terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Campanhas da Semana: com alertas e jingles, marcas caem na folia

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Mastercard e Bem-te-vi aproveitam o Carnaval para ativar conexão com os consumidores

Já a Mastercard aproveita a folia para se posicionar como uma ferramenta do transporte público do Brasil. Com a comunicação “Não Passe perrengue, passe seu Mastercard”, desenvolvida pela WMcCann, a marca de solução de pagamentos estimula o uso do recurso de aproximação de seus cartões na catraca do transporte público e marca o seu posicionamento durante as festividades, em um momento que é considerado um movimento cultural importante para a companhia.



O lava roupas Bem-te-vi lavou Bonecos de Olinda gigantes em ação de Carnaval que visa mostrar a qualidade de seus produtos e transformar a preparação dos festejos carnavalescos em uma demonstração dos seus produtos ao lavar as roupas dos personagens. A iniciativa foi pensada pela Ampla.



Já a Embratur celebra um marco histórico no turismo internacional, que registrou mais de 9 milhões de turistas estrangeiros visitaram o país ao longo do ano passado. Esse número é o maior já registrado no País. O filme foi criado pela Binder.



Após ter criado uma escola de samba fictícia – e convidado Paolla Oliveira, Mayara Lima e Neguinho da Beija Flor para sambarem com os figurinos típicos da série – a Netflix dá continuidade à campanha de divulgação da quarta temporada de Bridgerton com outra personalidade brasileira, Carla Perez. A campanha é da Droga5, que também foi responsável pelo vídeo anterior, da escola de samba.



A Citröen enfatiza sua conexão e proximidade com o consumidor brasileiro e adota uma estratégia de conteúdo gerado por usuários reais ou microinfluenciadores para avaliar os seus produtos. A iniciativa foi pensada em parceria com a BETC Havas.



Fonte: meioemensagem


Malbec Black Legend reúne Kaká e Cannavaro em encontro inédito no Maracanã

Imagem: reprodução - divulgação


Malbec Black Legend, nova fragrância da linha Malbec, do Boticário, reuniu Kaká e Fábio Cannavaro em um encontro inédito no Maracanã, no Rio de Janeiro. A ação marca o lançamento do perfume e traduz o conceito da campanha “uma lenda sempre reconhece a outra”, conectando futebol, tempo e legado.

O estádio foi escolhido por ser um dos maiores símbolos do futebol brasileiro, palco histórico de ídolos e conquistas. Assim como os ex-jogadores, o Maracanã representa uma identidade construída ao longo do tempo, elemento central da narrativa de Malbec Black Legend.

Com direção criativa da w3Haus, o encontro foi eternizado em uma fotografia que propõe uma leitura cultural do futebol. Cada detalhe da composição foi pensado para agregar significado, desde o figurino e os objetos de cena até o posicionamento dos personagens e a ambientação.



A imagem reúne símbolos como prancheta tática, chuteira artesanal, bola clássica, faixa de capitão, medalhas, apito, livros, objetos de memória e um relógio ajustado para o auge do tempo. A taça aparece fora do centro da cena, reforçando que títulos fazem parte do percurso, mas não definem uma lenda.

Malbec Black Legend ocupa o centro da composição como elo entre passado e presente, reforçando a ideia de que uma lenda se constrói com o tempo e permanece pelo reconhecimento de seu legado.

O clique e a direção de fotografia são assinados por Paulo Vainer, com cenografia de Greta Cuneo. A narrativa faz parte da campanha criada pela AlmapBBDO, que traz Kaká, novo embaixador global da marca, em cena, com locução de Fábio Cannavaro, ex-jogador italiano e histórico adversário nos gramados.

Para celebrar o momento no Rio de Janeiro, o Boticário promoveu um set aberto no Maracanã, com gravação especial do podcast Podpah. Igão e Mítico entrevistaram Kaká e Cannavaro diretamente da tribuna do estádio. A ação também reuniu embaixadores e influenciadores parceiros da marca, com intermediação dos talentos esportivos realizada pela ALOB Sports

Fonte: publicitarioscriativos




Eletromidia esgota cotas para o Carnaval 2026 e registra crescimento de 75% no faturamento

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Com cerca de 20 marcas líderes e expansão para o Sambódromo do Anhembi e voos da Azul, companhia consolida o OOH como pilar estratégico da folia brasileira

A Eletromidia anunciou o sucesso comercial absoluto para o Carnaval 2026, com 100% de seu inventário digital comercializado. O salto de 75% na receita em comparação ao ano anterior reflete a capacidade da maior empresa de out-of-home do país em mapear e monetizar a jornada completa do folião — do aeroporto ao sambódromo, passando até pelo interior das aeronaves.

