transmitido aos sucessores será a parcela do patrimônio que tiver valor econômico, o que inclusive exigirá o pagamento do imposto sobre heranças. É o caso de milhas aéreas, criptoativos e perfis monetizados nas redes sociais (com grande número de seguidores e, por isso, com publicidade de produtos e serviços).

Mesmo nos perfis monetizados que passam para o controle dos herdeiros, o acesso às mensagens de caráter privado fica proibido.

A advogada e professora Patrícia Corrêa Sanches, presidente da Comissão de Tecnologia do Instituto Brasileiro de Direito das Família e Sucessões (IBDFAM), diz que a criação de regras legais para o patrimônio digital é necessária não apenas nos casos de morte, mas também nos de divórcio. Ela acrescenta:

— A sociedade se tornou tecnológica e surgiu uma gama de bens digitais que não existiam. As pessoas investem em criptoativos, jogos eletrônicos e perfis nas redes sociais, que podem acumular seguidores e likes e se tornar valiosos. É necessário que a legislação agora diga quais são esses bens e como lidar com eles. Existem profissionais do direito que, por desconhecê-los, não sabem como proceder no inventário ou na partilha para o divórcio. As próprias empresas de tecnologia que abrigam o patrimônio digital adotam regras variadas.

A ausência de legislação criou um cenário de confusão judicial. Enquanto uma parte dos juízes vem liberando para os herdeiros apenas o patrimônio com valor econômico, outra parte tem concedido acesso irrestrito aos ativos digitais do falecido, inclusive os de caráter privado e íntimo.

Diante desse cenário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu no fim do ano passado um precedente importante. No julgamento de um caso envolvendo as vítimas de um acidente de helicóptero em 2016, levado ao STJ depois que a Apple se negou a liberar o acesso dos inventariantes aos celulares dos falecidos, uma das turmas do tribunal decidiu praticamente o mesmo que determina o projeto de atualização do Código Civil: apenas os ativos digitais com valor econômico podem ser liberados.

A relatora do caso no STJ, ministra Nancy Andrighi, determinou que, enquanto o Congresso Nacional não aprovar uma lei sobre o tema, as famílias precisarão abrir uma ação judicial para a herança digital, anexada ao processo do inventário tradicional. Caberá a um profissional especializado — o inventariante digital — separar os ativos entre os que têm valor econômico e os que se referem à vida privada.

Tendo valor monetário ou não, o perfil de uma pessoa que morreu jamais será apropriado pela empresa que administra a plataforma, segundo o projeto de reforma do Código Civil. A exclusão definitiva da conta ou a transformação em memorial (o perfil permanece no ar, como uma espécie de álbum de memórias, mas sem ser atualizado) poderá ser manifestada pelo próprio usuário em vida ou solicitada pelos sucessores legais. Caso não haja herdeiros, a big tech precisará apagar o perfil.

A proposta abre uma única exceção para o acesso a bens digitais de caráter íntimo: por determinação da Justiça, e sempre de forma justificada.

A advogada Ana Carolina Teixeira afirma que o ideal é que as pessoas manifestem em vida seu desejo:

— O próprio usuário pode ter controle da situação por meio de um planejamento sucessório, informando em testamento que quer que os familiares tenham acesso às fotos ou a determinados aplicativos, deixando, para isso, as senhas.

De acordo com ela, o testamento é importante até mesmo para que a família resgate investimentos dos quais poderia nunca ser tomar conhecimento caso não constassem do documento sucessório.

— No caso dos bens tradicionais, como imóveis e contas bancárias, é difícil que algo passe despercebido pelos herdeiros, já que os sistemas são interligados e a Receita Federal cruza informações. No caso de criptoativos e outros bens digitais, a situação é diferente. Nem sempre existem corretoras envolvidas e muitas vezes só o titular tem acesso. Por isso, é fundamental que fique claro no testamento quais dados e perfis a pessoa deseja transmitir como legado.

Um dos pilares do sistema jurídico brasileiro, o Código Civil é responsável por organizar as regras das relações privadas — desde contratos e propriedade até divórcio e herança. A lei atual foi criada em 2002, momento em que a internet ainda era rudimentar e privilégio de poucos e os smartphones nem sequer existiam.

Desde então, o Código passou por ajustes pontuais, mas boa parte dele ainda reflete a realidade social da virada do milênio, em descompasso com os novos tempos e as questões impostas pela sociedade digital.

Para enfrentar a defasagem, uma comissão de juristas foi criada em 2023 pelo então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para redigir uma minuta de reforma do Código Civil. O grupo fez audiências públicas em diferentes partes do Brasil para ouvir as sugestões de especialistas e organizações de sociedade civil.

