terça-feira, 21 de abril de 2026

O ÚLTIMO DRIBLE! Morre Oscar Schmidt: relembre feitos da lenda do basquete na publicidade

Imagem: reprodução / composição

Atleta brasileiro faleceu, nesta sexta-feira, 17, aos 68 anos após ser internado às pressas

Morreu, na sexta-feira, 17, aos 68 anos, Oscar Schmidt, a lenda do basquete brasileiro, que fez história no esporte e ficou conhecido como “Mão Santa” após seus feitos dentro e fora do País, em competições como os Jogos Pan-americanos e as Olimpíadas.

O atleta foi medalha de ouro no Pan de Indianápolis com o time brasileiro  vencendo os Estados Unidos dentro de casa e é o maior cestinha olímpico, com 1.093 pontos em cinco edições de jogos (de 1980 a  1996). Oscar também conquistou a medalha de bronze no Mundial de basquete de 1978, nas Filipinas, último pódio da seleção masculina na modalidade.

A morte foi confirmada pela família. O atleta passou mal em casa, na cidade de Santana de Parnaíba, no interior de São Paulo, após sofrer uma parada cardíaca, e foi levado por volta das 13 horas ao Hospital Municipal Santa Ana, no qual já chegou sem vida.

O irmão de Tadeu Schmidt jogou pela seleção brasileira e em times como Palmeiras, Sírio (onde foi campeão mundial em 1979), Corinthians e Flamengo, além de times na Itália e Espanha. Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória foi quando, em 1984, recebeu um convite para jogar na NBA, porém, optou por continuar na seleção brasileira, já que, conforme regulamento da época, não era permitido jogar, simultaneamente, pela liga e pelo País.

Prestamos uma homenagem ao atleta relembrando seus feitos mais marcantes na publicidade.

Arrecadação para a APAE

A APAE São Paulo lançou, em 2012, a campanha “Doe sem dó”, protagonizada por Oscar Schmidt, com objetivo de arrecadar fundos por meio dos projetos inscritos pela APAE São Paulo no Fundo Municipal da Criança e do Adolescente da Prefeitura de São Paulo (FUMCAD).

O filme de 30 segundos, criado pela Gloria Comunicação e produzido pela AluFilms, traz um dos maiores ídolos do basquete nacional contando a história de um garoto, uma bola e um objetivo. Ao longo da narrativa, Oscar dá a impressão que está contando sua própria história, mas na verdade está descrevendo a luta diária do menino Bruno, que tem deficiência intelectual.

“Estreia” na NBA

Criado pela Africa, Budweiser e ESPN lançaram, em 2017, um filme sobre a trajetória de Oscar Schmidt no basquete. A campanha foi uma celebração para a estreia dele nas quadras norte-americanas do NBA All-Star Celebrity Game 2017, que aconteceu em Nova Orleans. Veja abaixo:



Estrela da Betsul

Antes das bets fazerem parte dos patrocínios de campeonatos e times brasileiros, em 2019, Oscar Schmidt fez parte da campanha de entrada no País da Betsul. A empresa iniciou a operação com a montagem de um time de embaixadores formado por Falcão (bicampeão mundial de futsal), Oscar Schmidt (campeão panamericano de basquete), Rodrigo Minotauro (ex-campeão do Pride e UFC) e Thaisa Daher (bicampeã olímpica de vôlei) e em ações com o terceiro setor.


Oscar, Falcão, Thaisa e Minotauro estrelam campanha de lançamento do
Betsul no Brasil (crédito: divulgação)


Movimento vintage da Baw

Quando divulgou sua campanha comemorativa de 10 anos de existência em 2024, a Baw Clothing escolheu Oscar Schmidt e Hortência como os protagonistas da linha “Sports Vintage”, que apostava na estética retrô, com camisetas, calças, jaquetas e acessórios.


Oscar Schmidt e Hortência foram estrelas de campanha da Baw
(Crédito: Divulgação)

Embaixador da Embracon

A Embracon lançou, em 2024, a campanha “Embracon, é sempre o melhor lance”, trazendo Oscar Schmidt como o rosto da marca. O conceito buscava traçar um paralelo entre a carreira do jogador, com os lances realizados no consórcio, que buscam transformar a vida das pessoas.



Pontuações na Shell

Em 2024, para lançar o programa de fidelidade Shell Box, a Raízen fez uma ação, criada pela Euphoria Creative, na qual apresentava as vantagens de pontuar ao abastecer para resgatar recompensas. O filme foi chamado “Especialista em pontos” e trouxe Oscar e Fábio Porchat como os protagonistas. Veja abaixo:



Homenagem da Corona Cero

Como parte de suas ações de patrocínio global aos Jogos Olímpicos de Paris, a cerveja Corona Cero apresentou, em 2024, uma campanha que homenageou as lendas do esporte brasileiro. A marca convidou Daiane dos Santos, Hortência, Gustavo Borges, Virna Dias, Vanderlei Cordeiro e Oscar Schmidt para relembrar momentos icônicos de suas carreiras.



Fonte: meioemensagem


Abril Marrom: especialista do CEJAM responde às principais dúvidas sobre a perda de visão na terceira idade

Imagem: reprodução


O diagnóstico precoce de doenças oculares é um dos principais aliados na prevenção da cegueira e da baixa visão e pode evitar até 80% dos casos de deficiência visual, segundo a Organização Mundial da Saúde. O alerta ganha destaque no Abril Marrom, mês dedicado à conscientização dessas condições. 

A campanha reforça a importância do acompanhamento oftalmológico regular, já que muitas doenças evoluem de forma silenciosa, causando danos irreversíveis quando descobertas tardiamente. Embora o tema envolva todas as faixas etárias, o cuidado deve ser redobrado entre a população idosa, uma vez que o avanço da idade aumenta o risco de problemas que afetam a capacidade visual e comprometem a autonomia e a qualidade de vida.  

Para esclarecer o tema, o oftalmologista Dr. Luiz G. Caprio, do AME Carapicuíba, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, responde às principais dúvidas sobre o tema: 

A perda de visão faz parte do envelhecimento ou sempre indica doença? 

Algumas alterações são esperadas com o envelhecimento, como a presbiopia, que é a dificuldade para enxergar de perto causada pela perda de flexibilidade do cristalino. 

No entanto, qualquer mudança deve ser avaliada por um profissional. Sintomas como perda progressiva da visão, piora em apenas um dos olhos, presença de manchas no campo visual ou redução da percepção periférica não são normais e costumam indicar doenças que exigem diagnóstico e tratamento. 

Quais são as principais causas de cegueira e baixa visão em idosos? 

