quinta-feira, 4 de junho de 2026

Block no Tigrinho: campanha pede influência contra bets

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Movimento, criado pela 342 Artes, já tem adesão de vários artistas e destaca os prejuízos econômicos e sociais que seriam causados pelas plataformas


“De que lado da influência você está?" Essa é a pergunta que encabeça o texto de apresentação do site da campanha Block no Tigrinho, lançada oficialmente na terça-feira, 2, no ambiente digital, e que já conta com a adesão de diversas personalidades da música, televisão, cinema e artes.

A proposta da iniciativa, que é assinada pela empresa 342 Artes, é fazer um alerta geral ao que considera como “epidemia” de bets e plataformas de apostas no Brasil, algo que, nas palavras do movimento, estão “criando vício, sofrimento e dívidas”.

O site da campanha convida o público a participar por meio de um abaixo assinado, de um movimento que pede que influenciadores, personalidades e também anônimo usem suas redes sociais para alertar sobre os riscos decorrentes da utilização das plataformas de apostas.

No fim da manhã desta quarta-feira, 3, a página do Block do Tigrinho no Instagram já havia ultrapassado a marca de 44,3 mil seguidores.

Já o site menciona que quase 12 mil pessoas haviam assinado o manifestado e que, ao todo, as páginas do movimento somavam mais de 94 mil seguidores, considerando todas as redes sociais.

Celebridades pedem “Block no Tigrinho”

No vídeo de destaque publicado no perfil do movimento, diversas personalidades aparecem pedindo “block” no uso das plataformas de apostas.

Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Marieta Severo, Paulinho da Viola, Luisa Arraes, Claudia Abreu, Letícia Sabatella e Camila Pitanga estão entre as personalidades que, ao longo do vídeo, citam dados que pontuam como o vício nas plataformas de apostas teria aumentado e como os jogos online estariam colaborando para o endividamento das famílias. Veja:



A questão das bets

O questionamento a respeito das possíveis consequências das plataformas de apostas tanto para o cenário econômico do País como no dia a dia das pessoas já vem sendo debatida pela Câmara e Senado há algum tempo.

Em fevereiro deste ano, o Senado chegou a aprovar, por meio da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), o Projeto de Lei 3.563/2024, que tinha intenção de proibir todas as modalidades de publicidade, patrocínios ou promoção de apostas esportivas e jogos de azar online.

O PL, contudo, ainda precisa passar pela análise e debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, caso siga adiante, pela votação no Plenário do Senado e, posteriormente, na Câmara dos Deputados. Caso o texto seja aprovado nessas etapas, ainda precisará da sanção presidencial para se tornar Lei.

O projeto é de autoria do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) e foi apresentado pela relatora, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). De acordo com o texto, o objetivo principal da lei é eliminar a visibilidade das bets no cotidiano das pessoas, ajudando a frear, de alguma maneira, os impactos nas finanças e na saúde mental dos brasileiros.

Impactos do patrocínio das bets

A aprovação da PL causaria impactos importantes na seara do marketing esportivo, sobretudo no futebol, já que os clubes, federações e estádios não poderiam mais exibir marcas de bets em uniformes ou nas placas de publicidade.

Seria também proibido o patrocínio a eventos culturais e cívicos, bem como a promoção de empresas de apostas por parte por parte de celebridades, influenciadores e produtores de conteúdo nas redes sociais.

Desde quando o setor passou a ser regulamentado no Brasil, no início de 2024, as empresas de apostas esportivas passaram a ter de seguir algumas determinações para a comunicação e oferta de seus serviços.

Por determinação do Senado Federal e também da Câmara dos Deputados, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) foi colocado como responsável por elaborar um conjunto de princípios éticos para que as empresas do segmento seguissem.

Dessa forma, surgiu o Anexo X, conjunto de regras estabelecidas pelo Conar para evitar publicidade abusiva por parte das bets. Entre as principais regras estava a de que as empresas não poderiam, em anúncios publicitários ou qualquer outra peça de comunicação, sugerir a ideia do ganho de dinheiro “fácil” a partir das apostas esportivas.