A plataforma reúne um "time de peso" com cerca de 20 anunciantes, incluindo gigantes como Ambev, Google, iFood, 99, Natura e O Boticário. A estratégia deste ano foca na onipresença: onde houver circulação de público, haverá uma tela ou ativação da Eletromidia.

Destaques da Jornada "360º" A operação de 2026 expande as fronteiras tradicionais das ruas para novos e inusitados pontos de contato:

Experiência nas Nuvens (Parceria Azul): Campanhas a bordo com distribuição de amostras de Neutrogena, degustação de espumante Salton, cashback em dobro do Mercado Pago e anúncios em áudio do Governo de Minas.

Dominação Urbana: Exclusividade da Skol na Avenida Paulista (SP), dominação da estação General Osório (RJ) pela 99 e projetos especiais de MUB+ para Oral-B.

Estreia no Anhembi: Pela primeira vez, a Eletromidia opera o cronômetro oficial dos desfiles de São Paulo, inserindo marcas no coração da contagem regressiva de cada escola de samba.

Conexão Aeroportuária: No aeroporto de Salvador, iFood, Ambev, Cachaça 51 e Itaipava ocupam áreas estratégicas de desembarque e restituição de bagagens.

"Nosso papel é conectar as marcas a esse movimento com presença relevante ao longo de toda a jornada do folião. A ocupação de 100% do inventário mostra como o OOH se consolidou como meio estratégico." — Marcelo Pacheco, Chief Sales Officer da Eletromidia.

A Jornada de O Boticário Um exemplo prático da eficácia da rede é a campanha de O Boticário, que persegue o consumidor no Rio de Janeiro através de um fluxo contínuo: do desembarque no Galeão, passando pelo túnel do Metrô e trens, até as faces de rua próximas aos blocos.

Fonte: ADNEWS


Brasil tem apenas 1% da população fluente em inglês e expõe gargalo estratégico para o futuro do trabalho

Imagem: reproução


Mesmo em um mundo cada vez mais mediado pela inteligência artificial, o domínio do inglês continua sendo um dos principais fatores de acesso a oportunidades profissionais, acadêmicas e econômicas. No Brasil, porém, os dados mais recentes revelam um cenário ainda distante do ideal e que levanta alertas importantes para o futuro do trabalho e da competitividade do país.

Levantamentos utilizados por instituições como o British Council e pesquisas de mercado indicam que apenas cerca de 1% da população brasileira fala inglês de forma fluente, o equivalente a aproximadamente 2 milhões de pessoas em um país com mais de 214 milhões de habitantes. Outros 5% possuem algum nível de conhecimento do idioma, geralmente restrito ao básico ou intermediário, o que reforça o tamanho do desafio estrutural enfrentado pelo país.

O dado se soma aos resultados do EF English Proficiency Index (EF EPI) 2025, um dos rankings globais mais respeitados sobre proficiência em inglês, que avaliou mais de 2,2 milhões de pessoas em 123 países e regiões. No levantamento, o Brasil aparece na 75ª posição mundial, classificado na faixa de baixa proficiência, com pontuação geral de 482. Apesar de uma leve melhora em relação a edições anteriores, o avanço ainda é insuficiente para alterar o cenário geral.

A análise do relatório mostra que o Brasil apresenta desempenho relativamente melhor em leitura, uma habilidade receptiva, mas enfrenta dificuldades consistentes em fala e escrita, justamente as competências mais exigidas em ambientes profissionais, reuniões internacionais, negociações, liderança e atuação em mercados globais.

“O problema do Brasil não é acesso à informação, é formação para o uso real da língua”, afirma Thiago Aparecido Gomes da Silva, empresário, líder educacional e Doutor em Ciências Sociais, à frente de unidades Maple Bear no Distrito Federal e Goiás, rede adepta ao ensino bilíngue. “O inglês exigido pelo mercado hoje vai muito além da leitura. Ele envolve comunicação, tomada de decisão, negociação, empatia cultural e liderança em ambientes globais.”

O estudo também aponta desigualdades regionais importantes. O Distrito Federal lidera o desempenho nacional, enquanto Florianópolis aparece como a cidade com maior pontuação em proficiência, evidenciando que fatores como acesso educacional, renda, exposição internacional e políticas públicas locais impactam diretamente o domínio do idioma.