As principais causas são catarata, degeneração macular relacionada à idade (DMRI), glaucoma e erros refrativos não corrigidos. Entre elas, a catarata é a mais comum e ocorre quando o cristalino perde a transparência, provocando visão embaçada e maior sensibilidade à luz. Já o glaucoma afeta o nervo óptico, o que leva à perda gradual da visão periférica, muitas vezes de forma silenciosa. 

Quais fatores aumentam o risco de perda de visão na velhice? 

A idade avançada é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças oculares, especialmente quando associada a hábitos e condições de vida que impactam diretamente a saúde dos olhos. Fatores como tabagismo, consumo de álcool, exposição excessiva à luz ultravioleta, alimentação inadequada e obesidade estão associados a um maior risco de alterações na visão. Além disso, histórico familiar e o uso prolongado de medicamentos, como corticosteroides, também estão relacionados a esses riscos.   

Como diabetes e hipertensão afetam a visão? 

O diabetes pode causar retinopatia diabética, condição em que os vasos sanguíneos da retina são danificados, podendo levar a vazamentos, formação de vasos anormais e perda progressiva da visão. A hipertensão também afeta os vasos da retina, provocando alterações na circulação ocular. Quando não controladas, ambas levam a complicações.                     

Quais sinais de alerta não devem ser ignorados? 

Alguns sintomas exigem avaliação imediata, como perda súbita de visão, flashes de luz, aparecimento repentino de “moscas volantes”, dor ocular intensa e sensação de sombra ou “cortina” no campo visual. Esses sinais podem indicar quadros graves, como descolamento de retina ou glaucoma agudo, que também oferecem o risco da      perda permanente da visão se não tratados rapidamente. 

Com que frequência o idoso deve ir ao oftalmologista? 

A recomendação é que pessoas com 65 anos ou mais realizem exames oftalmológicos completos a cada 1 ou 2 anos. Para pacientes com doenças crônicas, como diabetes, ou com fatores de risco, o acompanhamento deve ser mais frequente, conforme orientação médica. 

Como a baixa visão afeta a autonomia do idoso no dia a dia? 

A baixa visão compromete atividades básicas, como se vestir, se alimentar e se locomover, além de dificultar tarefas mais complexas, como administrar medicamentos e finanças. Também pode aumentar o risco de quedas e favorecer o isolamento social. 

Qual o principal alerta para idosos e familiares? 

Muitas doenças oculares são silenciosas e evoluem lentamente. Quando os sintomas aparecem, a complicação pode estar avançada. Por isso, não é recomendado esperar sinais para procurar atendimento. O acompanhamento regular é fundamental para o diagnóstico precoce e a prevenção da cegueira. 

Programa Acompanhante de Idosos e o cuidado com a saúde ocular 

O cuidado com a visão está diretamente ligado à manutenção da autonomia e da qualidade de vida. Nesse contexto, o CEJAM gerencia o Programa Acompanhante de Idosos (PAI), uma iniciativa da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo voltada ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social. 

Nas UBSs Vera Cruz, Jardim Maracá e Jardim Comercial, administradas pelo CEJAM em São Paulo, o programa oferece assistência domiciliar personalizada, com apoio às atividades diárias e acompanhamento em consultas e exames. O PAI também contribui para o diagnóstico precoce ao identificar possíveis sinais e sintomas, além de auxiliar aqueles que já apresentam alguma limitação visual. 

Com foco na prevenção de quedas e em estímulos cognitivos e motores, atua na manutenção da independência e da capacidade funcional dos idosos. A iniciativa reforça o compromisso do CEJAM com a promoção da saúde e a redução de agravos, especialmente entre populações mais vulneráveis. 

Sobre o CEJAM       

O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.   

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.   

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.    

Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!  

Siga o CEJAM nas redes sociais (@cejamoficial) e acompanhe os conteúdos divulgados no site da instituição.  

Fonte: Máquina Cohn & Wolfe / Vitoria Rosa


IEEE anuncia as Medalhas 2026: Reconhecendo as mentes por trás da infraestrutura digital global

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Premiações em Nova York destacam avanços em 5G/6G, sensores de imagem e transformação social na América Latina

O IEEE, a maior organização técnico-científica do mundo, revelou os vencedores das Medalhas IEEE 2026 e demais honrarias que serão entregues nos dias 23 e 24 de abril, em Nova York. O reconhecimento valida trajetórias que sustentam a economia digital e setores críticos como telecomunicações, saúde e energia, servindo como bússola para a inovação global.

As homenagens deste ano refletem o impacto da tecnologia na melhoria da condição humana, com foco especial em conectividade global, inteligência artificial e inclusão digital.

President’s Award: Tecnologia como ferramenta de impacto social A programação terá início no dia 23 de abril, no Marriott Marquis, com a entrega do President’s Award a Mariana Costa Checa, cofundadora e presidente da Laboratoria. A premiação reconhece sua liderança na formação de mulheres para o mercado de tecnologia na América Latina.

Impacto Regional: A Laboratoria já capacitou mais de 10 mil mulheres em 11 países, incluindo o Brasil, com uma taxa de empregabilidade de 73%.

Visão de Futuro: Mariana destaca que a organização está evoluindo para conectar talentos femininos às novas oportunidades geradas pela inteligência artificial.

Honors Ceremony: A arquitetura do mundo conectado

No dia 24 de abril, a cerimônia oficial premiará as mentes responsáveis por tecnologias fundamentais para a sociedade moderna:

Conectividade e Redes Móveis

A Medalha IEEE Jagadish Chandra Bose será entregue a Erik Dahlman, Stefan Parkvall e Johan Sköld (Ericsson). Os três engenheiros são os arquitetos das redes móveis modernas, com papel decisivo na padronização do 3G, 4G, 5G e nas bases do futuro 6G. O trabalho deles viabiliza desde o streaming cotidiano até a infraestrutura global de IoT (Internet das Coisas).

Processamento de Imagens e Diversidade

A Medalha IEEE Mildred Dresselhaus será concedida a Karen Ann Panetta (Tufts University). Panetta é referência em visão computacional e IA aplicada à saúde e segurança, além de ser uma voz ativa na promoção de mulheres nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

A Revolução da Fotografia Digital

A Medalha IEEE Jun-ichi Nishizawa homenageará Eric R. Fossum (Dartmouth). Inventor do sensor CMOS (camera-on-a-chip), Fossum possibilitou a miniaturização das câmeras. Sem sua invenção, a era dos smartphones, videochamadas e redes sociais visuais não existiria como a conhecemos hoje.

“Os homenageados de 2026 exemplificam a engenhosidade e a excelência científica que definem nossa organização e inspiram a próxima geração”, afirma Kathleen Kramer, presidente e CEO do IEEE em 2025.

As cerimônias consolidam o papel estratégico do IEEE na definição de padrões técnicos e na valorização dos profissionais que impulsionam o desenvolvimento socioeconômico global por meio da engenharia.