Também ficou vetado o direcionamento de publicidade de apostas para crianças e adolescentes. As empresas ainda tinham de se comprometer em adotar práticas para combater a ludopatia (vício em jogo).

O assunto, porém, seguiu gerando debates a medida em que a presença das empresas de apostas esportivas crescesse na mídia e no ambiente do futebol brasileiro.

No ano passado, os 20 clubes que competiram na série A do Campeonato Brasileiro tinham, no mínimo, uma empresa de apostas esportivas em seus uniformes.

Apenas em 2025, as empresas do segmento aplicaram R$ 1,4 bilhão em TV aberta, TV paga, rádio e streaming. Os dados são do relatório “Investimentos Bets 2025 – Análise Estratégica do Setor de Apostas Esportivas”, elaborado pela Tunad.

Fonte: meioemensagem


Brahma promete cerveja grátis para brasileiros caso a Seleção conquiste o hexa em 2026

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A Brahma decidiu transformar a esperança da torcida brasileira em uma das maiores promessas promocionais já feitas por uma marca durante uma Copa do Mundo. Como parte da campanha “Tá Liberado Acreditar”, a cerveja da Ambev anunciou que irá distribuir Brahma gratuitamente para consumidores de todo o país caso a Seleção Brasileira conquiste o tão sonhado hexacampeonato mundial em 2026.

A iniciativa busca reacender o otimismo dos torcedores após um jejum de 24 anos sem títulos mundiais. Desde a conquista do pentacampeonato, em 2002, mais de 40 milhões de brasileiros nasceram sem vivenciar uma comemoração de Copa do Mundo vencida pelo Brasil. Agora, a marca aposta justamente nesse sentimento de espera para mobilizar os fãs de futebol ao longo da competição.

O anúncio foi feito durante a transmissão do amistoso entre Brasil e Panamá, exibido pela Globo, e contou com a participação de Ronaldo Fenômeno, um dos principais símbolos da conquista do penta. No filme da campanha, o ex-jogador convida os brasileiros a retomarem a confiança na Seleção e acreditarem novamente na possibilidade do sexto título mundial.

Segundo Felipe Cerchiari, diretor das marcas Core da Ambev, a ação representa a confiança da marca no potencial da equipe brasileira. “A gente sabe que esse jejum todo fez muitos brasileiros desanimarem e ficarem descrentes de que a taça pode ser nossa de novo. Mas a gente também sabe que, quando o assunto é futebol, o brasileiro nunca deixa totalmente de sonhar. Por isso a promessa de Brahma chega como forma de provar que a gente realmente acredita e que vamos, sim, trazer esse hexa em 2026”, afirma.



Criada pela Africa Creative, a campanha reforça a conexão histórica entre Brahma e o futebol brasileiro. Para Nicholas Bergantin, co-CCO da agência, a proposta é devolver ao torcedor o direito de sonhar após décadas de espera. A promessa de cerveja gratuita surge como uma forma simbólica de recompensar os brasileiros pelos anos sem uma comemoração mundial.

Caso o Brasil seja campeão, a distribuição acontecerá por meio de uma operação nacional envolvendo Zé Delivery, bares participantes, supermercados e parceiros credenciados. A ação permitirá que consumidores maiores de 18 anos resgatem gratuitamente um pack de Brahma nos canais participantes ou uma garrafa de 600 ml nos bares selecionados, respeitando o limite de um resgate por CPF.

A promoção ficará disponível por pelo menos um dia após a conquista do título e poderá ser estendida para ampliar o acesso dos consumidores à ação. Com a iniciativa, Brahma transforma a expectativa pelo hexa em uma promessa que une futebol, celebração e uma das bebidas mais tradicionais das comemorações brasileiras.

Fonte: publicitarioscriativos


“Alimentação saudável deixou de ser nicho”, diz Italac ao ampliar aposta em proteína e zero lactose

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Marca completa 30 anos com novos produtos ao mercado e se reposiciona em busca de consumidores que olham menos para preço

Aos 30 anos, a Italac vem ampliando sua aposta em categorias ligadas à proteína, digestibilidade e conveniência, em linha com uma tendência global de incorporar mais valor nutricional ao consumo diário. Em entrevista à Mercado&Consumo, Andréia Alvares, gerente de Marketing da companhia, afirma que o consumidor brasileiro passou a buscar produtos mais alinhados a bem-estar e funcionalidade, sem abrir mão de sabor e indulgência. “Alimentação saudável deixou de ser nicho, mas as pessoas ainda querem comer um docinho.”