Em um contexto de avanço acelerado da inteligência artificial, a baixa fluência em inglês se torna ainda mais crítica. Embora ferramentas de tradução automática estejam cada vez mais eficientes, elas não substituem competências humanas essenciais no mundo do trabalho. Além disso, as tecnologias mais avançadas de IA continuam sendo desenvolvidas, documentadas e atualizadas prioritariamente em inglês.

“Inglês e inteligência artificial não competem entre si. Eles se complementam”, explica Thiago. “Quem domina o inglês acessa essas tecnologias de forma mais profunda, crítica e estratégica. A fluência amplia o repertório profissional e aumenta a capacidade de aproveitar a inovação.”

O EF EPI 2025 reforça que países com maior proficiência em inglês apresentam melhores indicadores de inovação, competitividade econômica, mobilidade social e atração de talentos. No nível individual, estudos de mercado mostram que profissionais fluentes em inglês têm mais chances de ocupar cargos estratégicos, atuar em empresas multinacionais, acessar o trabalho remoto internacional e conquistar melhores salários.

Diante desse cenário, a expansão da educação bilíngue no Brasil surge como uma resposta estrutural ao baixo nível de fluência. O número de escolas bilíngues cresce ano após ano, impulsionado pela percepção de que o ensino tradicional de idiomas já não atende às exigências de um mundo cada vez mais interconectado e tecnológico.

“Ensinar inglês hoje é preparar o aluno para interagir com o mundo”, conclui Thiago. “Enquanto apenas 1% da população brasileira for fluente, o país continuará operando abaixo do seu potencial global. Investir em inglês, aliado ao uso estratégico da inteligência artificial, não é apenas uma decisão educacional. É uma escolha econômica, social e de futuro.”

Fonte: clacri.com


PERDEU A CREDIBILIDADE? As desventuras da Toga S.A.

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Como o STF se deixou engolir por interesses privados – e como pode sair disso

Era previsível, mas foi importante. Ao abrir o Ano Judiciário na segunda-feira do dia (2.02.26), o ministro Luiz Edson Fachin não saiu pela tangente das platitudes. Ao contrário, encarou de frente o bode fedido que está empacado no centro do STF. Sem citar nomes, mas também sem se fazer de desentendido, reconheceu que condutas indevidas de certos colegas põem em xeque a credibilidade do tribunal e do Judiciário como um todo. Fachin escalou Cármen Lúcia para uma posição chave nesse processo, encarregando-a de relatar o código de ética que o Supremo fará para si mesmo. Esse gesto, embora seja mais simbólico do que qualquer coisa, é crucial para que o tribunal reforce publicamente seu compromisso com padrões elementares de ética judicial – o que diz, mesmo sem dizer, que esses padrões têm sido negligenciados por alguns dos seus. Cada ministro responde pelas escolhas que faz, alertou Fachin, mas finalmente o tribunal parece reconhecer que essas escolhas são também assunto coletivo.

As virtudes esperadas de ministros do STF mudam de acordo com os desafios de cada época. Algumas delas – coragem, abnegação, colegialidade – foram exercidas nos processos recentes contra o golpismo. Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Fachin, entre outros, foram ameaçados por autoridades nacionais e estrangeiras. Moraes foi atingido com as duras sanções da Lei Magnitsky, impostas por Trump; Barroso viveu a insegurança de ter seus filhos prejudicados (um deles, que trabalhava em Miami, adiou seu retorno aos Estados Unidos por receio de sofrer alguma retaliação); sete ministros tiveram os vistos cassados. Mesmo assim, mantiveram-se firmes no propósito de aplicar as sanções da lei a quem a violou. Com exceção de Luiz Fux nos instantes finais do processo contra Bolsonaro, os ministros agiram com espírito de corpo, no bom sentido do termo. Colocaram o tribunal à frente de qualquer consideração pessoal e fizeram valer a lei de acordo com seus entendimentos livres e sinceros e com respeito aos direitos processuais dos acusados.