Fonte: ADNEWS


Santander lança 35 mil bolsas gratuitas para formação em TI

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Programa realizado em parceria com a Dio oferece três trilhas com foco em Inteligência Artificial e empregabilidade

O Santander e a Dio anunciaram a primeira edição do Santander Bootcamp 2026, com a disponibilização de 35 mil bolsas de estudo online gratuitas, distribuídas em três trilhas especializadas: AI Java Back-end, AI React Front-end e Rust AI Developer.

As trilhas foram desenvolvidas para atender diferentes perfis e momentos de carreira, com projeto final aplicado, mentorias ao vivo e foco nas tecnologias exigidas pelo mercado. O programa prepara profissionais para um cenário em que o domínio técnico e a Inteligência Artificial (IA) são competências necessárias para atuar como profissional de TI.

“O objetivo do Bootcamp é abrir portas de verdade. Quando oferecemos formação em linguagens conectadas à IA, damos acesso às ferramentas que o mercado realmente usa. É sobre inclusão, oportunidade e garantir que mais pessoas possam disputar as melhores vagas de forma democrática em um setor que não para de crescer”, afirma Carolina Learth, sênior head de Plataformas de Educação do Santander.

A trilha AI Java Back-end, com 49 horas, ensina como construir sistemas que fazem aplicações se comunicarem pela internet, combinando uma das linguagens mais utilizadas por grandes bancos e empresas no mundo com recursos de IA. Nessa trilha, os participantes trabalham com Java 21, Spring Boot, Spring Security e Clean Architecture, integrando serviços como Whisper, da OpenAI, e Gemini. O projeto final é um assistente que responde perguntas por voz: o participante fala, o sistema entende e responde com precisão, tudo desenvolvido pelo próprio aluno ao longo da trilha.

A trilha AI React Front-end, com 42 horas, é para quem quer criar as telas e experiências usadas diariamente em sites e aplicativos. Com React 19, Vite, JavaScript ES6 e princípios de UI/UX Design, os participantes aprendem a construir interfaces modernas e intuitivas, com foco na experiência do usuário. Ao final, entregam um Educador Financeiro Inteligente: uma aplicação que ajuda a organizar objetivos financeiros e a receber orientações geradas pela API Gemini de acordo com a realidade do usuário.

A trilha Rust AI Developer, com 45 horas, é voltada para quem já tem experiência com programação e quer avançar para tecnologias usadas em sistemas que exigem máxima segurança e velocidade, como plataformas financeiras e de investimentos. Usando Rust, o framework Rocket e autenticação com JWT, os participantes constroem uma Carteira de Investimentos Inteligente completa: um sistema que monitora ativos em tempo real, dispara alertas de compra e venda e protege os dados do usuário.

Mais de 250 mil bolsas ofertadas

Ao todo, nos programas realizados em parceria com a Dio, o Santander já contribuiu para a oferta de mais de 250 mil bolsas gratuitas, sendo mais de 50 mil destinadas a mulheres, 60 mil para pessoas pretas e pardas e mais de 4 mil para pessoas com deficiência (PCDs). A iniciativa também amplia horizontes para além das grandes capitais, com cerca de 140 mil bolsas distribuídas para estados fora de São Paulo, levando a formação tech para todas as regiões do Brasil.

Ao concluir a trilha e emitir o certificado, cada participante passa a fazer parte da Talent Match, a plataforma de empregabilidade da Dio que conecta profissionais formados a oportunidades em empresas de tecnologia no Brasil e no mundo. O projeto final desenvolvido durante o bootcamp serve como portfólio técnico real, pronto para ser apresentado em processos seletivos.

Cronograma:

  • Inscrições: Abertas até 3 de maio de 2026
  • Seleção dos Contemplados: 4 e 5 de maio
  • Aceite dos Contemplados: 6 a 12 de maio
  • 2ª Chamada: 14 a 18 de maio
  • 3ª Chamada: 20 e 21 de maio
  • Início do Bootcamp: 25 de maio
  • Término do Bootcamp: 23 de agosto


Fonte: mercadoeconsumo


O império empresarial bilionário da elite secreta de Cuba

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Enquanto Cuba enfrenta a escassez e os apagões, um conglomerado empresarial vinculado às Forças Armadas do país administra secretamente bilhões de dólares.

A Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S. A.) não tem website, nem endereço de correio eletrônico institucional conhecido, nem canais oficiais de contato. Ela não publica balanços, nem aparece no orçamento estatal.

A Assembleia Nacional do Poder Popular e a Controladoria Geral da República de Cuba não podem auditar suas contas — mesmo com a empresa embolsando praticamente cada dólar recebido pelos negócios mais rentáveis do regime cubano: turismo, remessas financeiras, comércio exterior e missões médicas no estrangeiro.

A holding pertence às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR), mas também não está sob seu controle.

Em 2024, ela possuía bens no valor de pelo menos US$ 17,9 bilhões (cerca de R$ 89,4 bilhões), incluindo mais de US$ 14,4 bilhões (cerca de R$ 71,9 bilhões) em contas bancárias, segundo documentos vazados para o jornal americano Miami Herald.

A BBC não conseguiu verificar estes dados de forma independente.

Esta fortuna é maior que as reservas internacionais de países como o Equador, o Paraguai ou a República Dominicana. Ela ilustra a magnitude do império econômico representado pela Gaesa.

Tudo isso contrasta com a situação econômica de Cuba, um país praticamente falido, com queda acumulada de 15% do PIB nos últimos cinco anos e insolvente frente aos seus diversos credores internacionais.

Quase nove a cada 10 cubanos vivem em condições de extrema pobreza ou "sobrevivência", segundo estimou em 2025 o Observatório Cubano dos Direitos Humanos. E, neste ano, a crise no país se intensificou com apagões de várias horas por dia e com a escassez ainda maior de alimentos, combustíveis e medicamentos.


A miséria nas ruas de Havana contrasta com os modernos hotéis financiados
pelas corporações da Gaesa, como a Torre K — Iberostar Selection Havana (esq.),
inaugurada em 2025 - Imagem: reprodução

Nos últimos meses, o governo do presidente americano Donald Trump intensificou as sanções contra a ilha, com um bloqueio de facto do fornecimento de petróleo, que agravou os problemas de energia e abastecimento.

O contraste entre um Estado em bancarrota e a existência de uma entidade obscura que suga as principais fontes de receita sob o guarda-chuva militar levanta questões importantes que tentaremos responder a seguir.

Como opera a Gaesa? Quem está por trás dela? Onde ela guarda e investe o dinheiro?

Até que ponto esta economia paralela é responsável pela miséria que assola Cuba?

A BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) tentou entrar em contato com o governo cubano por diversas vias, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Qual é a sua origem e como ela opera

"A Gaesa funciona como uma grande holding, um polvo de vários braços que se apropriou da economia cubana em quase todos os seus setores rentáveis ao longo dos últimos 15 anos", explica Emilio Morales, presidente da consultoria Havana Consulting Group, que estuda a economia cubana.

Mas a Gaesa nasceu muito antes, na década de 1990. Ela era um mecanismo criado dentro das FAR para administrar empresas que operavam com divisas em plena crise econômica (o chamado Período Especial), após a queda da União Soviética (1922-1991).

Seu objetivo inicial era relativamente limitado: gerar recursos para as próprias Forças Armadas por meio de negócios vinculados ao turismo, comércio exterior e outros setores que captavam dólares.

Mas, com o passar do tempo, essa estrutura se transformou em um império financeiro.

A deterioração da saúde de Fidel Castro (1926-2016), até então líder hegemônico de Cuba, levou à ascensão ao poder do seu irmão Raúl, interinamente em 2006 e formalmente em 2008.

Desde então, o conglomerado começou a se expandir rapidamente e absorver empresas estatais estratégicas, entre elas a maior de todas: a Cimex.

"Ao se apropriar da Cimex, a Gaesa adquiriu toda a sua rede de empresas, dentro e fora de Cuba: corporações localizadas em paraísos fiscais como o Panamá, comércios varejistas em moeda local e em dólares, postos de gasolina, negócios imobiliários, exportação, importação, atacadistas...", explica Morales.


Durante anos, as remessas de dinheiro enviadas do exterior para Cuba através
da americana Western Union foram canalizadas pela empresa Fincimex, controlada
pela Gaesa (na foto, a sucursal da Western Union em Havana) - Imagem: reprodução


A holding foi englobando outras empresas rentáveis, como as especializadas no setor turístico Gaviota e Habaguanex, parte da operadora de internet Etecsa e a gestão do porto comercial de Mariel, o maior do país.

A Gaesa assumiu também o controle do Banco Financeiro Internacional (BFI), que opera as transações de Cuba com o exterior.

Na prática, a holding monopolizou quase todos os negócios que atraem dólares: o turismo, comércio, telecomunicações, bancos, remessas financeiras, logística e construção.

No papel, Cuba funciona em um sistema socialista, no qual a economia é monopólio do Estado. Mas a Gaesa não presta contas à Assembleia Nacional e mantém seus balanços em sigilo.

"Seus balanços são secretos, a imprensa cubana não a menciona e ela trabalha em total obscuridade", explica à BBC o economista Pavel Vidal, um dos maiores especialistas nas finanças de Cuba.

"E, na verdade, também não paga impostos e não aparece nos orçamentos do Estado, já que tem um orçamento independente. É uma economia dentro de outra", define ele.

O sigilo em torno deste império na sombra é enorme.

Em julho de 2024, a então controladora-geral de Cuba, Gladys Bejerano, foi exonerada após 14 anos no cargo. Ela havia admitido, em um aparente descuido durante uma entrevista à agência de notícias EFE, que o Estado não teria jurisdição para auditar a Gaesa.

Três anos antes, em 2021, o então ministro das Forças Armadas de Cuba, Leopoldo Cintra Frías, foi suspenso, segundo fontes, pouco depois de tentar promover uma investigação interna sobre a holding multimilionária ligada à sua pasta.

Não se sabe ao certo, em nenhum dos dois casos, se as destituições foram relacionadas às suas incursões nos assuntos da Gaesa ou se foram meras coincidências. Bejerano e Cintra Frías eram septuagenários quando foram afastados dos seus respectivos cargos.


O general Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, ex-genro de Raúl Castro,
era considerado o cérebro e promotor da Gaesa até sua morte, em 2022
 - Imagem: reprodução

O grupo empresarial foi presidido por anos pelo general Luis Alberto Rodríguez López-Calleja (1960-2022), ex-genro de Raúl Castro e considerado um dos homens mais poderosos do país.

Foi sob seu comando que a Gaesa assumiu o controle das principais empresas estatais, até se tornar a gigante que é hoje em dia.

Após a morte de Rodríguez López-Calleja, em 2022, a presidência do grupo passou para a sua vice, a generala-de-brigada Ania Guillermina Lastres.

Estes são os dois únicos nomes conhecidos deste conglomerado empresarial multimilionário. Mas quem forma a elite que controla a Gaesa e seus bens?

Quem são seus donos

Identificar os proprietários e diretores da Gaesa não é uma tarefa fácil.

Sua estrutura empresarial é extremamente obscura. Não se sabe quem lidera seus órgãos de decisão, não há um organograma oficial e boa parte das suas empresas operam por meio de redes societárias de difícil rastreamento.

Mas investigações jornalísticas, documentos vazados e relatórios de acadêmicos que passaram anos estudando o grupo oferecem importantes indícios sobre a elite deste poderoso conglomerado.

Segundo Emilio Morales, o poder é concentrado em um grupo seleto e reduzido. "Não ultrapassa 15 pessoas", revela ele.

"Não são nomes públicos, são muito herméticos. Eles têm designado a cada empresa um profissional de informática, um contador e um oficial da contrainteligência, para supervisionar toda a parte contábil", prossegue Morales, mencionando o testemunho anônimo de um ex-funcionário da Gaesa.

Ele afirma que a holding usa o aparato militar para garantir que o controle das suas empresas e operações permaneça sem ser questionado, mas quem realmente manda não são os generais das Forças Armadas.

"Na Venezuela, havia muitos arquipélagos de poder", compara ele.

"Diosdado [Cabello, ex-presidente da Assembleia Nacional] tinha o dele, [Vladimir] Padrino [ex-ministro da Defesa] o seu, [Nicolás] Maduro, Delcy [Rodríguez, atual presidente] etc."

"Mas o caso de Cuba é diferente. Raúl Castro nunca quis que os generais tivessem poder financeiro. Os generais existem para controle político."

Neste sentido, o presidente da plataforma acadêmica Cuba Século 21, Juan Antonio Blanco, explica à BBC News Mundo que Raúl Castro sempre tentou "evitar que os generais se corrompessem, tendo acesso a grandes valores em dinheiro".

Por isso, "a Gaesa foi reservada para um grupinho de elite da família Castro e os mais próximos", garante ele. "Existe um ou outro general, sim, mas não porque sejam generais, mas porque eram incondicionais, historicamente próximos da família de Raúl Castro."

Assim, a elite do colosso empresarial (ou parte dela) seria o entorno familiar e militar do general Raúl Castro, hoje com 94 anos. Oficialmente aposentado, ele continua sendo o homem mais poderoso de Cuba, segundo os analistas.