Entre os lançamentos recentes da Italac (empresa familiar fundada na cidade de Corumbaíba, em Goiás), que marcam sua terceira década, estão o doce de leite zero açúcar, a manteiga zero lactose, novos itens da linha proteica Pro+Play (15g de proteína) e o leite A2, produto voltado à alta digestibilidade. Segundo Andréia, o leite A2 utiliza uma caseína diferente da convencional, proporcionando maior conforto digestivo para algumas pessoas. O produto, no entanto, não é indicado para pessoas com alergia à proteína do leite de vaca (APLV), já que continua contendo proteína do leite. “É um leite especial que passa mais fácil no trato digestivo”, afirma.

A companhia também acaba de anunciar uma colaboração inédita com a The Hershey Company, nos sabores cacau com cranberry e cacau com café. Já as bebidas lácteas serão nos sabores cookies n’ cream e caramelo salgado. “Esperamos 30 anos para essa parceria com uma companhia americana.” Outro destaque da estratégia é o lançamento de um leite proteico em embalagem individual, voltado ao consumo prático e ao aumento da demanda por conveniência e aporte nutricional ao longo do dia. A executiva afirmou que a inspiração veio de tendências observadas no hábito do consumidor.

Andréia destaca, ainda, que o avanço do digital e do omnichannel não elimina a importância do varejo físico e dos supermercados na jornada de compra. “A experiência do físico nunca vai deixar de existir”, afirma. Segundo ela, o ambiente digital amplia possibilidades de sortimento e relacionamento, mas complementa – e não substitui – a experiência presencial de consumo.

Com cerca de 180 produtos no portfólio, incluindo itens para o foodservice, e capacidade produtiva de aproximadamente 7,5 milhões de litros por dia, a Italac vem ampliando sua atuação para além do leite tradicional, avançando em categorias de maior valor agregado e conveniência. “A gente vem buscando o público mais fiel, menos preço e que esteja mais preocupado com a qualidade”, diz a executiva.

Por Bruna Lencioni


Fonte: mercadoeconsumo




Carreta leva cinema gratuito ao Maranhão

Imagem: reprodução / divulgação


Com estrutura climatizada e filmes para toda a família, o Cine CAIXA CAP traz a experiência do cinema para vários municípios; iniciativa estará em Cedral de 5 a 6 de junho

Assistir a um filme no cinema ainda é um privilégio distante para milhões de brasileiros fora dos grandes centros urbanos. No Maranhão, porém, essa prátic,1a ganhou novos contornos nos últimos dias, quando várias cidades do Estado passaram a receber o Cine CAIXA CAP, iniciativa com objetivo de democratizar o acesso à cultura, levando a emoção da telona até a população. Com sessões gratuitas e direito a pipoca e refrigerante inclusos, o projeto da CAIXA Capitalização, que ocorre em parceria com o Ministério da Cultura e é organizado pelo Instituto Acerte, transformará praças e espaços abertos em sala de cinema.

Nos dias 5 e 6 de junho, o projeto desembarca em Cedral e receberá a população na Praça Governador Newton Bello, 66, localizada em frente à Prefeitura Municipal, no Centro.

A programação do Cine no estado maranhense contempla ainda as cidades de Presidente Sarney, 9 e 10 de junho; Penalva, 12 e 13 de junho; Bela Vista do Maranhão, 16 e 17 de junho; Graça Aranha, 19 e 20 de junho; Sitio Novo, 23 e 24 de junho; Porto Franco, 26 e 27 de junho.

Acesse o site cinecaixacap.com.br para saber o endereço onde a carreta permanecerá em cada município.7

A temporada no Maranhão marca a 3ª edição do Cine CAIXA CAP, que também passou por Tocantins e Pará neste ano. Em edições anteriores, o projeto percorreu Minas Gerais, em 2024, e estados do Nordeste, em 2025.

