sábado, 28 de fevereiro de 2026

Da crise à Warner: a ascensão de poder da Paramount

Imagem: reprodução


Com a Skydance, companhia se fortaleceu e está perto de adquirir a Warner Bros. Discovery, formando uma nova gigante global de mídia

Quem olhava para a situação da Paramount no início de 2024 não imaginaria que, dois anos depois, a companhia de mídia conseguiria derrubar a Netflix na disputa pela compra de outra gigante do segmento do entretenimento global: a Warner Bros. Discovery.

Na época, a companhia, que é dona de marcas como Paramount Pictures, MTV, Nickelodeon, CBS, Comedy Central e outras, vinha um prejuízo de US$ 1,6 bilhão com seu streaming, o Paramount+, em 2023.

Para tentar sair da situação, a empresa já olhava o mercado tentando encontrar alguma solução. Em abril daquele ano, Bob Bakish foi demitido da função de CEO. Ele liderava a Paramount desde 2016, ainda pela Viacom, e passou por duas fusões: a primeira, entre Viacom e a CBS, em 2019, e a segunda dessa companhia resultante com a Paramount, em 2022.

A Paramount não procurou outro CEO para substituir Bakish porque, na época, a companhia já estava à venda. O fundo de capital Apollo Global chegou a oferecer US$ 11 bilhões para compras as divisões de cinema e TV. O negócio, porém, não foi aceito.

A Paramount só definiria seu futuro no ano seguinte, em julho de 2025, quando se uniu à Skydance Media, em uma fusão que movimentou US$ 8 bilhões. Desde então, a Paramount passou a ser liderada por David Ellison, filho do bilionário da tecnologia Larry Ellison, fundador da Oracle.

A fusão entre Paramount e Skydance Media foi aprovada pela Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos.

Na época, a Skydance prometeu injetar novo capital e investir em nova tecnologia para a Paramount, que vinha perdendo espectadores e verbas publicitárias.

O início da disputa pela Warner Bros. Discovery

Em setembro de 2025, logo após a fusão, a Paramount Skydance preparou a primeira oferta pela Warner Bros. Discovery, que já buscava um comprador.

O Wall Street Journal acompanhou os bastidores das ofertas iniciais e já apontava o grande interesse de Ellison em fazer negócio com a WBD. Na época, a imprensa internacional já calculava que o possível negocia criaria uma gigante global do entretenimento, com um portfólio de marcas que ia desde redes de notícias como CBS e CNN até ícones como HBO Max e os estúdios da Paramount e Warner Bros.

Inicialmente, as conversas entre os dois lados não fluíram. Em outubro de 2025, o conselho da WBD rejeitou a oferta inicial da Paramount, de cerca de US$ 20 por ação. As duas empresas, porém, nunca deixaram de dialogar e de tentar evoluir nos negócios.

Em novembro, a Paramount começou a lidar com concorrentes de peso na disputa pela Warner Bros. Discovery, que também fizeram propostas formais: a Netflix e a Comcast.

Netflix quase levou

Tudo parecia perdido para a Paramount no dia 5 de dezembro, quando a WBD e a Netflix divulgaram um comunicado afirmando um acordo para a fusão das duas companhias.

A transação, feita em dinheiro, envolveria o pagamento de US$ 27,75 por ação, sendo que o valor total da empresa ficará em torno de US$ 82,7 bilhões. Desse montante, o valor patrimonial de US$ 72 bilhões.

Até mesmo os assinantes da Netflix foram informados, através de um e-mail, que em breve o portfólio das duas gigantes de streaming (Netflix e HBO Max) seria unificado.

A Paramount, porém, não desistiu diante do que já parecia definido. Logo depois, no dia 8 de dezembro, a Paramount fez uma oferta hostil pela WBD, ampliando os valores oferecidos.

A oferta da Paramount foi e US$ 30 por ação, o que equivale a US$ 108,4 bilhões – mais do que a Netflix havia acordado.

Pouco mais de uma semana depois, os conselheiros da Warner recomendaram à rejeição à oferta hostil da Paramount, sinalizando a preferência pela manutenção da negociação com a Netflix.

Já em janeiro, a Paramount abriu um processo contra a Warner, pedindo detalhes sobre informações financeiras detalhadas nas quais a empresa teria se baseado para se decidir pela Netflix.