O ex-presidente cubano Raúl Castro, com seu neto e guarda-costas Raúl
Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como o 'Caranguejo', que alguns
especialistas relacionam à Gaesa - Imagem: reprodução


Raúl Castro tem quatro filhos: Déborah, Mariela, Nilsa e Alejandro Castro Espín. E também vários genros, netos e parentes próximos, que são vinculados a negócios e instituições importantes do poder.

Entre eles, estão seu influente ex-genro Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, morto em 2022, e o seu neto e guarda-costas Raúl Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como o "Caranguejo".

Rodríguez López-Calleja foi o artífice da grande transformação da Gaesa, antes uma limitada rede de empresas militares, em um gigantesco conglomerado que controla praticamente todas as atividades rentáveis do país.

Já em relação ao "Caranguejo", suas frequentes viagens ao Panamá na última década (foram mais de 20 entre 2024 e 2025, segundo fontes, muitas delas em aviões particulares) levaram muitas pessoas a associá-lo diretamente aos negócios milionários da holding.

Os especialistas também acreditam que o papel da atual presidente-executiva da Gaesa, Ania Guillermina Lastres, é principalmente operacional: ela representa e supervisiona a empresa, mas não faz parte do seu núcleo de proprietários, com poder de decisão e acesso aos seus fundos multimilionários.

O nome de Lastres é o único que se dá a conhecer neste emaranhado, já que não existe um organograma oficial.


A generala-de-brigada Ania Guillermina Lastres é a atual presidente da
Gaesa, mas os especialistas colocam em dúvida seu real poder sobre
a holding - Imagem: reprodução


Perguntar sobre o lado interno da Gaesa é como encontrar um muro pela frente. Muitas das suas empresas são estruturadas em redes de companhias e filiais, que ocultam os verdadeiros donos dos negócios.

"Os acionistas de uma empresa podem ser outra empresa; e, desta, uma outra empresa — uma cadeia de companhias, para que não se consiga realmente chegar ao verdadeiro dono", segundo Morales. "E, no fim, você encontra um nome que é colocado ali como testa de ferro."

Este tipo de estrutura é frequente em paraísos fiscais ou jurisdições com baixa transparência corporativa. Ela também dificulta seguir o rastro do dinheiro.

Daqui, surge outra pergunta importante: onde está e qual é o destino do dinheiro da Gaesa?

Onde está o dinheiro

O conglomerado passou mais de duas décadas ampliando sua presença em setores fundamentais do país, sem que ninguém conseguisse avaliar a magnitude do seu império econômico.

A Gaesa mantém suas contas em segredo e opera fora do escrutínio público. Mas o vazamento de documentos internos publicado no ano passado pelo Miami Herald trouxe um facho de luz, ao fornecer números específicos pela primeira vez.


Os documentos revelados pelo jornal americano Miami Herald mostram números multimilionários, em ativos, vendas e receita - Imagem: reprodução


Os documentos publicados pelo Miami Herald são compostos por 22 balanços financeiros internos, correspondentes a diferentes empresas do grupo.

Segundo eles, em março de 2024 o conglomerado controlava ativos avaliados em pelo menos US$ 17,894 bilhões (cerca de R$ 89,3 bilhões), incluindo US$ 14,467 bilhões (cerca de R$ 72,2 bilhões) líquidos em contas bancárias.

Estes números não incluem a Cimex, que é a maior empresa da holding. Por isso, acredita-se que a fortuna da Gaesa, pelo menos naquele momento, fosse ainda maior.

Os documentos também revelaram uma rentabilidade surpreendente. Foram mais de US$ 2,1 bilhões (cerca de R$ 10,5 bilhões) de lucros em agosto de 2024 em US$ 5,563 bilhões (cerca de R$ 27,8 bilhões) de receita, o que representa uma margem de cerca de 38%.

Em termos de comparação, as grandes empresas internacionais costumam registrar margens de lucro de 5% a 15%. Nem mesmo em setores muito lucrativos, é frequente que elas superem 20%.

Especialistas indicam que isso se deve a vários fatores.

Em primeiro lugar, a Gaesa explora todos os setores rentáveis da economia cubana que geram dólares, como o turismo e o comércio, mas não os deficitários, como a agricultura, educação e saúde pública, exceto pelas missões médicas.

Em segundo lugar, como Cuba restringe a entrada de outras corporações nesses setores, ela trabalha sem enfrentar concorrência.

Por fim, outro ponto importante é que a empresa se beneficia da dualidade de taxas de câmbio e de moedas. "Sua receita é principalmente em dólares, em divisas, e ela paga salários em pesos cubanos", explica Vidal.


Praticamente todas as empresas de transporte e serviços turísticos pertencem,
em última análise, à Gaesa, como a Transtur (da companhia Cubasol) e a
Transgaviota (grupo Gaviota) - Imagem: reprodução


O acadêmico José Antonio Blanco destaca ainda a vantagem de contar com o guarda-chuva das Forças Armadas Revolucionárias.

"Se a Gaesa construir um hotel, por exemplo, como empresa das FAR, ela adquire mão de obra e materiais do Ministério da Construção em pesos cubanos, mas o dinheiro gerado pelo hotel entra em dólares", explica ele.

A diferença entre as duas moedas é enorme.

Seis anos atrás, um dólar valia 24 pesos cubanos, mas a moeda local se desvalorizou drasticamente desde então. Hoje, no mercado informal, a cotação do dólar já supera largamente os 500 pesos, segundo dados do portal de referência El Toque.

Outra grande incógnita é onde está o patrimônio da Gaesa.

Os documentos vazados indicam que o conglomerado mantém parte dos seus lucros multimilionários no próprio sistema financeiro, o que dificulta o rastreio até o seu destino.

Segundo Pavel Vidal, o grupo também gerencia recursos que, na prática, funcionam como reservas internacionais paralelas do país, embora não estejam sob o controle do Banco Central de Cuba.

"Trabalhei no Banco Central e sei que a instituição não gerencia diretamente as reservas internacionais de Cuba, mas sim o Banco Financeiro Internacional (BFI), que pertence à Gaesa."

"Por isso, é preciso entender que essas reservas estão nesses US$ 14,5 bilhões [cerca de R$ 72,4 bilhões]", explica ele.

"Chamo de reservas internacionais para dar um nome, mas, na verdade, não deveriam ser chamadas assim. Elas não estão sob o controle da autoridade monetária, que é quem deveria respaldar a moeda, o sistema bancário e a dívida", destaca Vidal.


O aluguel de veículos para turistas está concentrado em empresas estatais,
como a Cubacar e a Havanautos, também vinculadas ao conglomerado militar
Gaesa - Imagem: reprodução


Sobre o paradeiro dessas reservas, Vidal calcula que "provavelmente elas estejam diversificadas: uma parte no BFI, mas também em bancos internacionais (russos, chineses,...) e, provavelmente, em paraísos fiscais".