Mais do que uma programação de lazer, o Cine CAIXA CAP propõe um encontro entre cultura, inclusão e comunidade. Ao levar o cinema até cidades e bairros onde o acesso ao cinema é inexistente ou limitado, o projeto amplia horizontes, cria memórias afetivas e reforça o papel da cultura como ferramenta de transformação social, marcado por histórias que emocionam, divertem e conectam gerações.

“O Cine CAIXA CAP vai além de um projeto voltado às comunidades, é uma iniciativa que contribui para democratizar o acesso à cultura em um país marcado por desigualdades sociais. Temos muito orgulho de chegar ao terceiro ano do projeto e seguimos comprometidos em ampliar o acesso ao lazer e à cultura, promovendo mais qualidade de vida para os brasileiros”, afirma Nelma Tavares, presidente da CAIXA Capitalização.

O Cine CAIXA CAP

Com quase 20 metros de extensão, a estrutura da carreta foi pensada para reproduzir e ampliar a magia dos cinemas: são 85 poltronas (sendo 2 delas acessíveis para cadeirantes), projeção digital, isolamento acústico, ar-condicionado e bomboniere. O formato do projeto foi desenvolvido especialmente para que crianças, jovens e adultos possam assistir aos filmes com conforto, pipoca e refrigerante, gratuitamente.


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A programação conta com dois dias de exibições em cada cidade, com cinco sessões diárias: sempre às 8h, 10h, 14h, 16h e às 19h. Os filmes em exibição são sucessos da Disney para toda a família, como “Divertida Mente 2”, “Elementos”, “Pluft, O Fantasminha”, “Encantos”, “A Pequena Sereia”, “Lilo & Stitch”, “Os Farofeiros”, entre outros.

Os ingressos serão distribuídos presencialmente no local do evento, uma hora antes do início de cada sessão.

Confira programação completa da 3ª edição do Cine CAIXA CAP e os endereços onde a carreta receberá o público em cada estado e município no site: cinecaixacap.com.br


 Programação – Cine CAIXA CAP | 3ª edição – Maranhão

 Primeiro dia:

  • 8h - Encanto
  • 10h - Elio
  • 14h - Lilo & Stitch
  • 16h - Como Treinar o seu Dragão
  • 19h - Os Farofeiros

 Segundo dia:

  • 8h - Viva - A Vida é uma Festa
  • 10h - Elementos
  • 14h - Pluft, o Fantasminha
  • 16h - A Pequena Sereia
  • 19h – Divertida Mente 2


Fonte: Lettera Comunicação Estratégica Marcele



PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas: A nova fronteira do risco corporativo brasileiro

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A recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Foreign Terrorist Organizations (FTO) e Specially Designated Global Terrorists (SDGT) pelo governo norte-americano tem sido amplamente analisada sob a perspectiva criminal.

Na minha avaliação, esse enquadramento é insuficiente, já que, o verdadeiro impacto não será percebido nos processos penais, será observado nos modelos de governança, critérios de investimento, mecanismos de concessão de crédito, procedimentos de due diligence, nas estruturas de financiamento internacional e nos parâmetros utilizados para avaliação de exposição corporativa.

Pela primeira vez, duas organizações cuja atuação sempre foi interpretada como problema doméstico de segurança pública passam a integrar um sistema normativo concebido para proteção da segurança nacional dos Estados Unidos. O tema deixa de ocupar exclusivamente o campo da criminalidade organizada e passa a ingressar na arquitetura global de sanções, inteligência financeira, combate ao financiamento do terrorismo e proteção da integridade do sistema econômico internacional.

A partir desse momento, a discussão não se limita à existência de atividades ilícitas, passa a envolver a identificação de conexões econômicas, estruturas de influência, redes de relacionamento, beneficiários indiretos, fluxos financeiros, cadeias produtivas e ambientes empresariais suscetíveis à captura por agentes externos.

Esse deslocamento produz uma consequência imediata, em que o centro da análise deixa de ser a ilegalidade e passa a ser a exposição. Essa distinção parece sutil, mas não é.