O projeto de lei decorrente da minuta foi apresentado no Senado por Pacheco e agora está em discussão numa comissão temporária dedicada exclusivamente ao tema. O relator é o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

Os artigos referentes à herança digital fazem parte de um capítulo (ou “livro”, no jargão jurídico) dedicado exclusivamente ao direito digital, que não existe no Código Civil atual.

Prevendo que a tecnologia continuará avançando e ocupará um espaço ainda maior na vida das pessoas, o novo capítulo proposto também cria os chamados neurodireitos. Trata-se de um conjunto de direitos voltados a proteger a mente humana das neurotecnologias, como implantes cerebrais, que poderiam ler e até mesmo manipular o pensamento.

Atualmente, os implantes estão restritos a pesquisas médicas. Os chips cerebrais podem, por exemplo, interpretar os sinais neurais da pessoa com paralisia e permitir que ela comande um computador ou um membro artificial por meio do pensamento. Podem, ainda, enviar sinais elétricos ao cérebro da pessoa epiléptica de modo a bloquear os impulsos anormais e impedir as convulsões.

O advogado Ricardo Campos, professor da Universidade de Frankfurt e integrante da comissão de juristas que propôs a reforma do Código Civil, afirma que o problema surgirá quando esses dispositivos saírem da esfera médica e ganharem a capacidade de recolher e processar os dados mentais dos pacientes.

— A próxima fronteira da economia digital é o cérebro humano. Se antes o foco estava nas redes sociais e na extração de dados para publicidade, agora está migrando para as informações neurais. Os neurodireitos antecipam proteções contra a intromissão tecnológica no cérebro, que é uma base de dados mais valiosa que a gerada pelas redes sociais, já que armazena o conhecimento e a experiência da pessoa, além de informações a respeito de terceiros. É preciso impedir que o nosso patrimônio cognitivo seja usado de maneira indevida.

A adoção das neurotecnologias pelas big techs já se desenha no horizonte. O empresário Elon Musk, dono da rede social X (antigo Twitter), aposta nesse ramo. Ele também é proprietário da Neuralink, empresa de chips cerebrais que, até o momento, implantou dispositivos com fins médicos em 12 voluntários.

Os neurodireitos seriam uma nova geração de direitos humanos. No projeto de modernização do Código Civil, eles estabelecem, por exemplo, que a pessoa não poderá ser coagida a utilizar a neurotecnologia. Quando decidir usá-la, com fins médicos ou até para expandir a inteligência, seus dados cerebrais não poderão ser captados sem autorização nem vendidos. Os dispositivos, além disso, não poderão induzir pensamentos e comportamentos nem interferir na própria identidade pessoal.

A advogada Patrícia Sanches, do IBDFAM, explica:

— Hoje observamos a manipulação de pensamentos e comportamentos pelos algoritmos, que são uma interferência de fora para dentro. O que mudará é que a manipulação ocorrerá diretamente dentro de nós. O risco é que a neurotecnologia seja usada tanto com objetivos comerciais quanto com intenções políticas, direcionando opinião, ideologia e voto. Sem regras, poderá até mesmo corroer a democracia.

Implantes cerebrais, hoje usados apenas com fins médicos, despertam o interesse de big techs (Mike Kai Chen/Wikimedia Commons)

Os neurodireitos, no entanto, enfrentam críticas. O advogado Eduardo Tomasevicius Filho, professor de direito civil e direito digital da Universidade de São Paulo (USP), classifica a iniciativa como “fantasia jurídica antecipada” e, portanto, “desnecessária”. Ele argumenta:

— Trata-se de uma completa subversão das coisas. Nas primeiras aulas de direito, os alunos aprendem que o fato aparece primeiro e só depois vem a regulamentação desse fato. No caso dos neurodireitos, simplesmente não existe o fato e, portanto, nada a ser regulamentado. As neurotecnologias estão sendo desenvolvidas para reabilitar pessoas com deficiência, mas ainda estão longe de captar o pensamento e modificar o ser humano.

De acordo com Tomasevicius Filho, o erro é acreditar que a mente humana se resume aos neurônios:

— Uma coisa é a parte elétrica e química do cérebro, os sinais neurais. Outra coisa é o pensamento, que não pode ser mapeado e decodificado. É por essa razão que a medicina tem a neurologia e a psiquiatria como ramos distintos. Se fossem a mesma coisa, haveria uma única especialidade. Um medicamento psiquiátrico pode funcionar para uma pessoa, mas não para outra, o que mostra que cada cérebro é de um jeito. Aparelhos capazes de ler o pensamento não passam de ficção científica. Não estamos nem perto de ter uma tecnologia assim.