Os ânimos se acalmaram um pouco e, no último dia 10, a Paramount melhorou sua oferta, adicionando a “taxa de marcação” (ticking fee) para sinalizar confiança regulatória, entre outros novos elementos. O valor, no entanto, permaneceu o mesmo já oferecido antes: US$ 30 por ação, em dinheiro, o que equivale a US$ 108,4 bilhões.

As conversas seguiram e, na segunda-feira, 23, a Paramount apresentou novamente sua proposta, melhorando a quantia inicial de US$ 108,4 bilhões, chegando a US$ 31 por ação, e deixando claro o objetivo de sanar as eventuais preocupações da Warner Bros. a respeito do financiamento.

A reviravolta

Nessa quinta-feira, 26, tudo mudou quando a Warner Bros. Discovery, em comunicado, afirmou estar analisando a proposta da Paramount e deu à Netflix quatro dias para apresentar uma nova proposta.

Surpreendendo quem acompanhava as negociações, a Netflix, via comunicado, declarou que não apresentaria uma nova oferta e que preferia deixar a negociação.

Os coCEOs da Netflix, Ged Sarandos e Greg Peters, divulgaram que o acordo “não é mais financeiramente atraente” e que “sempre foi bom se fosse pelo preço certo, e não obrigatório a qualquer preço.”

Disseram, ainda, que “a transação que negociamos teria criado valor para os acionistas com um caminho claro para a aprovação regulatória. No entanto, sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o acordo não é mais financeiramente atraente, então estamos recusando igualar a proposta da Paramount Skydance.”

“A Warner Bros. é uma organização de classe mundial, e queremos agradecer a David Zaslav, Gunnar Wiedenfels, Bruce Campbell, Brad Singer e ao Conselho da WBD por conduzir um processo justo e rigoroso”, acrescentaram. “Acreditamos que teríamos sido fortes guardiões das marcas icônicas da Warner Bros., e que nosso acordo teria fortalecido a indústria do entretenimento e preservado e criado mais empregos de produção nos EUA”, completaram.

A saída da Netflix abre caminho para que WBD e Paramount finalmente firmem o acordo, criando, assim, uma nova gigante do entretenimento global.

A Paramount também concordou em pagar a taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões de dólares que a Warner Bros. teria que pagar à Netflix para encerrar o acordo de fusão existente.

Fonte: meioemensagem



Carreira turbinada: Minha Biblioteca lista 5 e-books para aprimorar competências técnicas e comportamentais


Estudantes universitários podem ter acesso gratuito aos livros; entenda

Noções básicas de empreendedorismo, finanças e inteligência artificial são importantes para a carreira, independentemente da área. Além das competências técnicas, aspectos comportamentais também são analisados por recrutadores - e não é incomum que eles sejam fatores de maior peso na hora da contratação.

Para ajudar a desenvolver diferentes skills, a Minha Biblioteca, ecossistema de aprendizagem que inclui uma plataforma de livros digitais, indica cinco livros que são referências e complementam a aprendizagem acadêmica e o desenvolvimento profissional. E a boa notícia: para estudantes universitários, a leitura pode estar disponível gratuitamente, isso porque a plataforma está presente nas principais universidades públicas e privadas do país.

Embora centenas de instituições de ensino já ofereçam a biblioteca digital como complemento à física, muitos estudantes ainda não exploram o potencial da plataforma. “Existe a leitura recomendada pelos professores, mas há também uma infinidade de títulos que o aluno pode acessar para estudar e aprofundar em sua área de atuação ou até em outras que tenha curiosidade”, explica Adriano Girelli, Gerente de Produtos da Minha Biblioteca, que reforça que o acesso a livros não relacionados ao curso depende do contrato de cada universidade.


5 e-books para aprimorar competências técnicas e comportamentais 


Sonhe, crie e impacte: empreendedorismo essencial para mudar o mundo (José Dornelas)

Integrante da Coleção Essencial, o livro reúne conteúdo indispensável para quem quer empreender, unindo abordagem didática, visual moderno e leitura leve. Escrito por José Dornelas, um dos maiores especialistas em empreendedorismo no Brasil, combina teoria atualizada com prática aplicada para apoiar estudantes, professores e iniciantes na área.



Inteligência Artificial - mitos e verdades (Adriano Mussa)

O livro tem o objetivo esclarecer ao leitor o que é mito e o que é verdade em Inteligência Artificial, mostrar quais técnicas e aplicações estão mais ou menos avançadas para uso, além de habilitar qualquer pessoa a reconhecer as reais capacidades da tecnologia.