Os regimes modernos de sanções não foram construídos apenas para punir condutas, mas concebidos para interromper circulação de recursos, restringir acesso a infraestrutura financeira, dificultar suporte operacional e reduzir capacidade de expansão econômica de determinados atores. Em razão disso, investidores, bancos, seguradoras e autoridades regulatórias tendem a ampliar significativamente o escopo das avaliações realizadas sobre empresas brasileiras.

Do compliance tradicional à análise de ecossistemas

O primeiro reflexo deverá surgir nos sistemas de OFAC Screening, processo preventivo de verificação e conformidade, em que tradicionalmente, muitos controles corporativos concentram esforços na identificação de indivíduos ou entidades expressamente incluídas em listas restritivas. Essa abordagem tende a se tornar insuficiente.

A expectativa regulatória passa a alcançar relacionamentos indiretos, estruturas societárias interpostas, beneficiários econômicos ocultos, operadores de fachada e mecanismos de ocultação patrimonial. Não se trata mais de verificar nomes, mas de compreender ecossistemas. O mesmo fenômeno deverá atingir programas de Know Your Customer (KYC), Know Your Business (KYB) e Enhanced Due Diligence.

Durante muitos anos, a diligência prévia se concentrou na confirmação da existência jurídica de clientes, fornecedores e parceiros comerciais. A nova realidade exige algo substancialmente mais sofisticado. Será necessário compreender quem exerce influência material sobre determinada atividade econômica.

Nesse contexto, Beneficial Ownership Transparency deixa de ser uma obrigação documental e se transforma em instrumento de inteligência corporativa. A figura do Ultimate Beneficial Owner passa a representar apenas o ponto de partida de uma investigação mais ampla destinada a compreender estruturas de comando, influência econômica e controle efetivo.

O efeito sobre bancos, cadeias produtivas e operações internacionais

Essa transformação alcança diretamente instituições financeiras internacionais, já que modelos utilizados em Correspondent Banking Risk Assessments tradicionalmente avaliam jurisdição, perfil de clientes, qualidade de controles internos, histórico regulatório e exposição a ilícitos financeiros.

A influência exercida por organizações enquadradas como terroristas em determinados segmentos econômicos ou localidades passa a integrar matrizes de avaliação utilizadas por bancos correspondentes. O resultado pode ser percebido em exigências documentais mais rigorosas, procedimentos adicionais de validação, aumento de custos transacionais e restrições de relacionamento.

Outro aspecto que considero particularmente relevante envolve a chamada Material Support Doctrine. Sob essa lógica, a preocupação regulatória não se limita ao financiamento direto, a análise passa a considerar qualquer forma de suporte econômico, operacional, logístico ou estrutural que possa fortalecer entidades submetidas a restrições.

Essa interpretação amplia significativamente o universo de questionamentos possíveis, em que a discussão deixa de estar concentrada na intenção e passa a examinar consequência econômica.

Em paralelo, ganha relevância crescente aquilo que alguns especialistas internacionais denominam Chain Contamination Theory. Embora o conceito não constitua categoria jurídica formalmente consolidada, sua lógica influencia diversas análises de integridade conduzidas por instituições financeiras e investidores globais.

A premissa é simples, mesmo quando inexistem vínculos diretos, cadeias econômicas podem sofrer contaminação reputacional ou regulatória caso determinados elos apresentem conexões relevantes com ambientes considerados sensíveis. Essa percepção tende a ampliar a importância de Supply Chain Integrity Verification.

Até recentemente, muitas organizações concentravam atenção nos fornecedores imediatos. A tendência agora é avançar sucessivamente pelas camadas subsequentes da cadeia produtiva. A pergunta deixa de ser quem contratamos e passa a ser quem está por trás de quem contratamos.

Geografia, exposição regulatória e novas vulnerabilidades

Em determinadas regiões, a influência exercida por grupos criminosos transcende a prática de delitos e alcança circulação de mercadorias, contratação de serviços, acesso a mão de obra, distribuição de produtos, exploração econômica de determinadas atividades e ocupação informal de espaços estratégicos.