"Não há informações precisas a respeito, mas, considerando que parte da lógica da Gaesa é evitar sanções, é razoável imaginar que essas reservas sejam bastante diversificadas e que uma parte esteja estruturada de forma a não ficar exposta a sanções", conclui ele.

É preciso destacar que os únicos relatórios financeiros da holding que foram publicados datam de 2024. Por isso, não se sabe que valores atingem seus ativos atualmente.

Por fim, a última pergunta: qual a possível responsabilidade da Gaesa pela desastrosa situação atual da economia cubana?

A influência na crise cubana

O peso do conglomerado na economia cubana é enorme.

Cálculos de Pavel Vidal e outros especialistas indicam que suas transações podem representar o astronômico nível de 40% do PIB do país.

Este poder financeiro permitiu à Gaesa manter uma estratégia de investimentos que, segundo seus críticos, seria totalmente desconectada das necessidades mais urgentes da população da ilha.

Enquanto a economia cubana atravessa décadas de crises, com setores produtivos disfuncionais e infraestruturas deterioradas, a Gaesa concentrou grande parte dos seus recursos em atividades destinadas a captar divisas, em vez de, por exemplo, revitalizar a produção agrícola e industrial do país.

Nos últimos anos, o conglomerado promoveu uma ambiciosa expansão dos negócios turísticos, especialmente na capital, Havana, onde foram construídos novos e imponentes hotéis. Os edifícios contrastam com a deterioração cada vez maior das ruas e das construções ao seu redor.

Enquanto isso, cada vez menos turistas visitam a ilha. O número de visitantes desabou de um pico de 4,7 milhões, em 2018, para 1,8 milhão no ano passado, quando a escassez e os apagões já se encaminhavam para os níveis extremos vividos hoje em dia.


O hotel Grand Aston Havana, inaugurado em 2022, com cerca de 600 apartamentos,
no bairro do Vedado, no centro da capital. Ele pertence ao grupo Gaviota, que
faz parte da Gaesa - Imagem: reprodução


Para Vidal, concentrar os recursos no setor turístico faz com que outras áreas estratégicas recebam menos investimentos, o que limita a capacidade do país de reativar setores produtivos que reduzam a escassez crônica de alimentos e modernizar a indústria de geração de eletricidade, que é cada vez mais disfuncional.

"O investimento no turismo foi fortemente desproporcional e se descuidou dos investimentos na agricultura, na rede elétrica e na manutenção das instalações geradoras", segundo o economista. "Isso explica, em parte, o que está acontecendo agora.

Outro exemplo do controle da Gaesa sobre as principais fontes de receita do país são as missões médicas internacionais. Elas são o negócio mais lucrativo de Cuba nos últimos anos, mais até do que o turismo.

Parte desta receita, segundo os especialistas consultados pela BBC, é canalizada para empresas do conglomerado empresarial militar. E, com base neste sistema peculiar, a Gaesa absorve boa parte das divisas que entram no país.

Some-se a isso o fato de que a Gaesa possui ativos (ou pelo menos detinha, em 2024) em volume que permitiria modernizar o setor agropecuário (que hoje produz apenas 20% do consumo nacional de alimentos) e restaurar o setor de geração de eletricidade da ilha.

As pressões recentes do governo americano sobre Cuba, que enfrenta uma situação limite, levaram muitos a pensar que o regime comunista vigente desde 1959 poderá cair ou protagonizar uma mudança drástica e forçada.

Se isso acontecer, é difícil prever o que ocorreria com o obscuro conglomerado econômico das Forças Armadas, construído durante as últimas três décadas em paralelo ao Estado cubano.

"Se houver uma transição, imagino que uma das primeiras medidas será encontrar o dinheiro da Gaesa, pois ele será muito necessário para uma fase de estabilização, de reconstrução", prevê Emilio Morales.

Fonte: BBC Brasil


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Autoritário, arbitrário ou maquiavélico? As polêmicas envolvendo Flávio Dino e a política maranhense

Imagem: composição

"Dê o poder ao homem e descobrirá quem ele realmente é" - Nicolau Maquiavel


SUSPENSÃO DE INQUÉRITO SOBRE FRAUDE A COTA DE GÊNERO ENVOLVENDO O PARTIDO PODEMOS EM SÃO LUÍS NA JUSTIÇA ELEITORAL


O relator constatou que a continuidade das investigações no juízo eleitoral, antes de pronunciamento do Supremo, pode comprometer prerrogativas parlamentares

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu parcialmente medida liminar na reclamação constitucional (Rcl) 93066 para suspender o trâmite do Inquérito Policial n° 060001294.2025.6.10.0003 e da Medida Cautelar n°0600015-49.2025.6.10.0003, que tramitam no Juízo da 2ª Zona Eleitoral de São Luís/MA.

Segundo o blog do Isaías Rocha apurou, o inquérito relacionado à chapa do Podemos foi instaurado com a finalidade de investigar uma possível organização criminosa dedicada à prática de delitos eleitorais. De acordo com as informações, o caso envolve fraude decorrente do uso de candidaturas fictícias nas eleições municipais de 2024 na capital maranhense, visando dissimular o cumprimento da cota de gênero.


Vereadores cassados, beneficiados com a decisão - Imagem: reprodução


Na reclamação ajuizada pelo vereador Fabio Macedo Filho (ao centro), a defesa alega que o Juízo da 2ª Zona Eleitoral teria usurpado a competência do STF durante o trâmite do procedimento criminal.

Isso ocorreu porque, segundo as alegações, o caso que investiga a suposta organização criminosa ligada a crimes eleitorais faz “menção expressa a diversas figuras políticas”, incluindo algumas com foro privilegiado no Supremo.

O relator do pedido, ministro Flávio Dino, concordou parcialmente com os argumentos e decidiu suspender a investigação em relação ao parlamentar até que o Supremo se manifeste sobre sua competência e análise um eventual desmembramento do inquérito que tramita em segredo de justiça.

“O risco de dano irreparável ou de difícil reparação também se evidencia. A continuidade de diligências investigatórias no juízo eleitoral, antes de pronunciamento deste STF, pode comprometer prerrogativas parlamentares”, frisou.

Clique aqui para ler a decisão


Por Isaías Rocha


Laudo atesta que Dino votou em ação dele mesmo contra ex-senador

Imagem: reprodução

Roberto Rocha (Novo) acusa ministro de usar cargo no STF contra rivais políticos no Maranhão, resgatando denúncia de 2022

O ministro Flávio Dino registrou voto para rejeitar um recurso em petição sobre queixa-crime que ele mesmo apresentou contra o ex-senador do Maranhão, Roberto Rocha, no Supremo Tribunal Federal (STF). É o que atesta o laudo da empresa Verifact, incluído em nova petição de Rocha contra a queixa-crime em que Dino o acusou de calúnia e difamação por ter denunciado que o ministro, quando governador do Maranhão, em 2022, teria usado suposta influência para coagir prefeitos a não apoiá-lo, por meio da Procuradoria-Geral de Justiça.