O bode que fede na sala do Supremo não nasceu desses processos contra o golpe, mas da incapacidade ou indisposição de alguns dos ministros de conviverem com regras republicanas básicas de transparência e prevenção de conflitos de interesse. Barroso, que gostava de atribuir todos os problemas do Brasil a uns poucos vícios de origem, denunciou em um de seus livros haver entre nós uma “herança maldita do patrimonialismo”, fruto, segundo ele, de nosso passado colonial. Graças a esse mecanismo, afirmou, agentes públicos são cooptados pela autoridade que os indicou e acabam servindo mais ao chefe, e menos ao Estado. Se esse é de fato um diagnóstico correto para o éthos do exercício do poder no Brasil, não há razão para supor que o Judiciário seja imune ao legado amaldiçoado. A confusão entre o público e o privado é uma tentação também entre magistrados – inclusive os do Supremo. Constatar isso é o primeiro passo para levar adiante as reformas que Fachin está tentando liderar.

A revelação de que o escritório da família de Moraes mantinha com o banco Master um contrato com valores exorbitantes e sem aparente lastro em serviços efetivamente prestados é a manifestação mais caricata de um fenômeno que no STF não se resume a Moraes, e que no Judiciário não se restringe ao STF: a transformação da toga em uma oportunidade de negócios para maridos, esposas, irmãos, filhos e por aí vai. Uma reportagem recente do UOL mostrou que essa parentela mais próxima já atuou em pelo menos 1,9 mil processos em tribunais superiores. Familiares de pelo menos oito ministros atuam em processos no Supremo, mostrou, por sua vez, a BBC Brasil. 

O parentesco com um ministro do STF muitas vezes é motivo suficiente para que um advogado seja contratado por um grande cliente – e os valores do contrato costumam refletir o enorme interesse do contratante. Combina-se um serviço jurídico genérico qualquer, com prazo indefinido, mas o que se busca verdadeiramente é uma relação que vai além da expertise técnica ou profissional. Do dia para a noite, advogadas e advogados que antes pelejavam, como todos os demais, por bons clientes e bons contratos são elevados ao Olimpo da profissão, com honorários que não podem ser imaginados pelos mortais dos quais eles passam a se diferenciar pela toga da família. Essa é, evidentemente, uma manifestação do patrimonialismo que orbita a cúpula do Judiciário, sendo bastante visível no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para enfrentar esse vício, é preciso que o Supremo reconheça seus erros. O primeiro deles: em 2023, o tribunal declarou inconstitucional um dispositivo do Código de Processo Civil de 2015 que estabelecia regras mais rígidas para o impedimento de juízes em processos que envolvessem escritórios de advocacia de parentes seus. A norma barrava inclusive alguns expedientes usados para driblar essa restrição, como repassar um recurso pontual a outro escritório apenas para escapar do impedimento.

A derrubada desse dispositivo acabou com um importante obstáculo à advocacia de parentela. Entre proteger a reputação do tribunal, que era o objetivo da norma, e proteger o livre empreendedorismo da família que orbita a toga, o STF escolheu a segunda opção. A questão é evidentemente mais grave quando envolve esposas e maridos – justamente como ocorre no caso de Moraes em relação ao Master –, pois os ganhos financeiros do cônjuge tendem a beneficiar diretamente o magistrado.

O segundo erro: a indisposição dos ministros do Supremo para debater de modo transparente e coletivo as suas próprias suspeições. Não há paralelo em outro tribunal brasileiro: quando arguições de suspeição são apresentadas ao STF – alegando, entre outras coisas, conflitos de interesse dos ministros –, elas são infalivelmente rejeitadas em caráter monocrático, o que impede que sejam discutidas pelos demais membros do colegiado. Trazer esses temas para debate seria importante para desfazer a impressão de que suspeitas são varridas para debaixo do tapete em ritos opacos. O fato de que muitas dessas arguições são infundadas seria pedagógico para o grande público e benéfico para a imagem do tribunal, expondo as sutilezas e dificuldades que às vezes existem no julgamento das arguições de suspeição.

A suspeição é prima-irmã da falta de transparência, outro tema no qual a confusão entre o público e o privado se manifesta corriqueiramente no tribunal. Direitos de personalidade, como a vida privada e a intimidade, além de alegações genéricas sobre segurança, são frequentemente invocadas para construir um muro de opacidade em torno das vantagens recebidas por ministros e pelos negócios aos quais são ligados – esses últimos, uma aberração por si só. Se o STF acertar seus ponteiros com os princípios da transparência e da publicidade, muita coisa melhorará. Talvez esse seja o maior legado republicano que podemos, com otimismo, esperar da presidência de Fachin.