Gestão financeira empresarial: aplicações reais para desafios financeiros do mundo empresarial (Cláudio Gonçalves dos Santos e Sérgio Volk)

A obra mostra como a gestão financeira se tornou estratégica em todas as áreas da empresa, conectando teoria e prática a partir de experiências reais de consultoria. Ensina a interpretar indicadores, avaliar investimentos, analisar capital de giro e fluxos de caixa, além de antecipar crises para apoiar decisões mais eficazes. 


Neurociência da memória: 7 Passos para aprimorar o poder do seu cérebro, melhorar a memória e manter a mente ativa em qualquer idade ( Sherrie D. All)

Baseado em descobertas recentes da neurociência, o livro apresenta um programa de sete passos para fortalecer conexões neurais, melhorar a memória e manter a mente ativa. Traz técnicas práticas para o dia a dia, incluindo alimentação, exercícios e hábitos saudáveis, ajudando o leitor a entender e potencializar o funcionamento da própria memória.


O que há de melhor em nós: trabalhar e honrar a vida (Christophe Dejours)

Na obra, o autor mostra como o trabalho pode ser fonte de realização quando temos liberdade para usar nossa inteligência e criatividade — e como o contrário disso pode gerar sofrimento. Ao explicar o papel da “sublimação” de forma humana e prática, o livro revela por que alguns ambientes favorecem prazer e saúde mental, enquanto outros adoecem. Uma leitura importante para quem busca entender melhor a relação entre trabalho e bem-estar.


Sobre a Minha Biblioteca

A Minha Biblioteca (MB) é um ecossistema de aprendizagem que combina tecnologia, inovação, consultoria especializada, biblioteca digital e um acervo com mais de 15 mil ebooks relevantes para a formação. A MB é parceira estratégica das Instituições de Ensino Superior (IES), oferecendo recursos práticos para docentes, discentes, bibliotecários e gestores. Tudo isso de maneira simplificada.

Há 14 anos no mercado e formada por mais de 50 editoras, a MB ajuda as instituições a atingir nota máxima no conceito MEC e a garantir a conformidade regulatória. Mais informações, acesse o site: minhabiblioteca.com.br

Fonte: Bendita Imagem / Barbara Anselmo


Viagem com propósito: por que o turismo de experiência cresce entre quem busca bem-estar

 

Imagem: reprodução / divulgação

A alta no turismo de bem-estar reflete uma mudança de comportamento: cada vez mais, o destino é escolhido com intenção e coerência com valores pessoais

A decisão de viajar vem mudando de natureza. Em vez de ocupar apenas o calendário de férias, a experiência começa a integrar projetos pessoais de bem-estar, aprendizado e posicionamento de vida. O destino deixa de ser um ponto no mapa e passa a representar uma escolha coerente com prioridades, valores e momento profissional.

Os números ajudam a contextualizar essa mudança. O turismo internacional superou 1,4 bilhão de chegadas em 2024, ultrapassando os níveis pré-pandemia, segundo a Organização Mundial do Turismo. No segmento de bem-estar, o Global Wellness Economy Monitor aponta movimentação de US$830 bilhões em 2023, com projeções de crescimento contínuo. A expansão, porém, não se resume a volume. Ela revela um viajante que busca mais intenção e menos improviso.

Para a curadora de viagens de luxo Carmita Ribeiro e criadora do projeto Mala Vermelha pelo Mundo, o deslocamento geográfico passou a representar também um movimento interno. “Viajar deixou de ser um evento isolado no calendário. Quando existe planejamento e curadoria, a experiência conversa com o momento de vida da pessoa e influencia como ela se percebe no mundo”, afirma.

Segundo ela, a diferença está na qualidade das decisões que antecedem o embarque. “Escolher um destino não é apenas decidir para onde ir. É entender o que aquela vivência pode ampliar em termos de cultura, descanso, conexão ou autoconhecimento. A viagem precisa ter coerência com a fase que a pessoa está vivendo”, diz.

Pesquisas de comportamento reforçam essa tendência. O Traveller Value Index 2024, da Expedia Group, mostra que 76% dos viajantes priorizam experiências em vez de bens materiais. O dado sinaliza um deslocamento do consumo tradicional para vivências que produzam memória e significado.