O ex-senador que se filiou na terça-feira (31) ao Partido Novo para disputar eleição ao Senado acusa Flávio Dino de suposto uso da Suprema Corte como instrumento político para perseguir rivais da política no Maranhão. Porque, argumenta Rocha, após se tornar ministro em 2024, Dino conseguiu reativar a queixa-crime que havia sido arquivada ainda em outubro de 2022, pela ministra-relatora Cármen Lúcia. O arquivamento havia sido determinado após a ministra concluir que as denúncias do então senador foram feitas sob a proteção da imunidade parlamentar, como também havia entendido a Procuradoria-Geral da República (PGR).

No laudo da empresa Verifact, elaborado sob a responsabilidade de Alex Ferreira Borralho, ficou registrado o voto de Dino em sessão virtual, entre 20h15 e 20h17 da última quarta-feira (25/03), na Primeira Turma do STF, presidida pelo próprio ministro autor da queixa-crime. O voto do ex-governador do Maranhão contra seu rival político no estado nordestino acompanhava o voto do ministro-relator, Alexandre de Moraes, no embargo de declaração no agravo regimental da Petição 10.541.

Antes do final do julgamento em sessão virtual, encerrado na sexta-feira (27), Dino anulou seu voto e se declarou impedido. Ainda assim, o desfecho foi favorável ao ministro, com votos de Moraes, de Cármen Lúcia e de Cristiano Zanin, pela manutenção da tramitação da queixa-crime e rejeição dos argumentos do ex-senador Roberto Rocha, que insistiam na tese de sua imunidade parlamentar e pediam que a eventual ação penal tramite na primeira instância, não mais no STF.

Veja trecho do laudo:

Imagem: reprodução

Erro no sistema

Antes de publicar esta matéria, o Diário do Poder enviou pedidos à assessoria de imprensa do STF por posicionamentos dos ministros citados. Após a publicação, o gabinete do ministro Flávio Dino informou o seguinte: “O ministro se declarou impedido. Houve erro no sistema que não registrou o impedimento do ministro, mas foi corrigido no dia 26”.

Política no Supremo

Ao Diário do Poder, o ex-senador reforçou as acusações contra Flávio Dino, afirmando que, se o ministro é capaz de usar o STF como instrumento político para perseguir adversários políticos no Maranhão, poderia se imaginar o que ele não teria sido capaz de fazer numa eleição, em 2022, quando ele era candidato a senador. E relatou ter perdido 120 de 126 apoios de prefeitos à sua candidatura ao Senado e à do senador Weverton Rocha (PDT-MA) a governador.

Ex-senador Roberto Rocha (Novo-MA) denunciou ministro Flávio Dino de perseguição via STF. ”Denunciei isso na Tribuna do Senado, que ele enquanto candidato a senador estava aparelhando as instituições para chantagear prefeitos e candidatos a deputado da minha coligação para poder declarar apoio a ele. […]Cabia ele se defender. Nunca o fez. Eu denunciei normal, como qualquer político no exercício do mandato faz e pela Constituição está imune. No artigo 53 tá escrito ‘pelas suas palavras, opiniões e votos’. Isso é é a imunidade parlamentar”, disse Roberto Rocha.

O ex-senador relata que foi alvo de cinco queixas-crime apresentas por Flávio Dino, com quatro já derrubadas no Supremo. “Ao chegar no Supremo, Flávio Dino pediu ao Alexandre Moraes, ele desarquivou”, relembrou Rocha, ao citar que o processo estava parado desde dezembro de 2024, quando seu advogado fez um embargo, com a PGR se manifestando ao seu favor.

Mas o ex-senador destacou que a decisão de enviar o caso para julgamento virtual foi publicada no dia 11 do mês de março, um dia após a pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas (veja aqui) apontar que ele e o governador maranhense Carlos Brandão (PSB) seriam eleitos para as duas vagas em disputa ao Senado no Maranhão.

“Acendeu o sinal de alerta, né?, para eles todos. Bom, se no mês de março um estado como o Maranhão, que fica no Nordeste, tá elegendo o senador da direita, imagina quando chega outubro. O que está em discussão é isso, é o próximo Senado, é próxima legislatura, é essa que é a discussão. Não é o caso de 2022, não! O que está em discussão é 2026! Ou seja, ele tá fazendo política, completamente fazendo política”, denunciou o ex-senador.

Roberto Rocha ainda demonstrou estranhamento com o fato de a ministra Carmen Lúcia, quatro anos após arquivar o caso, ter mudado seu voto, para votar contra seu recurso. Mas o rival do ministro maranhense ressalta que o mais incrível foi Dino ter votado acompanhando o relator Alexandre Moraes, numa ação que o próprio ex-governador integrante do STF moveu contra o ex-senador.

“Ou seja, alguém deve ter dito para ele que isso é loucura. E no dia seguinte ele mudou o voto para impedido. E foi feito inclusive uma auditoria, né? Então, imagina você, o cara na Suprema Corte é capaz de votar contra um adversário político num processo em que ele é o autor e ele que preside a sessão da Primeira Turma do Supremo. Pois se ele se declarou impedido, ele não podia estar presidindo uma sessão dessa, cara. É completamente nula a sessão. Lamento que isso tudo esteja acontecendo em nosso país”, protestou o ex-senador.

Para Roberto Rocha, o Supremo já teria passado de todos os limites, há muito tempo. “Eu acho que do jeito que tá aí, chega até o dia da eleição, o Supremo ainda muito, mas muito mais rejeitado pela população brasileira. E a população brasileira é arriscado ir para as ruas, protestar contra isso. […] Então, eu serei o fiel depositário dessa indignação popular no dia da eleição. E é isso que ele [Dino] não quer.  Senadores completamente comprometidos em levantar o Senado que tá de cócoras, de joelho, perante o Supremo”, concluiu Roberto Rocha.

STF acolhe tese de abuso 

Ao manter a tramitação da queixa-crime contra Roberto Rocha, os ministros Zanin e Cármen Lúcia acolheram o entendimento de Moraes de que o STF havia  contra concluído pela justa causa para a ação penal contra o ex-senador. E concluíram não haver omissão do acórdão embargado, porque haveria mero inconformismo de Rocha com o desfecho do julgamento.