Quando organizações dessa natureza passam a ser enquadradas dentro de regimes internacionais voltados ao combate ao terrorismo, a geografia assume papel completamente diferente. O território deixa de representar apenas variável operacional e passa a constituir elemento de avaliação regulatória. Esse cenário exigirá que empresas desenvolvam mecanismos de Sanctions Exposure Mapping. Ou seja, metodologias capazes de identificar pontos de contato, áreas de vulnerabilidade, dependências econômicas, conexões indiretas e potenciais fontes de exposição decorrentes da atuação em ambientes complexos. Não se trata de mapear ilegalidades, mas de compreender fragilidades.

Mapas corporativos tradicionalmente estruturados em torno de fraude, corrupção, privacidade, concorrência e lavagem de dinheiro tendem a incorporar novas dimensões relacionadas à influência territorial, integridade de cadeias produtivas, exposição indireta e captura econômica.

Governança corporativa sob uma nova lógica de responsabilidade

Sob a ótica da governança corporativa, entretanto, o ponto mais sensível talvez esteja nos conselhos de administração, em que a evolução recente da jurisprudência norte-americana sobre Board Oversight Liability e Caremark Oversight Failures demonstra que a responsabilização de administradores está cada vez menos associada à ocorrência do evento em si.

O foco se desloca para a robustez dos mecanismos destinados à obtenção de informações relevantes, em que a discussão deixa de ser "O problema aconteceu?", e passa a ser "Existiam estruturas minimamente adequadas para permitir sua identificação?".

A partir do momento em que determinado assunto passa a representar preocupação legítima para reguladores, financiadores, investidores institucionais e seguradoras, se torna difícil sustentar que sua supervisão não integra as atribuições da alta administração.

O debate não envolve apenas decisões equivocadas, ele alcança falhas informacionais, omissões deliberativas, ausência de mecanismos de reporte e deficiência na obtenção de visibilidade sobre fatores potencialmente relevantes para a preservação do valor empresarial.

O novo custo de fazer negócios

Outro efeito provável será o fortalecimento das chamadas De-Risking Policies. Frequentemente mal compreendidas, essas medidas não pressupõem a existência de irregularidades, mas representam decisões econômicas destinadas a reduzir exposição diante de cenários considerados excessivamente complexos. Na prática, relacionamentos comerciais podem ser revistos, financiamentos podem sofrer reprecificação, coberturas securitárias podem ser reavaliadas e critérios de investimento podem se tornar mais seletivos.

As consequências também tendem a atingir sistemas de Transaction Monitoring, protocolos de escalonamento de operações suspeitas, estruturas de investigação corporativa e mecanismos destinados à identificação de Trade-Based Money Laundering.

Movimentações incompatíveis com a atividade declarada, fluxos financeiros sem racionalidade econômica aparente, utilização recorrente de intermediários, estruturas artificiais de faturamento e padrões transacionais atípicos deverão receber atenção crescente.

No universo de Private Equity e M&A, as transformações podem ser igualmente significativas. Due diligences tradicionalmente orientadas para passivos tributários, trabalhistas, ambientais e concorrenciais tendem a incorporar análises relacionadas à integridade territorial, influência econômica indireta, concentração de dependências operacionais, beneficiários ocultos, relacionamentos sensíveis e vulnerabilidades reputacionais.

A avaliação deixa de examinar apenas a empresa-alvo e passa a examinar o ambiente onde ela gera valor. A discussão contemporânea sobre governança corporativa não se limita mais à composição de conselhos ou à existência de políticas formais.  Investidores passaram a observar qualidade informacional, transparência decisória, rastreabilidade econômica, mecanismos de prevenção e capacidade institucional de antecipação.

Sob essa perspectiva, compreender como uma organização identifica potenciais fontes de influência externa deixa de ser tema de Compliance e passa a integrar a avaliação da maturidade de sua governança.

A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas não aumenta apenas a exposição dessas estruturas, ela amplia o custo regulatório de operar em determinados ambientes econômicos. E esse custo não será necessariamente percebido por meio de sanções, investigações ou processos judiciais, ele poderá surgir na forma de crédito mais caro, exigências documentais ampliadas, transações mais lentas, auditorias mais profundas, negociações mais complexas, coberturas mais restritas, avaliações mais conservadoras e escrutínio mais intenso.