Para Carmita, o planejamento não significa rigidez, mas preparo. “Quando a viagem é pensada com antecedência, reduz-se o risco, evita-se frustração e amplia-se o aproveitamento do tempo. Isso impacta diretamente a sensação de segurança e conforto”, explica. Ela destaca que roteiros detalhados, compreensão do contexto histórico do destino e escolhas estratégicas de hospedagem e gastronomia influenciam na forma como a experiência será lembrada.

Com passaporte carimbado em mais de 65 países, a empresária observa que mulheres com maior autonomia financeira têm liderado decisões de viagem com foco em qualidade e propósito. “Há uma busca crescente por experiências que expandem o repertório cultural e fortaleçam a autonomia. Viajar passa a ser também um gesto de protagonismo”, afirma.

Nesse contexto, a curadoria personalizada ganha espaço como ferramenta estratégica. Em vez de acumular destinos, o viajante passa a organizar experiências que dialoguem com seus valores e prioridades. “A viagem pode ser descanso, celebração ou transformação. O que define o impacto não é a distância percorrida, mas a intenção colocada nela”, diz Carmita.

O avanço do turismo de experiência, sustentado por dados globais e mudanças de comportamento, consolida a viagem como mais do que deslocamento; ela se torna escolha consciente, investimento em memória e ampliação de visão de mundo, reflexo de um consumidor que cresce não apenas em mobilidade, mas em maturidade. 

Ao migrar do impulso para a intenção, a viagem passa a ocupar um lugar mais profundo na trajetória pessoal. Não se trata apenas de onde se vai, mas de como se escolhe ir e do que se deseja levar de volta. Quando inserida em um projeto de vida, a experiência deixa de ser lembrança passageira e se torna parte da construção de identidade e bem-estar.

Sobre Carmita Ribeiro

Carmita Ribeiro é curadora de viagens de luxo, empresária e criadora do projeto Mala Vermelha pelo Mundo. Pernambucana, iniciou suas viagens internacionais ainda na infância e já percorreu mais de 65 países. Atuou por 12 anos como proprietária de uma pousada de charme na Praia dos Carneiros, em Pernambuco, experiência que consolidou sua atuação no turismo de alto padrão. Desde 2024, dedica-se à produção de conteúdo editorial autoral, sempre baseada em vivências próprias, com foco em cultura, gastronomia, hospitalidade e bem-estar. O projeto reúne uma audiência majoritariamente feminina, interessada em experiências sofisticadas e viagens planejadas com atenção ao detalhe.

Fonte: Lara ComunicaçãoCarolina Lara


Guanabara amplia operação no Maranhão com novas rotas e reforço da ligação São Luís-Tutóia e São Luís-Cândido Mendes

Imagem: reprodução / divulgação


A Guanabara amplia sua presença no Maranhão com o lançamento de novas rotas intermunicipais a partir deste domingo (1º). Inicialmente, passam a operar as ligações de São Luís para Belágua, Urbano Santos e Humberto de Campos, ampliando a conectividade da capital com municípios do interior.

Além das novas rotas, a empresa reforça a operação em outros destinos, com ampliação da grade de horários na linha São Luís–Tutóia, via Barreirinhas, e também na rota São Luís x Cândido Mendes, via Carutapera, fortalecendo a integração regional e atendendo à crescente demanda de passageiros.

A iniciativa integra o planejamento da empresa de ampliar a oferta de serviços no Estado, oferecendo mais opções de deslocamento para compromissos regulares, atividades comerciais, turismo e conexões regionais.

As operações serão realizadas com veículos executivos equipados com 46 assentos, ar-condicionado, toalete e poltronas reclináveis, mantendo o padrão operacional da empresa e ampliando o conforto e a comodidade para os passageiros.

Programa de fidelidade e canais oficiais

Com o início da nova operação, os clientes poderão acumular pontos no programa Viva Fidelidade e adquirir passagens por meio dos canais digitais e físicos oficiais da empresa, incluindo o aplicativo Viagem Guanabara, o site oficial e agências autorizadas.

A empresa reforça que, para garantir a pontuação no Viva Fidelidade, as compras devem ser realizadas exclusivamente nos canais oficiais. Aquisições feitas por plataformas de terceiros não são elegíveis para o acúmulo de pontos.

Os interessados podem se inscrever através do site oficial da empresa https://www.vivafidelidade.com.br, nos guichês das rodoviárias, durante o processo de compra online ou utilizando o aplicativo oficial da Guanabara. 