Prevalecendo, a queixa-crime, Roberto Rocha responderá à acusação do ministro de que, em 10 de agosto de 2022, o então senador teria feito um pronunciamento, “em  ambiente virtual e na ocasião usou-se de forma nitidamente abusiva do seu direito à liberdade de manifestação, prolatando diversas acusações caluniosas e difamatórias em desfavor” de Dino, “de forma a vulnerar intencionalmente sua reputação”.

Ainda segundo a queixa-crime que tramita no STF, as acusações de Roberto Rocha “são graves e não guardam qualquer relação com sua atividade parlamentar”, mesmo com o então senador ter enviado ofício à Presidência do Senado pedindo providências, por não provar qualquer investigação em curso. Dino vê “animus caluniandi”, por Rocha ter imputado ao ministro crimes de “constrangimento ilegal, ameaça e prevaricação”, além de “fatos ofensivos a sua reputação”.

Por Davi Soares


Dino assume no STF investigações contra adversário no Maranhão

Flávio Dino e Carlos Brandão - Imagem: reprodução

Ministro comanda apurações sobre compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado pelo governador Carlos Brandão (SEM PARTIDO) e seus familiares e possível interferência em caso de homicídio

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, é relator de ao menos 4 investigações da Polícia Federal contra o atual governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), e familiares. As apurações citam compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado e possível interferência em julgamento no Superior Tribunal de Justiça em um caso de homicídio. 

Antes de assumir o governo estadual, em 2022, Carlos Brandão foi vice-governador na chapa encabeçada por Dino, de 2015 a 2022. Brandão rompeu politicamente com o grupo em 2024, depois que Dino, já ministro do Supremo, suspendeu em decisão liminar (provisória) a indicação feita pelo atual governador para uma das vagas para o TCE.

Aliados de Brandão afirmam que o ministro tem atuado para favorecer a pré-candidatura de Felipe Camarão (PT), atual vice-governador e adversário de Brandão, para a disputa ao Palácio dos Leões em 2026. O governador apoia a candidatura de seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB), atual secretário de Assuntos Municipalistas. 

Questionado pelo Poder360, o gabinete de Flávio Dino afirmou que o ministro não se manifesta sobre as investigações em andamento e não comenta “assuntos de natureza política”, como determina a Lei Orgânica da Magistratura.

Em 3 de março, Dino requisitou ao gabinete do ministro André Mendonça o acesso às provas colhidas pela operação Sem Desconto contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Aliado de Brandão, o congressista passou a ser investigado por ser suspeito de “tentar cooptar” um ministro do STJ para “garantir a impunidade de pessoas”, segundo dados do processo, no caso do assassinato de João Bosco Pereira, em agosto de 2022, no Tech Office, um prédio comercial em São Luís (MA). 

Nas investigações sobre o homicídio, foi identificado um possível envolvimento de Daniel Brandão, presidente do TCE-MA e sobrinho de Carlos Brandão. Gilson Cesar Soares Curtinum Junior, acusado de ser o matador, foi o único denunciado pelo Ministério Público do Maranhão. Em 11 de setembro de 2024, o Tribunal do Júri condenou apenas Gilson pelo homicídio.  

Agora, as apurações retornam aos casos para averiguar se a presença de Daniel Brandão perto da cena do crime tinha alguma relação direta com o homicídio. O sobrinho do governador foi indicado ao Tribunal de Contas em 2023 e detém prerrogativa de foro privilegiado no STJ.

Em outubro de 2025, a defesa dele apresentou um habeas corpus ao Supremo, indicando uma interferência de Weverton no julgamento da progressão da pena de Gilson, que até então estava em análise no Superior Tribunal de Justiça. O processo subiu para o STF por causa do foro privilegiado do senador e foi designado ao gabinete de Flávio Dino por sorteio. 

O ministro determinou que fosse aberta uma investigação pela Polícia Federal para apurar se há indícios de que o congressista atuou para atrapalhar o processo no STJ. Dino também indicou uma conexão entre as apurações envolvendo Weverton e outro inquérito, também sob sua relatoria, que apura venda de indicação de vagas ao TCE mediante contrapartidas políticas. Um dos investigados é Carlos Brandão. 

A defesa de Brandão nega qualquer irregularidade no processo de indicação ao Tribunal Eleitoral e sustenta que o Supremo não tem competência para analisar as investigações, uma vez que a prerrogativa de foro privilegiado para governadores é do STJ. O grupo do governador também afirma que Dino suspendeu duas indicações para o TCE em ações de inconstitucionalidade sob sua relatoria.

Trata-se de ações que questionam a constitucionalidade do rito de indicação dos conselheiros na Assembleia Legislativa do Maranhão por uma “tramitação secreta”. Em fevereiro de 2024, Dino foi sorteado relator de pedidos da PGR (Procuradoria Geral da República) e do partido Solidariedade contra o modelo de indicação. Em liminar, o ministro suspendeu o processo de indicação.

A liminar chegou a ser submetida ao referendo do plenário, em março de 2024, mas o julgamento foi interrompido com o pedido de vista do ministro Kássio Nunes Marques. Nos autos dessas duas ações, a advogada Clara Alcântara Botelho Machado apresentou um pedido para ser amicus curiae (que significa amigo da corte) no caso, alegando que havia indícios de irregularidades no sistema de indicação – possível venda de indicações para o TCE e nepotismo.

Dino negou o pedido de amicus curiae, uma vez que pessoa física não pode acompanhar os processos nessa condição, mas determinou a abertura de uma investigação sobre o caso. As apurações estão a cargo da Polícia Federal e têm como principais alvos o governador Carlos Brandão e seu sobrinho Daniel.

ELEIÇÕES 

Aliados de Carlos Brandão afirmam que as investigações não têm conexão direta e que o ministro Flávio Dino tem interesses eleitorais no Estado. Segundo o grupo, Dino quer fortalecer a candidatura de Felipe Camarão (PT) para o governo estadual. Camarão é investigado pelo Ministério Público do Estado por lavagem de dinheiro e se mantém no cargo de vice-governador enquanto o Tribunal de Justiça do Maranhão julga um pedido liminar para o seu afastamento da função pública. 

Procurado, o gabinete do ministro Flávio Dino declarou que não se manifestará sobre alegações de cunho político. “A assessoria do ministro Flávio Dino informa que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, é vedado ao magistrado se manifestar ou emitir opinião sobre processos em tramitação e comentar assuntos de natureza política”, declarou.

O Poder360 tentou entrar em contato com o senador Weverton Rocha, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato com o congressista e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada. 

Este jornal digital também procurou a assessoria de comunicação de Carlos Brandão e pediu uma manifestação do governador sobre as investigações da PF. O Poder360 atualizará esta reportagem caso uma manifestação seja enviada.

Por Nino Guimarães


Fontes: blog passandoalimpo / diariodopoder / poder360


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