O verdadeiro impacto dessa decisão não está na esfera criminal, mas na redefinição dos critérios utilizados pelo sistema financeiro internacional para medir previsibilidade, transparência, rastreabilidade econômica e capacidade de controle. É exatamente por isso que a discussão não pertence somente aos departamentos jurídicos e chegou aos conselhos de administração.

Por Patricia Punder, advogada e CEO da Punder Advogados


Partner e fundadora do escritório Punder Advogados no modelo de negócios “Boutique”, une excelência técnica, visão estratégica e integridade inegociável na advocacia. www.punder.adv.br

- Advogada, com 17 anos dedicados ao Compliance;

- Atuação nacional, América Latina e mercados emergentes;

- Reconhecida como referência em Compliance, LGPD e ESG;

- Artigos publicados, entrevistas e citação em matérias de veículos renomados, como Carta Capital, Estadão, Revista Veja, Exame, Estado de Minas, entre outros, tanto nacionais quanto setorizados;

- Nomeada como perita judicial no caso Americanas;

- Professora na FIA/USP, UFSCAR, LEC e Tecnológico de Monterrey;

- Certificações internacionais em compliance (George Whashington Law University, Fordham University e ECOA);

- Coautora de quatro livros de referência em compliance e governança;

- Autora da obra “Compliance, LGPD, Gestão de Crises e ESG – Tudo junto e misturado – 2023, Arraeseditora.


Fonte: Comunicação Vertical


Partidos aguardam divisão dos valores do Fundo Eleitoral para 2026

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu do Tesouro Nacional na segunda-feira (1º) o repasse dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral para as eleições gerais deste ano. Em breve, o órgão divulgará os valores a serem destinados a cada partido, conforme os critérios pré-estabelecidos.

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), mais conhecido como Fundo Eleitoral ou Fundão, foi instituído em 2017, quando as doações empresarias para campanhas políticas foram proibidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com repasses concentrados somente nos anos de eleição, o Fundo Eleitoral tem seu valor definido na Lei Orçamentária Anual (LOA). Cabe ao TSE fazer a distribuição aos diretórios nacionais dos partidos.

A adição

Pode-se dizer que o Fundo Eleitoral reúne as operações básicas da matemática. Adição, porque veio somar-se ao Fundo Partidário como um dos mecanismos de financiamento público das campanhas eleitorais no Brasil. Apesar de ambos funcionarem com recursos públicos, cada qual tem suas regras.

Bem mais antigo — instituído pela Lei 9.096, de 1995 —, o Fundo Partidário é destinado primeiramente à manutenção e às atividades dos partidos, como pagamento de serviços e despesas administrativas. Mas os recursos também podem ser utilizados para as campanhas eleitorais. Antes da criação do Fundo Eleitoral, o Partidário era a única fonte pública de recursos divididos entre as agremiações.

A adição do Fundo Eleitoral ao financiamento de campanha teve objetivo de garantir mais transparência e reduzir influências externas no processo eleitoral.

O Fundo Eleitoral foi criado quando acabou a doação de pessoa jurídica, para não haver influência de empresários na eleição, evitando que o candidato ficasse refém de interesses privados. A finalidade é ser financiado pelo Estado para não haver essa dívida, que pode levar à corrupção, e também proporcionar um maior equilíbrio econômico nas disputas — afirma a consultora legislativa do Senado Flávia Magalhães, da área do direito Constitucional, Administrativo e Eleitoral.

A subtração

Uma questão que ainda recebe críticas é a distribuição dos recursos feita dentro do partido. Cada agremiação distribui o montante recebido como quer. Ou seja, subtrai-se de alguns, em benefício de outros.

— O partido distribui como quer, assim como era quando recebia de doações de pessoas jurídicas. Questiona-se porque um recurso público acaba sendo distribuído de uma forma não necessariamente justa entre os candidatos. Os diretórios é que vão definir quais os candidatos que receberão mais ou menos recursos.

A multiplicação

A destinação de quase R$ 5 bilhões ao Fundo Eleitoral chama atenção pelo fato de o montante ter quase triplicado em um período de oito anos, desde 2018, quando foi distribuído R$ 1,7 bilhão (veja quadro). Há quem questione o montante do fundo, argumentando que o valor poderia ser usado em outras finalidades essenciais do Estado. Outras vozes, porém, lembram que também é fundamental garantir a lisura do pleito, a independência dos eleitos e o financiamento das eleições.