Sobre a Guanabara

A Expresso Guanabara nasceu em agosto de 1992. Com sede em Fortaleza e atuação de Norte a Sul, a empresa interliga as principais capitais e cidades do país, chegando a mais de duas mil opções de destinos para seus passageiros. A busca pela excelência técnica, o elevado grau de comprometimento com seus funcionários e a qualidade dos serviços oferecidos aos clientes renderam a Guanabara por quatro vezes o título de melhor empresa de ônibus do Brasil, em 2013, 2022, 2024 e 2025, no Prêmio Maiores & Melhores do Transporte.

Em 2023, a Guanabara deu um grande passo rumo à expansão da operação pelo país. As empresas do setor rodoviário Real Expresso, Rápido Federal, UTIL, Viação Sampaio e Brisa passaram a adotar uma única identidade corporativa e hoje também fazem parte da marca Guanabara. São mais de 400 veículos de última geração, sintonizados com tecnologias de ponta em mecânica, design e conforto. Saiba mais em https://www.viajeguanabara.com.br/.

Fonte: Capuchino Press Tobias Saldanha


Votação do acordo Mercosul-UE deve unir governo e oposição no Senado

Indicada como relatora no Senado, Tereza Cristina acredita que o texto também
será aprovado pelos senadores - imagem: reprodução


A criação da maior área de livre comércio do mundo deve contar com o apoio de senadores e senadoras tanto do governo quanto da oposição. Parlamentares ouvidos na quinta-feira (26) disseram que a matéria deve ser aprovada pelo Plenário do Senado nas próximas semanas.

Na quarta-feira (25), a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de decreto legislativo que trata do Acordo Mercosul-União Europeia, o PDL 41/2026, que chegará ao Senado nos próximos dias.

O acordo internacional determina a redução gradual, em até 18 anos, na média, das tarifas comerciais entre os cinco países do Mercosul e os 27 da União Europeia, criando regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas e investimentos.

Potência agroambiental

Já indicada como relatora da matéria no Senado, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) disse que o tratado trará benefícios para todo o Brasil.

— Ainda irei conversar com o presidente Davi sobre qual será o rito de tramitação aqui na Casa. Acredito que o acordo também será aprovado, mas com algumas recomendações necessárias, sobretudo em relação às novas salvaguardas impostas de última hora pelos europeus. Precisamos, sim, avançar no nosso comércio exterior com grandes parceiros, como a potência agroambiental e industrial que somos — declarou Tereza Cristina.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE), por sua vez, disse que o projeto que aprova o texto do acordo terá tramitação célere no Senado. O Acordo Provisório de Comércio entre o Mercado Comum do Sul e a União Europeia está em negociação há 25 anos.

— Eu acredito que esse é um assunto que já está bem discutido, inclusive entre os senadores. Acredito que o Brasil ganha pontos com isso. E eu acho que mais ajuda do que atrapalha a nossa nação. Se depender de mim, e conversando com outros colegas, eu sinto uma abertura, que vai ser rápido aqui como foi na Câmara dos Deputados — afirmou Girão.

Conquista

O senador Humberto Costa (PT-PE) destacou que o acordo vai aumentar as exportações brasileiras, alavancando a geração de empregos e o crescimento econômico.

— É uma grande conquista não só para o Brasil, mas para o Mercosul como um todo. Nós passaremos a ter o maior tratado de livre comércio do mundo, envolvendo países que somam uma população de mais de 700 milhões de pessoas. Será muito importante para as nossas exportações, especialmente na área agrícola, na área de serviços. Por outro lado, abrirá um espaço importante para investimentos europeus — disse o senador.

O governo federal defende a aprovação com o argumento de que o acordo vai ampliar as exportações, atrair investimentos estrangeiros e ampliar e facilitar o acesso de produtos brasileiros ao mercado internacional.

Entre as cláusulas está a proteção aos agricultores europeus, com limite de importação de produtos agrícolas sensíveis, como carnes, arroz, açúcar e álcool. Também haverá proibição de exportar produtos vindos de áreas de desmatamento ilegal, padrões de regras sanitárias e fitossanitárias para os países do Mercosul na mesma linha do que existe na Europa e regras rígidas de segurança alimentar. Além disso, as empresas do Mercosul poderão disputar licitações na União Europeia com menos custos e burocracia para grandes, médios e pequenos exportadores. 