O professor da USP avalia que a ideia dos neurodireitos foi adotada no Brasil de forma acrítica. O termo foi cunhado pelo neurocientista espanhol Rafael Yuste em 2017 e já aparece em documentos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e debates da União Europeia. De forma pioneira, o conceito foi incluído em 2021 na Constituição do Chile, que diz que, diante do avanço científico e tecnológico, a “atividade cerebral” e a “informação proveniente dela” deverão ser protegidas.

O advogado Ricardo Campos, da comissão de juristas do Senado, contra-argumenta:

— É mais fácil regular antes de as neurotecnologias estarem disseminadas do que depois. Basta vermos o que ocorre hoje com as big techs, que resistem à regulamentação de suas atividades. De qualquer forma, o que se propõe para os neurodireitos no Código Civil são princípios, como a proteção da autonomia privada, e não minúcias, de modo a não desencorajar a inovação tecnológica.

O Código Civil em vigor reúne cerca de 2 mil artigos. O projeto de reforma modifica ou revoga quase 900 e cria outros 300. Como é natural no processo legislativo, o texto deverá sofrer mudanças durante a tramitação no Congresso. Para virar lei, precisará ser aprovado pelo Senado e pela Câmara e, em seguida, sancionado pelo presidente da República.

Fonte: Agência Senado


CPMI do INSS encerra os trabalhos sem aprovação de relatório final

Imagem: reprodução

Por 19 votos a 12, a CPMI do INSS rejeitou o relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A votação só foi concluída na madrugada de sábado (28/03), no último dia de funcionamento da comissão. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu então encerrar os trabalhos sem apreciação do relatório paralelo apresentado pelos governistas. A comissão funcionou por sete meses.

Com mais de 4 mil páginas, o relatório de Alfredo Gaspar concluiu haver núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político na movimentação de bilhões de reais por meio de descontos não autorizados de aposentadorias e pensões.

“O esquema de descontos associativos e empréstimos consignados, todos fraudulentos, cresceu à luz do dia dentro dos sistemas do INSS com a cumplicidade ativa ou a omissão conveniente de quem ocupava exatamente os postos destinados a impedi-lo.”

Gaspar pediu o indiciamento de 216 pessoas, incluindo ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, ex-ministros, parlamentares e representantes de entidades associativas. O nome mais polêmico da lista é o do filho do presidente Lula, por suposto envolvimento com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, principal responsável pelas irregularidades apuradas.

“Indicia-se Fábio Luiz Lula da Silva nos seguintes tipos penais: tráfico de influência; lavagem ou ocultação de bem, direitos e valores; organização criminosa; e participação em corrupção ativa.”

Os pedidos de indiciamento ainda incluem o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; os ex-ministros da Previdência José Carlos Oliveira e Carlos Lupi; além do senador Weverton Rocha, (PDT-MA), e a deputada Gorete Pereira (MDB-CE).

Já o líder do governo na CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou relatório paralelo com pedido de 130 indiciamentos, incluindo o ex-presidente da República.

“O nosso relatório está indicando Jair Bolsonaro como líder dessa organização criminosa. Não haveria escândalo do INSS, não haveria Bolsomaster sem a participação ativa e o comando intelectual chamado Jair Messias Bolsonaro.”

O deputado Rogério Correia (PT-MG) acrescentou que o escândalo só foi revelado a partir de investigação da atual Controladoria Geral da República.

“Tudo isso, pessoal, só pode ser resolvido a partir do governo do presidente Lula, que iniciou a investigação que o governo Bolsonaro não quis fazer.”

Durante a discussão, parlamentares de governo e oposição trocaram ataques pessoais, xingamentos e acusações sobre a origem das fraudes no INSS, blindagem nas investigações e mudanças de última hora na composição da comissão. Também houve críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal pelos habeas-corpus dados aos depoentes e por derrubar a liminar que havia prorrogado a CPMI. Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, o relatório de Alfredo Gaspar será enviado aos órgãos competentes e os parlamentares continuarão em alerta quanto às investigações em outras instâncias.

“Os mesmos elementos que nós temos no relatório que está sendo apresentado estão com a Polícia Federal e com o ministro André Mendonça. Eu tenho muita confiança de que ninguém ficará impune.”

A CPMI iniciou os trabalhos em 20 de agosto do ano passado com prazo final até 28 de março. Houve pedido de prorrogação das investigações não acatado pela presidência do Congresso nem pelo Supremo Tribunal Federal.

Fonte: Agência Câmara de Notícias