Os eventos acadêmicos, de lazer e “institucionais” – novilíngua para designar foros onde todos fingem não valer as regras que pedem distanciamento prudente entre juízes, advogados e agentes do poder político e econômico – são vetores de vantagens econômicas para os ministros. Barroso, para se justificar, dizia sempre que esses convescotes eram pagos com dinheiro da iniciativa privada, e que não custavam nada para o contribuinte. Mas isso não desfaz o problema. Pelo contrário, só faz agravá-lo do ponto de vista do conflito de interesses. A carona de jatinho, o ingresso para um evento esportivo concorrido, a estada num iate, numa mansão de veraneio ou num resort privado – todos são serviços economicamente mensuráveis. Custam dinheiro e representam vantagens sensíveis para quem, como é o caso de magistrados, deve sobreviver com o salário que ganha. Quem recebe esses mimos está obtendo uma vantagem financeira. No limite, é como receber dinheiro em outro estado físico.

Se proibir tudo isso parece impraticável, o STF poderia ao menos caminhar no sentido de estabelecer uma maior transparência. Vantagens, presentes ou cortesias economicamente relevantes aceitas por um ministro (ou por qualquer outro magistrado) deveriam ser divulgadas, com cautelas adequadas para preservar sua intimidade. Hospedagens, jantares, voos, ingressos de cortesia para Roland Garros, Champions League ou Libertadores da América, tudo isso custa dinheiro e há evidente interesse público em saber quem pagou. O mesmo vale para o recebimento de quaisquer valores a título de aulas e palestras, que são as manifestações mais comuns do “magistério” que a Constituição permite aos juízes e que não devem ser excluídas das regras de transparência remuneratória que a mesma Constituição impõe.

O bode fica bem mais fedido quando quem o revela é o jornalismo investigativo ou um inquérito vazado. Um relatório periodicamente divulgado pelo próprio STF, discriminando quem pagou por qual mimo, qual seu valor e que ministro desfrutou dele, provavelmente desencorajaria tanto a estratégia de quem o oferece com intenção secundária quanto a volúpia de quem o aceita ignorando a ética primária.

O enfrentamento desses problemas éticos é oportuno também sob o ponto de vista da defesa do STF contra a bancada bolsonarista no Senado, que, caso cresça na eleição deste ano, virá com todas as forças contra o tribunal em 2027. A autocorreção do Supremo ajuda a esvaziar o argumento de que o exercício do controle disciplinar externo – isto é, o impeachment de ministros, pautado e julgado pelo Senado – é necessário por ser a única forma de accountability a que o tribunal responde. 

A demonstração de que o STF é capaz de corrigir seus próprios problemas éticos enfraquece quem finge querer derrubar ministros do tribunal por bons motivos, e mostra que o Supremo sabe ouvir as críticas honestas e bem intencionadas. A democracia brasileira já pediu sacrifícios muito maiores do STF do que se exige agora. Derrotar o golpe é fundamental, mas derrotar o patrimonialismo da toga é uma tarefa que não fica muito atrás.

Fonte: piauí


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SANTA HELENA – MPMA aciona envolvidos em esquema de “servidores fantasmas” na Prefeitura

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O Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio da Promotoria de Justiça de Santa Helena, pediu, em Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa, ajuizada no dia 4 de fevereiro, a indisponibilidade de bens de seis servidores municipais para garantir o ressarcimento aos cofres públicos pelos danos causados por um esquema de servidores fantasmas na Prefeitura.

A manifestação, assinada pela promotora de justiça Rita de Cássia Pereira Souza, cita outros seis integrantes do esquema, incluindo o prefeito João Jorge Jinkings Pavão Filho (mais conhecido como Joãozinho Pavão), o ex-gestor Zezildo Almeida Júnior, que administrou a cidade no período entre os anos de 2021 e 2023, e a secretária municipal de Educação, Rosinelba Ferreira.

A lista de requeridos inclui, ainda, Everlany Silva Corrêa, Safira Roland Dias, Wariston José Lobato Dias, João Paulo Furtado Lopes, Yane Dias Lobato, Wedy Soares Pinheiro, Adenrouse Ferreira Dias, Fábio Moreira de Freitas e Madair Roland Dias. Destes, cinco são servidores efetivos, três são servidoras comissionadas e a irmã de uma servidora efetiva.

O esquema causou danos ao erário municipal no valor de 522.793,68.

ESQUEMA

Uma das principais integrantes do esquema é Everlany Corrêa que, apesar de ter cargo efetivo de professora, mora em São Luís e atua como influenciadora digital. Safira Roland reside e trabalha como farmacêutica em Porto Alegre (RS). Além disso, a irmã dela, Madair Roland, a substitui em sala de aula, há pelo menos dois anos.