— Os partidos podem até renunciar ao valor, se quiserem. Em 2022, o Partido Novo recusou o Fundo Eleitoral. Mas isso deve ser feito até 1º de junho. Neste ano, nenhum recusou — explica a consultora Flávia Magalhães.

A divisão

A divisão do valor do Fundo Eleitoral entre os partidos segue critérios regulamentados por resolução de 2019 do TSE. 2% são garantidos a todos os partidos registrados no Tribunal. Na sequência, 35% são distribuídos entre os partidos com pelo menos um deputado federal. E essa divisão será feita na proporção do percentual de votos obtidos na última eleição geral para a Câmara.

Flávia Magalhães lembra que a Constituição define que os votos dados a candidatas mulheres ou a candidatos negros para a Câmara dos Deputados nas eleições realizadas de 2022 a 2030 devem ser contados em dobro para a divisão de recursos.

Outros 48% serão divididos na proporção dos deputados federais titulares eleitos na última eleição e 15% na proporção dos senadores titulares e que estiverem nos primeiros quatro anos de mandato.

Assim, toda a base de cálculo para o repasse referente às eleições gerais de 2026 vai considerar os resultados das eleições gerais de 2022. Serão incluídas nesse cômputo as retotalizações — a partir de cassações de deputados, por exemplo — processadas até 1º de junho deste ano.

Em 2024, 29 partidos dividiram o montante de R$ 4,9 bilhões. Ao final do pleito, todos os partidos tiveram de apresentar prestação de contas detalhada. Os recursos que não forem utilizados nas campanhas eleitorais devem sempre ser devolvidos ao Tesouro Nacional.

O PL levou a maior parte dos recursos (17,87%) em 2024, seguido do PT (12,49%). Na sequência aparecem os partidos União (10,81%), PSD (8,48%), PP (8,41%) e MDB (8,15%).

Novas operações

Alguns projetos em tramitação nas duas Casas Legislativas têm objetivo de mexer no Fundão. No Senado, por exemplo, o PL 573/2020, de iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), a partir de uma ideia legislativa, reduziria à metade do valor de 2020 (quando foram destinados R$ 2 bilhões) para as eleições de 2022, com congelamento desse montante até 2042. É o que propõe também o PL 4.775/2019, do senador Eduardo Girão (Novo-CE).

Já o PL 2.538/2023 determina a devolução ao Tesouro Nacional dos recursos do Fundo Eleitoral nos casos de cassação de registro, diploma ou mandato. Autor da proposta, o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) argumenta que “não há razoabilidade em permitir que se empenhe recursos públicos em campanhas de candidatos que não possuam todas as condições de elegibilidade ou que tenha alguma das condições de inelegibilidade no ato do registro de candidatura, sem a possibilidade de que os valores sejam restituídos aos cofres nos casos citados”.

O senador Jayme Campos (União-MT) apresentou no ano passado projeto que destina recursos do Fundo Eleitoral a programas de educação cidadã e letramento democrático, sob gestão do TSE (PL 6.469/2025).

— Não há uma democracia forte sem uma sociedade bem informada. Não há cidadania absoluta sem compreensão dos direitos e deveres, do funcionamento das instituições e do papel de cada indivíduo na vida pública. Assim, o projeto que apresento propõe a destinação de 2% do Fundo Eleitoral para ações permanentes e estratégicas de educação — disse o senador em Plenário.

Os fundos Eleitoral e Partidário também poderiam ter sofrido alterações pelo projeto de lei complementar (PLP) 112/2021, debatido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no ano passado. A matéria, aprovada pelo colegiado, acabou não sendo analisada pelo Plenário, de forma que pudesse trazer alterações para a eleição de 2026.

Na Câmara, o PL 2.652/2022, do ex-deputado Nereu Crispim (RS), propõe a distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral de forma igualitária entre os candidatos. Outros mais radicais, como o PL 2.722/2019, da ex-deputada Paula Belmonte (DF), e o PL 4.910/2019, do deputado Diego Garcia (União-PR), simplesmente extinguem o Fundão.

Fonte: Agência Senado