23 capítulos

Assinado em 17 de janeiro deste ano, em Assunção, o tratado cria uma área de livre comércio entre os dois blocos. O texto contém 23 capítulos que tratam, entre outros pontos, da redução de impostos de importação e da criação de regras para:

  • serviços;
  • investimentos;
  • compras públicas;
  • propriedade intelectual;
  • sustentabilidade;
  • solução de conflitos.

Com base nas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), o acordo fixa como objetivos: ampliar e diversificar o comércio de bens e serviços; dar mais segurança jurídica a empresas e investidores; e incentivar o desenvolvimento sustentável. Cada país envolvido continuará tendo o direito de criar e aplicar suas próprias leis em áreas como saúde pública, meio ambiente, educação, segurança e proteção social.

No capítulo sobre comércio de bens, as partes assumem o compromisso de reduzir ou eliminar, de forma gradual, os impostos cobrados na entrada de produtos importados, seguindo prazos definidos em anexos do acordo. Esse processo pode levar até 30 anos para alguns itens. Além disso, o texto proíbe a criação de novos impostos de importação ou o aumento dos já existentes para os produtos que se enquadram nas regras do acordo, salvo exceções previstas.

O texto trata ainda da concorrência nas exportações: o documento estabelece que as partes não poderão conceder subsídios para estimular a venda de produtos agrícolas para o outro bloco. E disciplina medidas de defesa comercial, como a aplicação de sobretaxas quando houver prática considerada desleal, além de permitir a suspensão de benefícios em caso de fraude comprovada.

Fonte: Agência Senado


Sob protestos, CPMI aprova quebra de sigilos de filho do presidente Lula

Imagem: reprodução

Comissão aprovou 87 requerimentos, incluindo pedidos de informações ao Coaf e convocações de empresários e ex-parlamentares

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou na quinta-feira (26), em votação simbólica, 87 requerimentos, incluindo pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal e convocações de investigados. Entre os alvos está Fabio Luis Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do Banco Master e da empresa CredCesta.

A reunião teve questionamentos sobre a contagem de votos e o formato da votação.

Após o anúncio do resultado, parlamentares da base do governo questionaram a contagem e o modelo de votação em bloco.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o procedimento foi solicitado por parlamentares do governo, com base no regimento. Segundo ele, o painel eletrônico registrou a presença de 31 parlamentares.

"O governo veio à CPMI hoje com a decisão de bloquear toda a pauta e por requerimento solicitar uma votação em bloco. Contei duas vezes sete votos contrários, portanto a pauta de hoje está aprovada na integralidade", declarou.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) apresentou questão de ordem e pediu a anulação do resultado.

"Solicito a anulação do resultado por erro material na contagem. Nós vamos interpretar essa decisão como uma ação deliberada do senhor para fraudar o resultado da votação", afirmou.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) defendeu a manutenção da decisão.

"Tem 31 presentes aqui. Se 14 votaram contrário, como afirmou o deputado, permanecem 17 que votaram a favor. Nada disso aconteceu, não houve golpe", declarou.

Em resposta, Viana afirmou que, em votações simbólicas, são contabilizados apenas os votos contrários e rejeitou o pedido de anulação.

Quebras de sigilo

A CPMI solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a elaboração de relatório de inteligência financeira (RIF) sobre movimentações de Fabio Luis Lula da Silva entre 2022 e janeiro de 2026.


Imagem: reprodução


Também foram aprovadas quebras de sigilo do Banco Master, no período de 2015 a 2025, e da CredCesta, entre abril de 2017 e dezembro de 2025. Os requerimentos citam operações relacionadas ao mercado de crédito consignado.

A comissão aprovou ainda representação pela prisão preventiva do presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira da Cruz. O pedido menciona investigação sobre descontos indevidos em benefícios do INSS e aponta risco à instrução do processo e à aplicação da lei penal.

Convocações

A CPMI aprovou a convocação do ex-deputado André Moura, ex-líder do governo no Congresso no governo Michel Temer. O requerimento cita reportagens da imprensa de Sergipe que apontam suspeita de auxílio a investigados no esquema de fraudes no INSS.

Também foi aprovada a convocação do empresário Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). O pedido menciona registro de presença dele em reunião no Ministério da Previdência, em 13 de março de 2023, com Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, além de ligações com pessoas investigadas.

A comissão aprovou ainda a convocação do ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, apontado como responsável pela criação da CredCesta. O requerimento cita reclamações relacionadas a crédito consignado e fatos divulgados no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

Fonte: Agência Câmara de Notícias