Também chama atenção o caso do enfermeiro Wariston José Dias, com cargo efetivo, mas que mora e trabalha em São Paulo (SP). Outro caso é o de João Paulo Lopes, servidor que é lotado em uma secretaria municipal e reside em Aparecida de Goiânia (GO).

Wedy Pinheiro, com cargo de vigia em uma creche, viaja com frequência e deixa um terceiro, exercendo as funções dele e simulando presença ao trabalho. Servidora comissionada, Yane Lobato atua como esteticista em São Luís. Fábio Freitas atua como taxista ao invés de desempenhar atividades na escola em que é lotado.

Questionada pelo MPMA, a secretária municipal de Educação, Rosinelba Pereira Ferreira, prestou informações falsas. “Além disso, ela possui nítido interesse no esquema porque a filha dela, Adenrouse Dias, também é investigada como ‘servidora fantasma’ com dispensa de frequência autorizada pela gestão”, relatou a promotora de justiça.

GESTORES

“Mesmo diante da evidência de servidores residindo em outros estados e atuando em atividades privadas incompatíveis (como a de influenciadora digital na capital maranhense), Zezildo Almeida Júnior e João Jorge Jinkings Pavão Filho mantiveram o pagamento integral de seus vencimentos por anos. Não havia qualquer controle de frequência ou fiscalização sobre estes ‘servidores fantasmas’, permitindo que o erário fosse dilapidado”, apontou a representante do MPMA.

No caso de Zezildo Jr, a participação no esquema é evidenciada pela assinatura de documentos oficiais que mantinham o vínculo de servidores que não compareciam aos seus postos de trabalho.

Quanto a João Jorge, o caso é mais grave. Provas como prints de conversas de WhatsApp demonstram que ele negociou diretamente com a servidora Everlany Corrêa, permitindo que ela morasse em São Luís e permanecesse em suposto regime de “home office”, o que não existe na legislação municipal, em troca de apoio político e divulgação eleitoral. “Isto configura o uso da máquina pública para satisfação de interesses pessoais e eleitoreiros, facilitando o enriquecimento ilícito de terceiros com nítido desvio de finalidade”.

PEDIDOS

Quanto a Everlany Corrêa, Safira Roland, Wariston Dias, João Paulo Lopes, Wedy Pinheiro, Yane Lobato, Adenrouse Dias, Fábio Freitas e Madair Dias, o MPMA requer a condenação à perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio e das respectivas funções públicas, suspensão dos direitos políticos por até 14 anos, pagamento de multa equivalente ao valor do acréscimo patrimonial e à proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios/incentivos fiscais ou creditícios por prazo até 14 anos.

Em relação ao ex-prefeito Zezildo Almeida Júnior, ao prefeito João Jorge Jinkings Pavão Filho e à secretária municipal Rosinelba Ferreira, o pedido é a condenação à perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por até 12 anos, pagamento de multa equivalente ao valor do dano causado ao erário e à proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios/incentivos fiscais por até 12 anos.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

Ainda com o objetivo de combater o esquema de servidores fantasmas e garantir a correta aplicação dos recursos públicos, o MPMA ajuizou uma Ação Civil Pública, em 3 de fevereiro, para obrigar o Município de Santa Helena e o prefeito João Jorge Jinkings Pavão Filho a implantarem o controle eletrônico biométrico, no prazo de 30 dias, para todos os servidores (efetivos, contratados, cedidos e comissionados).

“O Ministério Público recebeu diversas denúncias acerca da existência de servidores que não comparecem ao local de trabalho, mas recebem regularmente seus vencimentos, o que demonstra que não há efetivo controle de frequência e dificulta saber se o servidor público está cumprindo com seu dever de assiduidade”, declarou a promotora de justiça Rita de Cássia Pereira Souza.

Outra Ação Civil Pública por ato de Improbidade Administrativa envolve o servidor Yann Markus Lobato Souza. Contratado em 2022 como nutricionista, recebe vencimentos dos cofres públicos de Santa Helena, mas reside em outro Estado e há muito tempo não comparece ao município, conforme denúncias enviadas à Ouvidoria do MPMA.

Contra o servidor, a ação requereu a aplicação de sanções como perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; perda da função pública que ocuparem ao tempo do julgamento; suspensão dos direitos políticos por até 14 (catorze) anos; pagamento de multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial; proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios/incentivos fiscais ou creditícios por prazo não superior a 14 anos.

Fonte: CCOM-MPMA